CRISE- OPORTUNIDADE DE CRESCIMENTO NA VIDA E NOS RELACIONAMENTOS
Passamos hoje por uma crise político-econômica nacional (sem falar das crises em outros países), que vem impactando diversos setores no mercado de trabalho e também a todos nós brasileiros, de forma mais ou menos direta. A forma como a mídia trata a crise tem a tendência de gerar medo e desespero por um lado em busca de favorecer e direcionar a população para uma escolha política de seus partidários, e a forma como o governo se posiciona tende a ser negando e ocultando a realidade.
Por
que nos desesperamos diante das crises? Por que nos deixamos perturbar por toda
problemática que envolve os períodos mais críticos? Perdemos nossa fé e
esperança quando passamos por essas fases?
Acredito
que a principal resposta é que não consideramos as crises como períodos
naturais da vida humana e da vida em sociedade. Ainda temos uma visão linear da
vida onde acreditamos que tudo deveria transcorrer equilibradamente sem nenhuma
intercorrência negativa, mas isso não é real.
Individualmente
passamos por diversas crises do crescimento normal como a passagem da infância
para a adolescência, desta para a idade adulta e desta para a velhice. Todas
essas passagens nos geram angústias, ansiedades, questionamentos, dúvidas,
redefinições e crescimento. Os relacionamentos, todos eles, também passam por
crises levando a uma mudança, seja na qualidade ou no rompimento.
Uma
das definições contidas no livro de Leonardo Boff - “Crise – Oportunidade deCrescimento” (p.25) – aborda a crise como sendo uma descontinuidade, uma
perturbação da normalidade da vida provocada pelo esgotamento das
possibilidades de crescimento de um arranjo existencial.
Ou
seja, a vida é dinâmica, mas tendemos a querer uma certa mesmice que nos dá
segurança. Quando ficamos rígidos nessa mesmice e não evoluímos, a vida nos dá
uma rasteira, gerando uma crise para que saiamos dessas estruturas
cristalizadas.
Se
formos comprometidos com nosso processo de crescimento e desejosos de mudanças
contínuas nas nossas vidas, as crises terão menos impacto negativo e servirão
de impulso para as transformações. Do contrário, quanto mais rígidos formos e
mais quisermos estabilidade, mais sofreremos nessas fases, pois ou estaremos
nos vitimizando ou fazendo um movimento contrário ao da mudança, e dispendendo um
grande esforço para “voltar tudo ao normal, como era antes”.
Então,
podemos considerar a crise brasileira como algo necessário dentro de um sistema
rígido que já esgotou seus recursos evolutivos e não funciona mais. É
fundamental que mudanças sejam realizadas para que o sistema
político-econômico-social-cultural evolua. O problema (um deles na verdade), do
meu humilde ponto de vista, é que nossas lideranças, e a própria coletividade,
são mais conservadoras do que evolucionistas, procurando mais o retorno ao
equilíbrio do que a ousadia da transformação. Isso sem falar no problema do
poder, concentrado em poucas mãos que não têm interesse nenhum em mudanças que
lhes afetem, preferindo o medo e a ignorância da grande maioria.
Pensando
também pelo lado pessoal e relacional, devemos admitir o quanto somos
conservadores. Como nos agarramos as velhas estruturas que antigamente davam
certo! Acredito que somos seres extremamente inseguros internamente e que
projetamos o tempo todo, essa busca de segurança externa. Não acreditamos nos
nossos potenciais para a criatividade, inovação e revolução e isso é muito
triste.
Leonardo Boff
ainda define a crise como momento crítico, obscuridade, incerteza, demolição,
limpeza, purificação, ruptura, descontinuidade, vitalidade criadora e decisão
radical de mudança. É preciso demolir o velho para construir o novo, e essa é a
parte dolorosa da crise. E por outro lado, o autor afirma que é necessária uma
decisão pessoal de mudança, sem a qual a crise não pode ser superada. Sem tal
decisão, a nossa ambiguidade apenas prolongará ou protelará o processo crítico,
que voltará brevemente com mais virulência e força para destruir as velhas
cristalizações.
Dessa
forma, por mais que tentemos tapear, maquiar, adiar ou manipular, a crise é
inevitável. Ou nos rendemos a ela e nos deixamos levar pelas suas águas
turbulentas ou seremos assolados pela nossa própria viseira de negação.
Se
a crise brasileira nos afeta diretamente, podemos nos vitimizar acusando o
governo de ser ruim e malévolo e nos paralisar aí, ou podemos refletir sobre
quais aspectos políticos-sociais-pessoais estão rigidificados e precisando de
transformações urgentes, tomando algumas atitudes novas a partir da nossa
tomada de consciência.
Se
nossos relacionamentos estão em crise, podemos colocar a culpa no parceiro e
esperar que ele se conserte ou que a relação acabe, ou podemos avaliar quais
comportamentos e crenças nossos estão arraigados e rígidos e que não funcionam
mais para a atual realidade da vida a dois.
Se
estamos numa crise pessoal-individual, precisamos reavaliar nossos valores,
nossos sonhos deixados para trás, nossos débitos em relação as nossas faltas de
coerência interna, e buscar novos pensamentos, novos sonhos, novos sentimentos
e novas atitudes perante a vida.
Estimado
leitor, compartilhe conosco no espaço para comentários abaixo, suas ideias
sobre as crises na sua vida e nos seus relacionamentos!
🙋🏻♀️Eu sou Adriana Freitas
Psicóloga e Terapeuta Sistêmica com mais de 20 anos de experiência, e estou à disposição para te ajudar.
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