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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

OS DISPOSTOS SE ATRAEM

OS DISPOSTOS SE ATRAEM



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Você já parou pra pensar o quanto está disposto a investir num relacionamento?

Geralmente entramos numa relação amorosa com a fantasia de que tudo vai fluir magicamente e dar certo espontaneamente sem que façamos nenhum reforço.

Infelizmente não funciona assim. 
Relacionar dá trabalho! É preciso ter disposição, paciência, persistência e perseverança.

A paixão é um momento quase perfeito. Tudo funciona bem. Eu dou o melhor de mim e o outro dá o melhor de si. 
Passada a paixão vem a realidade e nossos defeitos aparecem assim como nossas carências ocultas. Enxergar a realidade nem sempre é facil. A pessoa da paixão e a pessoa real parecem ser completamente diferentes e opostas.

Esse é o momento que os casais mais se separam. Não toleram a frustração, ficam com raiva, se sentem traídos e não sabem lidar com as diferenças. Perdem a chance de evoluir juntos.

Muitas vezes entram no módulo bélico de se relacionar, disputam poder, culpam e tentam mudar o outro a qualquer custo, chegando até a tentar matar o outro, real ou simbolicamente. Isso não é amor, está longe de ser... Já dizia o coach relacional Arly Cravo que "quando o poder entra pela porta, o amor sai pela janela" (ou algo do tipo rsrs)

O namoro é o grande aprendizado de Modular a Alma um do outro, com amor e afeto. 
A arte de negociar é muito importante nesse período para que as necessidades de ambos sejam nutridas.

Uma boa dose de individuação ajuda cada parceiro a saber cuidar de si para não projetar velhas carências na relação. Eu cuido de mim, você cuida de si e nós cuidamos um do outro e da relação.

Precisamos estar adultos e não mais crianças carentes. Precisamos dar amor maduro e não só esperar sermos amados de forma infantil.

Se você deseja uma relação amorosa digna, uma verdadeira parceria que valha a pena, procure alguém realmente disposto, a crescer e evoluir com você! 



Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
e Terapeuta de Casais
em Belo Horizonte
fb.me/adrianafreitas.blog.youtube 
Instagram: @adrianafreitas.blog.youtube




Referência da Figura
1. Foto tirada numa lojinha do CCBB em Belo Horizonte


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sexta-feira, 18 de julho de 2014

ELE NÃO ESTÁ TÃO AFIM DE VOCÊ – SOBRE SABER RETIRAR-SE

ELE NÃO ESTÁ TÃO AFIM DE VOCÊ

SOBRE SABER RETIRAR-SE


“Ele não está tão afim de você” é o nome de uma comédia romântica dirigida por Ken Kwapis, e estrelada por Ben Affleck, Jennifer Aniston, Drew Barrymore, Scarlett Johansson, Ginnifer Goodwin, Justin Long, dentre outros.  No vídeo abaixo vocês verão os comentários de Isabela Boscov sobre o filme, falando pelo Veja Cinema:



Concordo com Isabela, quando comenta que o filme teve um resultado simpático. Acho que isso acontece porque despretensiosamente, o filme fala sobre encontros e desencontros dos relacionamentos, e sobre como homens e mulheres “enlouquecem” tentando compreender as mensagens, diretas ou contraditórias de seus pretendentes, sendo as mulheres as que mais buscam justificativas para as ausências masculinas.

Em seu delicioso livro "Mulheres - por que será que elas...?*", Leila Ferreira tem um capítulo inteiro falando das desculpas que as mulheres inventam para as atitudes dos homens. "O amor não correspondido, ou a paixão não correspondida, ou simplesmente a atração não correspondida costumam provocar um embotamento dos sentidos que impede a mulher não só de ver, mas de ouvir, sentir, registrar o gosto ou o cheio de qualquer sinal que denuncia a não correspondência do sentimento" (cap. 18, pág. 191).
Apesar de serem as mulheres as que mais tem "problema de visão" nos relacionamentos, quantas vezes já levamos e já damos um fora? Tem momentos em que a coisa simplesmente não se encaixa, seja por falta de química física, sexual, intelectual, afetiva, de objetivos de vida, ou de questões inconscientes que nem sabemos nomear. Mas sempre ficamos muito sentidos por levar um fora, e muito desconcertados para dar um fora.
Dando um fora
Dar um fora é tão desconcertante quanto levar um fora. O outro aparece te solicitando ou inconvenientemente insistindo e você não tem a menor vontade de ficar com ele. Geralmente utilizamos as piores estratégias: desaparecimento, desculpas esfarrapadas e deixar de molho. Temos uma enorme dificuldade de dizer a verdade, ou porque não queremos magoar o outro, ou queremos ter um estepe sobressalente para uma rapidinha de vez em quando ou porque gostamos de ter alguém interessado em nós.
Tem situações em que realmente é muito difícil falar a verdade. Já ouvi na clínica e entre amigas diversos relatos: o rapaz tinha um mau-hálito terrível que não dava pra ficar nem conversando com ele. Outras vezes a pretendente era tão carente (vide a personagem Gigi do filme acima indicado) que colava na parceiro, oferecendo muitas coisas inadequadas para o momento do início de uma relação e sufocando-o. Ou a insegurança do homem com o próprio corpo (com seu pequeno membro) impedia que a coisa fluísse na cama. Como falar dessas coisas pra o outro? Impossível. Daí inventamos desculpas amenas.
Levando um fora
Levar um fora é muito ruim, mas levar um fora depois de uma noite que pareceu maravilhosa é pior. O indivíduo fica sem compreender o que de fato aconteceu. Ou o outro foi falso ao extremo quando demonstrou sentir um grande prazer na sua companhia ou só queria viver o momento, ou não está buscando um relacionamento. Desculpas e mais desculpas.
Por que tentamos sempre compreender os motivos de o pretendente não ligar no outro dia ou na semana seguinte? Porque não conseguimos seguir em frente sem ter um sentido para o fora que levamos, que sirva para amenizar um sentimento de culpa, explícito ou oculto, quando nos colocamos toda responsabilidade pelo outro não gostar da gente. Talvez sabendo o motivo, possamos consertar o que há de errado com a gente, para poder acertar da próxima vez. Falta de autoestima!
Saber Retirar-se
A maior liberdade possível para o ser humano é quando ele consegue se dar o direito de ser ou não ser amado. O outro pode gostar ou não gostar de mim, ou posso gostar do outro e ele ir embora em busca de suas próprias escolhas.
Se sentimos algo de valor pelo pretendente, vale a pena fazer uma iniciativa. Entrar em contato e ver a possibilidade de um novo encontro acontecer. Mas se o outro não corresponde suas mensagens, não esboça nenhuma iniciativa de volta, ou não topa realizar um encontro, este é o momento de bater em retirada. Quando não saímos nesse momento, já entramos num lugar de carregar uma relação nas costas, e podemos nos ferir mais adiante, com expectativas não correspondidas. Quando há interesse mútuo, a troca, o contato, as mensagens, os encontros fluem com facilidade, sem ter que fazer esforços sobre-humanos.
Precisamos aceitar que seja por que motivo for, o outro tem o direito de não gostar da gente e vice-versa. Compreendendo que não houve uma conexão mais profunda, em níveis conscientes e inconscientes, fica mais fácil levarmos um fora, batermos em retirada sem deixar que nossa autoestima fique comprometida.


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Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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*Confira aqui a referência completa do livro.
Referências das Figuras

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segunda-feira, 9 de junho de 2014

POR QUE ESCOLHI VOCÊ? - A QUÍMICA DA ATRAÇÃO

POR QUE ESCOLHI VOCÊ?

A QUÍMICA DA ATRAÇÃO


“Por que escolhi você”* é o nome de um livro de Steve Biddulph e Shaaron Biddulph, o qual aborda o tema relacionamentos de casal, passando pela questão da atração amorosa, e por isso escolhi repetir o título do livro neste post.
A atração é um tema instigante quando começamos a refletir sobre a misteriosa química que acontece nos relacionamentos e o que está por detrás da mesma. Você já pensou por que nos sentimos atraídos por algumas pessoas e não por outras?
A atração acontece por motivos conscientes e inconscientes, e são esses últimos os que possuem um maior poder sobre nossas escolhas amorosas. Muitas vezes desejamos algo, mas atraímos o oposto, e isso acontece por causa da força das nossas histórias, registradas no nosso inconsciente.
O casal Biddulph relata três tipos de atração: gostar, amar e desejar. Gostar seria um encontro de mentes, uma combinação de afinidades, intelectualidade, pensamentos, valores, etc. Amar seria uma conexão do coração, onde existe uma disponibilidade para o envolvimento, intimidade, sinceridade, confiança, entrega e vulnerabilidade decorrente desta última. Amar é algo complexo, pois está relacionado ao conceito de amor das origens familiares.  Desejar seria a atração sexual, a química corporal. Quando os três tipos se alinham, há uma possibilidade única de um relacionamento bastante promissor. Mas as vezes não há esse alinhamento ou muitas vezes confundimos uns itens com os outros, ou talvez exista só um tipo de atração, da nossa parte ou do parceiro, mas insistimos e acabamos muito frustrados pois uma relação pode até ser duradoura mas não se sustenta de forma consistente, ou de forma a gerar o crescimento do casal, com apenas um tipo de atração. 
Tentemos aprofundar nas questões inconscientes: a atração acontece pelo que é semelhante e conhecido de nossa história. E isso está interligado ao nosso conceito de amor. Desde muito pequenos, quando ainda não temos nosso aparelho cognitivo desenvolvido para compreender e expressar racionalmente, vamos compreendendo de forma bastante instintiva o que é o amor na nossa relação com pai, mãe, irmãos e família de origem. Esses primeiros aprendizados ficam profundamente registrados no nosso inconsciente como experiências referentes a questões de sobrevivência, sensação de segurança e prazer. Quando adultos, conseguimos reconhecer, também instintivamente os sinais emitidos pelo pretendente a parceiro, que evocam as memórias mais profundas e disparam emoções semelhantes as do passado que entendemos como amor, segurança e prazer, surgindo daí a atração e a paixão pelo conhecido.
Então, se aprendemos que o amor está ligado a  violência, agressividade, dependência, distanciamento ou afeto, carinho e reconhecimento, atrairemos pessoas em nossas vidas que combinem com essa ideia amorosa, mesmo que no nosso discurso, queiramos outra coisa.
Segundo Iara Camaratta, em seu livro “A Escolha do Cônjuge”*, as pessoas emitem e captam microssinais, mesmo sem tomarem consciência disso e sem conseguir interpretar racionalmente os mesmos. Esses microssinais “dizem” ou “mostram” as verdades mais profundas dos indivíduos, melhor do que o discurso verbal dos indivíduos e as vezes até contradizendo o mesmo. São mensagens não verbais que captamos de forma bastante instintiva, subliminar e que não passam pela consciência.
Em outras palavras, há uma ressonância entre os pontos de semelhança dos indivíduos, sejam eles positivos ou negativos, sejam por afinidades ou por complementaridades. Ressonância, segundo o dicionário informal, significa a propagação vibratória de qualquer tipo de onda (ex. sonora, eletromagnética, etc.), e dentro da visão sistêmica significa que os seres humanos também “propagam ondas vibratórias” mas no sentido emocional, e quando essas “ondas” combinam, entram em sintonia com as de outras pessoas, então há uma conexão seja de amizade ou amorosa. Essas “ondas” são invisíveis e apenas quando nos conhecemos a ponto de termos consciência dos nossos padrões de atração afetivos, temos condições de mudar de atrações “negativas”, aquelas que não desejamos mas estão de acordo com nossas histórias, para atrações mais positivas, que têm mais a ver com nosso desejo.
Aquela estória de que os opostos se atraem pode acontecer apenas na superfície. Tais pessoas podem ter comportamentos e gostos muito diferentes, no entanto, se formos avaliar mais profundamente as histórias de vida, veremos que as ressonâncias estão nos padrões de relacionamento, nos processos emocionais de separação da família de origem, e no grau de amadurecimento dos indivíduos, sendo todos na verdade mais semelhantes do que diferentes.
Mudar nossos padrões de atração é uma tarefa bastante difícil. Eu aprendi na minha família que sua forma de vinculação é o distanciamento afetivo. Infelizmente atraí e ainda atraio homens distantes até hoje, muitos com comprometimentos para vinculação. Estudei e compreendi minha árvore genealógica através da minha terapia pessoal e somente a partir do momento que tive consciência do meu padrão passei a ter a escolha de aceitar ou não o tipo de homens que atraía. Hoje, quando aparecem homens distantes, eu os reconheço quase que imediatamente, e assim digo que não quero, pra mim mesma! Acredito que somente na prática, ao não aceitarmos o que não queremos, enviamos uma mensagem invisível para o “universo”, que entenderá e passará a enviar pessoas diferentes para as nossas vidas. Isso leva tempo e requer persistência e disponibilidade para ficarmos sozinhos, cuidando de nós mesmos.


Venus, Cupido e Satyr

Você tem consciência do seu padrão de atração? Ou experiências de atrações inconscientes? Compartilhe conosco nos comentários do blog!
Adriana Freitas

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Referências das Figuras

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sexta-feira, 25 de abril de 2014

CONCEITO DE AMOR - APRENDIZADOS FAMILIARES SOBRE AMAR E SER AMADO

CONCEITO DE AMOR

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APRENDIZADOS FAMILIARES SOBRE AMAR E SER AMADO

A frase da imagem acima é do do artista Pedro Gabriel Anhorn, retirada do seu site "Eu me chamo Antônio", que possui livro de mesmo nome. "Todo amor é bonito, feio é não amar". Escolhi esta frase para iniciar este post, colocando-a em questão: será que todo amor é bonito mesmo? Não existiria amores feios também? E a possibilidade de não amar existe? Ou cada pessoa "amaria" de um jeito seu, mesmo que não parecesse amor?
O que gostaria de ressaltar é que existe um conceito de amor por trás dessa frase, mas que não necessariamente será coletivo. Cada indivíduo possui seu próprio conceito e ama de acordo com o mesmo, existindo amores "bonitos e feios", saudáveis e doentes.
Por que é importante saber qual nosso conceito de amor? Porque temos uma tendência a repetir nos relacionamentos amorosos o mesmo conceito aprendido na nossa história de origem. E muitas vezes estamos presos em relações ruins, inconscientemente aceitando o padrão antigo, sem saber por que ficamos nem como sair. Somente a conscientização, o conhecimento de como e o que aprendemos sobre o  amar e ser amado, pode nos dar a chance de fazer novas escolhas.
conceito de amor, família, amar, ser amado, feridas infantis, cuidar de siNossa primeira escola amorosa é a família.  Nela aprendemos a maioria dos conceitos básicos gerais da vida, que levaremos conosco até nossa morte. Esse aprendizado, na maioria das vezes se dá pela vivência, não sendo necessariamente ensinado de forma consciente, e se torna normativo, pois a criança não tem crítica para questioná-lo ainda.  As famílias vivem suas próprias regras como sendo o que é normal, rejeitando ou punindo o que é fora dos seus padrões. Assim, aprendemos que para sermos amados precisamos corresponder as expectativas familiares, repetindo e respeitando suas próprias leis explícitas ou ocultas.
Tudo o que aprendemos sobre o amor tem a ver com o que enxergamos, vivenciamos e sentimos nas relações familiares através de nossos pais com sua origem e como casal, de nossa relação com cada um dos pais, e nossas relações fraternas. Como adultos imaturos, os pais têm atitudes que deixam mágoas, ressentimentos, traumas, decepções e necessidades não satisfeitas na vida dos filhos, que são difíceis de serem questionadas, especialmente em famílias onde a parentalidade é considerada sagrada por si só. Também é difícil questionar a paternagem ou maternagem dos pais quando eles sempre estiveram presentes fisicamente, mas não emocionalmente. Dessa maneira, os indivíduos acabam não elaborando as feridas infantis e carregando-as pesadamente na vida adulta.

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Enfrentar, encarar e admitir todos os sentimentos escondidos do passado é parte importantíssima da possibilidade de mudança. Tire um pequeno tempinho e avalie, colocando num papel, quais foram as principais emoções que você viveu em suas relações de origem. E quais dessas emoções você está vivendo novamente no seu relacionamento amoroso atual ou em relacionamentos que teve no passado.
Podemos estar repetindo emoções de raiva, abandono, infantilização, ciúmes,  traição, possessividade, violência, agressividade, competição, distanciamento, abuso, etc. Uma vez ouvi um caso que uma senhora foi denunciar o marido na delegacia de mulheres porque “ele estava batendo em outra safada”, ou seja, o conceito de amor dela incluía a violência, mas não a traição. E infelizmente isso acontece na vida de muitas pessoas, que possuem uma ideia de amor ligada a sentimentos dolorosos muito mais do que a sentimentos afetivos e respeitosos.
conceito de amor, família, amar, ser amado, feridas infantis, cuidar de siE por que repetimos* as mesmas emoções do passado no presente, se conhecemos a dor dessas emoções? Porque projetamos nos relacionamentos amorosos a possibilidade de recriar a ferida infantil na tentativa de consertá-la, corrigi-la. Ou seja, escolhemos inconscientemente um parceiro que nos proporcionará a mesma emoção familiar original, pois a criança dentro de nós não aceita a derrota e tampouco consegue compreender, aceitar, perdoar e abandonar o passado. Assim, o adulto-infantil desenvolve uma compulsão por recriar as condições semelhantes do passado para vencer e controlar ao invés de ser controlado, acreditando que terá mais condições de mudar o sentimento do outro, conseguindo o amor tão sonhado.
Como você pode imaginar essa estratégia não dá certo e é de fato altamente destrutiva. A derrota é uma ilusão e a possibilidade de ser vitorioso agora também.  Primeiro porque o amor perdido da  origem se tornou uma fantasia mirabolante e nunca será resgatado de acordo com a  falta infantil que existe  no adulto. Segundo porque ainda é uma busca de suprir carências infantis, e não uma construção amorosa adulta, é a busca do pai e mãe externos e não uma transformação interna para ser pai e mãe de si mesmos, ficando ainda numa perspectiva infantil. Terceiro porque você entra numa relação querendo mudar o outro para atender suas expectativas e necessidades infantis e com certeza ele resistirá ao seu controle manipulativo, ou por teimosia ou por autopreservação, além do que o desejo de mudança tem que ser interno e não através da cobrança do parceiro. Entrar numa relação já desejando a mudança do outro é não relacionar-se com o outro e sim com suas próprias expectativas, negar a realidade tentando viver sua própria fantasia. Consequentemente, obstruímos nossa felicidade futura nesse ciclo vicioso inútil de reprodução e tentativa de controle do passado.
conceito de amor, família, amar, ser amado, feridas infantis, cuidar de siParar de recriar o passado é uma tarefa hercúlea. Além de manter sua consciência alerta para aprender a se perceber e interromper a recriação, é necessário cuidar de suas necessidades infantis e atuais, deixando de esperar que outro alguém o faça e perdoando as falhas parentais, demasiadamente humanas, de origem. É preciso avaliar constantemente suas ações e reações nos relacionamentos a luz dessa nova consciência, colocando-se limite ou se dando colo quando necessário.
O amor maduro acontecerá quando o indivíduo saiu da expectativa infantil de ser amado pelo outro e passou a buscar formas de amar a si mesmo, de cuidar de si. O amor por si está ligado a busca de coerência interna, aquela sintonia entre razão, pensamento e sentimento. Somente assim terá condições de entrar numa relação para oferecer amor ao invés de esperá-lo. E como diz a singela frase na oração de São Francisco: “É dando que se recebe”.

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH


* Conferir referência utilizada.
Figuras

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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

LISTA DO PARCEIRO E DA RELAÇÃO IDEAL

LISTA DO PARCEIRO E DA RELAÇÃO IDEAL


É uma coisa curiosa o que acontece na vida:
Se você se recusa a aceitar outra coisa que não o melhor,
Quase sempre consegue.
Somerset Maugham*
Nossas escolhas amorosas sempre têm como pano de fundo atrações inconscientes. Pergunte-se: você já conseguiu explicar como aconteceu aquela atração que virou uma paixão avassaladora? Não, pois tal tipo de atração refere-se a conexões mais profundas que tem a ver com nossos padrões de vínculo familiares. Somos atraídos pelo que é semelhante a nossa história. Aquela estória de que os opostos se atraem pode acontecer apenas em questões superficiais, mas no fundo existem semelhanças muito importantes entre os parceiros, as quais raramente temos alguma consciência.
Infelizmente, quando a paixão acaba os problemas começam a aparecer. Enxergamos o sapo(a) por trás do príncipe (princesa), ou seja, começamos a ver o parceiro real, humano, com defeitos além das qualidades. Possivelmente descobrimos que estamos repetindo exatamente aquilo que não queríamos de jeito nenhum das nossas histórias de vida.
Assim termina uma história de paixão. Saímos arrasados, isso quando saímos. Ou ficamos, insistentes, tentando mudar o outro, fazê-lo voltar ao seu título de realeza principal. Mas se saímos, provavelmente vamos repetir o mesmo erro da próxima vez, especialmente se não tentarmos colocar mais consciência nas nossas escolhas.
Esta é a intenção quando eu proponho para meus clientes fazerem a lista do parceiro e da relação ideal, mas é comum que haja forte resistência. Alguns acham autoajuda demais, outros têm medo de ao fazer a lista se fecharem demais e não acharem ninguém tão perfeito. No entanto, a grande maioria das pessoas tem uma significativa dificuldade de definir o próprio desejo.
Não defini-lo é uma ótima estratégia para não se responsabilizar pelo processo de escolha amorosa. Assim, se não sabemos o que queremos podemos aceitar o que vier ou manter a defesa em alta pra ninguém chegar perto. Não escolhemos, somos escolhidos, pelo inconsciente.
O primeiro e talvez maior ponto de importância de se fazer essas duas listas é a definição, pra si mesmo, do seu desejo relacional mais profundo para sua vida. As pessoas costumam saber o que não querem, o que já é parte do trabalho. Mas saber o que não quer é apenas um jeito de rejeitar o que não deseja; você ainda está na negativa e pode ficar preso na atração do que está negando. E você ainda está perdido.
E isto é diferente de saber o que se quer. Nessa última perspectiva você se coloca como pró-ativo na sua busca afetiva e não apenas reativo ao que aparece pra você. Na pró-atividade, você tem mais chance de escolha do que na reatividade, pois sabe o que busca e assim melhora seu potencial de atração.
Para ajudá-lo a definir seu desejo, comece a pensar e listar os seguintes aspectos, primeiramente no que se refere a escolha do parceiro ideal:
1.   Aspectos Físicos – características físicas e estado de saúde;
2.   Aspectos Psicológicos – características de personalidade e qualidades emocionais;
3.   Aspectos Valorativos e Crenças – valores que são essenciais que seu parceiro tenha;
4.   Aspectos Educativos/Intelectuais – grau de instrução e características intelectuais;
5.   Aspectos de Trabalho e Financeiros – como você espera que o parceiro lide com o trabalho e com o dinheiro;
6.   Aspectos de Prazer e Lazer – qual tipo de relação com esses itens você gostaria que o parceiro ideal tivesse, além de hobbies, interesses e paixões;
7.   Hábitos e forma de proceder no dia a dia;
8.   Crenças e práticas espirituais do parceiro ideal.

Já para a escolha da relação ideal, você precisará definir:
1.   O que você considera um ótimo relacionamento?
2.   Qual tipo de disponibilidade de tempo e espaço você deseja dar e receber numa relação?
3.   Como que você gostaria de tratar o parceiro e ser tratado por ele?
4.   Como cada um faria o outro se sentir?
5.   Como você gostaria de viver o lazer junto com o parceiro?
6.   Qual o tipo de relação de gênero (simplificando, definições de papéis masculinos e femininos) você gostaria de ter na relação?
7.   O que você deseja para o futuro em termos de moradia, casamento e filhos?
Quanto melhor você conseguir descrever o parceiro e a relação ideais, melhores serão suas chances de atrair o que deseja para se relacionar. Geralmente atraímos para nossas vidas o que pensamos, por isso é tão importante termos clareza sobre qual tipo de relacionamento estamos buscando. Uma visão clara é extremamente poderosa.
O segundo ponto de importância é definir o que é flexível na sua lista e o que é indispensável. Por exemplo, a aparência física do parceiro pode ser um item mais flexível, e já os valores não deveriam ser negociáveis. Outro exemplo é se você deseja muito ter filhos, e o pretendente não, ele não será seu parceiro ideal. Entenda que o outro tem direito de fazer suas próprias escolhas e você deve evitar entrar numa relação já desejando ou esperando que o outro mude. Ao categorizar dessa forma sua lista, você não fica preso na busca da pessoa perfeita, impossível de ser encontrada.
E por último e não menos importante, vem a árdua tarefa de colocar limite em si mesmo. E para isso é preciso aprender a lidar com as próprias carências e a cuidar delas e das suas necessidades essenciais (explorarei mais este assunto num texto posterior), porque senão, acabamos aceitando o que não queremos para não ficarmos sozinhos, sempre na expectativa de que o outro se responsabilize pela nossa felicidade.
Geralmente penso neste trabalho para pessoas solteiras, mas se você já está numa relação, também pode fazer sua lista para verificar o grau de compatibilidade entre você e seu parceiro, para te ajudar a enxergar se o parceiro real é a pessoa que você deseja, e avaliar se as diferenças entre vocês são em campos flexíveis ou em campos indispensáveis. Se for neste último, provavelmente você está sofrendo e esta não é sua relação ideal. Já a lista da relação ideal pode ajudar o casal a definir os pontos que precisam trabalhar em função de alcançarem uma relação mais satisfatória.
Ressalto a frase de Somerset Maugham no início do texto, mostrando que quando estabelecemos nossos limites e não aceitamos o que não queremos, então a vida passará a nos oferecer o que realmente desejamos.




Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte

Instagran: @solteirosecasais

* referência encontrada no livro “O Ritmo da Vida” de Matthew Kelly. Várias ideias deste texto são do mesmo autor, também em seu outro livro “Os Sete Níveis da Intimidade”.

KELLY, Matthew. O ritmo da vida: vivendo cada dia com energia, propósito e paixão. Trad. de Pedro Jorgensen Júnior. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.
KELLY, Matthew. Os sete níveis da intimidade: a arte de amar e a alegria de ser amado. Trad. de Fernanda Abreu. Rio de Janeiro: Sextante, 2007.

Referência da Figura:
1. foto extraída do site: http://www.rgbstock.com/photo/o19811M/pen

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