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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

OS DISPOSTOS SE ATRAEM

OS DISPOSTOS SE ATRAEM



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Você já parou pra pensar o quanto está disposto a investir num relacionamento?

Geralmente entramos numa relação amorosa com a fantasia de que tudo vai fluir magicamente e dar certo espontaneamente sem que façamos nenhum reforço.

Infelizmente não funciona assim. 
Relacionar dá trabalho! É preciso ter disposição, paciência, persistência e perseverança.

A paixão é um momento quase perfeito. Tudo funciona bem. Eu dou o melhor de mim e o outro dá o melhor de si. 
Passada a paixão vem a realidade e nossos defeitos aparecem assim como nossas carências ocultas. Enxergar a realidade nem sempre é facil. A pessoa da paixão e a pessoa real parecem ser completamente diferentes e opostas.

Esse é o momento que os casais mais se separam. Não toleram a frustração, ficam com raiva, se sentem traídos e não sabem lidar com as diferenças. Perdem a chance de evoluir juntos.

Muitas vezes entram no módulo bélico de se relacionar, disputam poder, culpam e tentam mudar o outro a qualquer custo, chegando até a tentar matar o outro, real ou simbolicamente. Isso não é amor, está longe de ser... Já dizia o coach relacional Arly Cravo que "quando o poder entra pela porta, o amor sai pela janela" (ou algo do tipo rsrs)

O namoro é o grande aprendizado de Modular a Alma um do outro, com amor e afeto. 
A arte de negociar é muito importante nesse período para que as necessidades de ambos sejam nutridas.

Uma boa dose de individuação ajuda cada parceiro a saber cuidar de si para não projetar velhas carências na relação. Eu cuido de mim, você cuida de si e nós cuidamos um do outro e da relação.

Precisamos estar adultos e não mais crianças carentes. Precisamos dar amor maduro e não só esperar sermos amados de forma infantil.

Se você deseja uma relação amorosa digna, uma verdadeira parceria que valha a pena, procure alguém realmente disposto, a crescer e evoluir com você! 



Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
e Terapeuta de Casais
em Belo Horizonte
fb.me/adrianafreitas.blog.youtube 
Instagram: @adrianafreitas.blog.youtube




Referência da Figura
1. Foto tirada numa lojinha do CCBB em Belo Horizonte


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segunda-feira, 4 de abril de 2016

DISCURSO DE CASAMENTO

DISCURSO DE CASAMENTO

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Esta é uma mensagem que escrevi para o casamento da minha prima, por quem tenho muito amor e carinho. Com meus mais sinceros desejos de crescimento conjugal para ela e pro marido.

Enfim casados! Como é difícil casar! E eu não falo de casar no papel ou entrar na igreja, isso é fácil.

Eu falo do casamento, não como algo pronto que é só entrar, mas sim como uma construção que leva anos pra acontecer. Há pessoas que vivem como pares a vida inteira, mas não se casam nunca.

Casar, verdadeiramente, nos demanda um dos maiores desafios da vida: separarmos da família de origem para ir plenamente ao encontro com o cônjuge. É fato que muita gente não vai plenamente, mas vai despedaçada, cordão umbilical rompido, choro de criança que foi arrancada do útero familiar aconchegante ou aprisionador. Só com o tempo consegue juntar os caquinhos para construir-se novamente numa nova instituição.

Não há crescimento sem separação. É preciso desapegar-se do velho para deixar entrar o novo em nossas vidas.

Casamento é um desafio diário e precisa de dedicação contínua. Haja disposição!

O princípio básico do casamento é o amor. Ele é a peça chave que interconecta todo o restante. Sem ele nenhuma união que se preze sobrevive de forma digna. Esse princípio vocês já possuem, e devem cuidar dele como se estivessem cuidando de uma planta muito rara e delicada.

Um segundo princípio básico, mas não menos importante é a comunicação. E comunicar-se não significa apenas contar como foi seu dia, o que fez ou deixou de fazer.

Comunicar é a verdadeira arte de falar dos sentimentos mais profundos, os bons e os ruins, os fáceis e os difíceis. Isso requer que saibamos decifrar nossos próprios sentimentos primeiro, que trabalhemos o autoconhecimento.

Comunicar é também a arte de ouvir. Não adianta nada falar sem ouvir. Já dizia meu querido autor Rubem Alves, que existem muitos cursos de oratória, e que ele queria mesmo era dar um curso de escutatória, mas tinha medo de ninguém se matricular. Ouvir é mais difícil do que falar. Para ouvir é preciso ficar em silêncio com os próprios pensamentos, defesas e julgamentos. É despir-se de si mesmo para buscar compreender o outro.

Um terceiro princípio importante no casamento é o investimento no crescimento da relação. Investimos 4-5 anos numa formação acadêmica profissional; investimos grande parte do nosso dinheiro e tempo de trabalho para comprar carros e imóveis; investimos tempo e energia em academias e esportes; investimos tempo no lazer com amigos. Mas nos relacionamentos, é muito comum as pessoas acharem que não precisam se esforçar, pois magicamente ou dá certo ou dá errado.

Não se enganem, não existe mágica nas relações que deram certo; existe sim muito trabalho e dedicação. Ela é como um bebê recém-nascido, completamente dependente do adulto, que demanda cuidados constantes. Mas este investimento não é material, e sim emocional. Ambos precisam desenvolver a busca de compreensão de si mesmo e do companheiro. Precisam ter paciência e benevolência com as dificuldades emocionais de cada um. E disposição para buscar aprender, na experiência, no exemplo ou na literatura, recursos para ajudar nessa jornada.

Eu acredito no potencial de vocês para construírem o seu casamento, dando o melhor de cada um. Eu desejo que vocês utilizem todos os recursos que possuem para se dedicarem a essa construção, principalmente nessa primeira fase tão importante dos alicerces, pois o restante virá como consequência. Não economizem nenhum vintém; doem a si mesmos com suas mais valiosas moedas!

Parabéns! Felicidades!
Com amor,
Adriana Freitas
Abril 2016

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte
Instagran: @solteirosecasais


Referência da Figura
 - foto capturada do vídeo feito amadoramente no dia do casamento.


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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

CASADOS PARA SEMPRE ... COM A FAMÍLIA DE ORIGEM

CASADOS PARA SEMPRE ...

COM A FAMÍLIA DE ORIGEM

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Imagem de uma das cenas do filme "A História de Nós Dois"

Não irei falar hoje de casamentos conjugais, mas sim do importante vínculo familiar original de nossas vidas que, se não resolvido, impede uma união saudável entre parceiros.
É na família que vivemos nossos primeiros vínculos de amor com as figuras parentais ou seus representativos. Há amores saudáveis e doentios, sendo estes últimos os que mais aprisionam os indivíduos em casamentos emocionais com a família de origem.
Destaco aqui dois afetos doentios aprisionantes:  1) superproteção dependente e 2) falta de afeto.
No primeiro, os pais parecem cuidadosos até excessivos, mas no fundo são dependentes do carinho e atenção dos filhos, demandando-os excessivamente ou deixando os filhos culpados quando eles se afastam para realização de cuidados com a própria vida. Estes tipos de pais são os mais difíceis de questionar, uma vez que parecem que amam muito seus filhos, mas infelizmente eles são pessoas presas nas próprias carências e exigindo amor dos filhos. Dessa forma, a culpa do abandono, consciente ou inconsciente, é o sentimento que predomina para efetuar o aprisionamento.
No segundo afeto doentio, é a falta de amor e o desejo de conquistá-lo que irão aprisionar os indivíduos. Pais distantes e também abusivos (todos os tipos de  violência) não conseguirão suprir as necessidades de amor dos filhos e os deixarão carentes e até mesmo traumatizados. Estes filhos reagem na busca de perfeição para não contrariarem ou para serem vistos, na negação do afeto através de uma falsa não necessidade e de uma não entrega para o outro, ou na reprodução da violência que sofreram, perpetuando assim o distanciamento do outro e sua fome de amor.
Pais saudáveis deixam seus filhos livres para ir e voltar. Pais doentes não liberam seus filhos  para viver a própria vida tampouco para casarem. Filhos doentes ficam presos na não liberação dos pais. Assim, o casamento de filhos doentes  até acontece em termos de rituais, mas não acontece em termos emocionais, uma vez que os indivíduos estão casados com a família de origem, seja na culpa, no falso afeto, na rejeição, no rompimento ou na busca de amor. 
A imagem no início se refere a uma das cenas do filme “A História de Nós Dois”, dirigido por Rob Reiner e estrelado por Michelle Pfeiffer e Bruce Willis. Nela temos uma representação caricatural de como os pais “habitam” a cama dos cônjuges. No filme o casal está vivendo uma crise conjugal e trás a tona todos os padrões familiares repetitivos que estão afetando e prejudicando a relação, mostrando como cada um deles está casado com a família de origem. 
Como este casamento familiar se dá na realidade do dia a dia? Há aqueles casos explícitos onde o  filho vai todos os dias na casa dos pais, almoça junto, liga todos os dias, ou resolve todos os problemas da família de origem, no entanto, deixa muito a desejar na própria casa. Costumam dizer "lá em casa" se referindo a casa dos pais. Há também os casos mais implícitos onde os indivíduos repetem os mesmos papéis que exerciam nas famílias, ou as mesmas dinâmicas de relacionamentos dos pais e dos familiares. Ou  também  repetem as mesmas reações emocionais que vivenciavam com a família.
Para se casar emocionalmente  com o cônjuge é necessário primeiro se separar da família de origem. Uma tarefa bastante difícil, pois requer assumir uma série de responsabilidades na transformação para o ser adulto:
o   desidealizar os pais, enxergando-os como humanos e falhos
o   aceitar os pais reais que temos, mesmo não concordando com eles, sem querer transformá-los nos nossos desejos
o   abrir mão ou transformar os papéis que ocupávamos e exercíamos na família de origem
o   não transferir para o parceiro a busca de amor que foi falha nos pais
o   assumir todas as responsabilidades pelas próprias necessidades, sejam elas físicas, emocionais, intelectuais e espirituais
o   enfim, tornar-se pai e mãe de si mesmos.

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Os indivíduos vivem essa dinâmica de casamento emocional com a família de origem de  forma inconsciente e no casamento com o cônjuge não existe uma pessoa mais madura do que a outra. Ninguém casa com alguém por acaso. Escolhemos parceiros semelhantes, com o mesmo nível de separação emocional, ainda que na superficialidade pareça o oposto.
Para a maioria dos casais que chegam ao meu consultório buscando terapia de casal, eu costumo deixar a pergunta: vocês realmente querem casar e pagar o preço da separação emocional familiar? Quando há o desejo, o terapeuta pode contribuir, mas se não há, nosso trabalho fica limitado.
E você leitor, já realizou essa separação emocional da sua família de origem? Deixe no espaço para comentários abaixo suas impressões e  sentimentos sobre o texto.
 Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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Referências das Figuras
– Imagem retiradas do google imagens


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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

COMER, REZAR, AMAR – ENCONTRANDO A SI MESMO PARA ENCONTRAR O AMOR

COMER, REZAR, AMAR

ENCONTRANDO A SI MESMO PARA ENCONTRAR O AMOR

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No final do ano passado li o livro “Comer, rezar, amar” da Elizabeth Gilbert e me identifiquei muito com a busca pessoal da autora. Já havia assistido ao filme, mas como sempre o livro tem uma riqueza de detalhes muito maior.
A leitura do livro influenciou muito na minha decisão de investir no blog e também no meu desejo sincero de praticar meditação, o que hoje faço com consciência e dedicação.
A autora relata uma parte de sua história em busca de encontrar, resgatar ou descobrir seu verdadeiro Eu. Após o fim do seu casamento e de um divórcio extremamente desgastante e destruidor, seguida por sua paixão pelo ator David, que rapidamente cai em decadência, ela percebe que precisa de uma grande transformação na sua vida, decide se dar um ano sabático e fazer uma viagem por três países, Itália, Índia e Indonésia. Em cada país ela enfocou uma busca específica: na Itália o prazer, na Índia a devoção e na Indonésia o equilíbrio. Cada país é uma parte do livro e todas três possuem histórias emocionantes e de profundo crescimento pessoal.
Gostaria de destacar o quanto as duas primeiras relações citadas no livro, com o marido e com David, foram de muita dependência, onde Liz (apelido de Elizabeth) acabava se amalgamando no projeto do parceiro, de forma a não se posicionar quanto aos seus desejos e vontades além de assumir os do outro. Como ela não conseguiu viver o luto do divórcio sozinha e caiu logo em seguida no relacionamento com David, repetiu os mesmos padrões de anulação de si mesma. Dessa maneira, a conclusão foi uma crise pessoal ainda mais intensa, onde, ou a autora fazia alguma coisa por si mesma ou ficaria mais doente, presa na depressão e morta internamente.

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Essa dinâmica de relações dependentes é muito comum nos casais na vida cotidiana e se levada ao extremo, pode gerar a morte emocional de um parceiro em decorrência da necessidade de “vida” do outro. Isso acontece quando só a vontade de um prevalece e o outro sempre abre mão do seu desejo para preservar a relação, havendo um prejuízo para a personalidade. O exigente na verdade é inseguro e para tampar seus sentimentos projeta no outro seu controle e manipulação, os quais o parceiro cede por causa do seu medo de ser abandonado. Ambos os lados são doentes.
Os fatores que influenciam para a construção de relações dependentes são a cultura da sociedade, das religiões e da família, que através de suas definições sobre as relações de gênero, estipulam os papéis adequados e inadequados para homens e mulheres, limitando assim as vivências dos casais.
Se o indivíduo tem uma carência de origem familiar, onde não recebeu o afeto que precisava e merecia ou desejava, poderá projetar toda sua demanda na relação amorosa, ficando assim dependente do afeto do outro e submetendo-se em função do medo da perda. Essa dinâmica ao longo da vida pode ser extremamente adoecedora e se gerar uma crise, como aconteceu com Liz, será uma grande chance de transformação na vida.
As crises, por mais dolorosas que sejam, são momentos muito especiais em nossas vidas que nos trazem um aprendizado importante. Servem para descongelar e destruir núcleos ou partes de nossas vidas que estão profundamente enrijecidos e resistentes possibilitando mudanças estruturais. Muitas pessoas aproveitam as crises, fazem uma revisão de suas histórias, traçam novas propostas de mudança e crescem a partir disso. Outras pessoas simplesmente ficam inconscientes, continuam adoecendo ou adiando novas crises, sem realizar nenhuma transformação importante. Cabe a cada indivíduo decidir o que deseja fazer.
Elizabeth Gilbert transformou sua crise numa busca pessoal, emocional e espiritual que operou mudanças profundas em sua vida. Em sua jornada lidou com suas piores partes e descobriu as melhores partes de si mesma.
Resumidamente e muito superficialmente, na Itália aprendeu a viver o prazer da gastronomia, da amizade e do estar sozinha. Na Índia aprendeu a enfrentar seus demônios internos que apareceram nas práticas meditativas até encontrar o perdão e a paz dentro de si. Na Indonésia sua busca por equilíbrio envolvia a meditação, o servir ao outro, as amizades e as viagens. Foi ao final dessa jornada que ela encontrou o amor.
Vejam bem, grande parte da jornada do encontro consigo mesma, Liz  Gilbert precisou fazer sozinha: livrar-se da sua dependência das relações amorosas, descobrir o prazer de viver, perdoar-se e estar em paz com suas escolhas. Se não passarmos por essa jornada primeiro, certamente entraremos nas relações buscando nossa metade da laranja e jamais a encontraremos pois essa metade vazia em nós só pode ser preenchida com nosso crescimento pessoal.

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Buscar nossa metade no outro é um dos grandes problemas das relações amorosas. Para Liz, encontrar a si mesma fez toda a diferença para que estivesse madura para encontrar o amor. Enquanto o amor não vem, vale a pena investir em si mesmo. E se o amor já chegou, também é possível reservar e preservar aquele cantinho no mundo interno para continuar com suas buscas pessoais.

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Elizabeth Gilbert e José Lauro Nunes (Felipe)

E você? Tem investido nessa busca de encontrar a si mesmo? Compartilhe os conosco seus pensamentos, opiniões e questões sobre este post e sobre o tema no espaço para comentários abaixo!

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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Referências das Figuras
1 e 4  http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI175701-17642,00-ELIZABETH+GILBERT+AUTORA+DE+COMER+REZAR+AMAR+FALA+SOBRE+AMOR+E+CASAMENTO+EM.html
2 - Imagens retiradas do google imagens
3 -  http://www.viagenscinematograficas.com.br/2014/01/viagem-inspirada-no-filme-comer-rezar-amar.html

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sábado, 2 de agosto de 2014

A RAIVA NOS RELACIONAMENTOS - HOSTILIDADE CONJUGAL

A RAIVA NOS RELACIONAMENTOS

HOSTILIDADE CONJUGAL

raiva, relacionamentos, hostilidade conjugal, comunicação relacionamentos, frustração, narcicismo, inconsciente, agressividade

Ontem dei uma aula sobre Hostilidade Conjugal, para um grupo de colegas onde faço supervisão. O texto deste post é um resumo dessa aula.
Nossos relacionamentos nos despertam múltiplos sentimentos e emoções, bons e ruins, saudáveis e doentios. Por isso, uma diversidade de conflitos surgirá ao longo das relações, podendo gerar crescimentos, negociações ou destruições da autoestima dos indivíduos e de seus vínculos.
A dificuldade de lidar com os sentimentos no geral e mais especificamente com os sentimentos hostis faz com que levantemos a muralha de nossas defesas e bloqueemos os canais de comunicação. No entanto, os pensamentos e sentimentos encontrarão outras formas de expressão, que podem ser muito disfuncionais e até destrutivas para os indivíduos e as relações.
Não fomos ensinados a comunicar nossos sentimentos de forma assertiva. Como a raiva é conotada negativamente em nossa cultura e em nossas famílias, fica mais comprometida a sua expressão consciente. Dessa forma, processos de negação poderão muitas vezes camuflá-la atrás de outros sentimentos ou transformá-la em outros comportamentos.
A raiva encontrará outras formas de expressão implícitas e indiretas como o distanciamento, a indiferença, o boicote aos interesses individuais, a vitimização, até mesmo a autopunição e autodestruição.
O casamento se torna insatisfatório e hostil porque é baseado em projeções. Projetamos nos parceiros os desejos insatisfeitos das nossas primeiras relações de amor, ou seja, esperamos que as relações de casal venham suprir nossas carências mais básicas, aquele amor completo que nossos pais não puderam nos oferecer por causa de suas limitações humanas.
E assim, quando o casamento adquire uma função de salva-dor, já está fadado ao fracasso, pois está obrigado a resolver as carências, faltas e vazios infantis. Como nenhum parceiro consegue o tempo todo salvar a dor do outro, o casamento fica frustrante pois deixou de cumprir sua obrigação, e essa frustração é o propulsor da raiva.
Somos narcisistas. Só enxergamos a nós mesmos na relação. Não entramos nas relações pelo outro, mas sim pelo que o outro pode nos oferecer. O narcisismo designa o estado em que a libido é dirigida ao próprio ego, um amor excessivo a si mesmo. Em consequência disso, os três desejos secretos do amor têm a ver com: 1) a busca de fusão com o parceiro por causa do medo da solidão; 2) o desejo de aprovação do outro e de sua confirmação constante; 3) o desejo de estímulo que irá preencher o vazio das primeiras relações.

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Então, esses desejos envolvem uma preocupação básica consigo mesmo e com as próprias satisfações, sendo nutridos pela necessidade de receber em vez de dar amor. Nenhum tem alguma coisa a ver com dar amor para a outra pessoa. Só damos com a intenção de receber.
É triste nos deparar com nosso próprio egoísmo.
A vulnerabilidade narcisística está na essência de todos ou da maioria dos conflitos conjugais e o grau de vulnerabilidade de cada parceiro é muito semelhante, ainda que as manifestações superficiais possam ser incrivelmente diferentes.
E o problema se agrava pois além de esperar que o outro supra nossas necessidades e carências infantis, temos uma regra infeliz no contrato inconsciente do casamento que fala o seguinte:
“Eu tentarei ser algumas das coisas mais importantes que você quer de mim, ainda que algumas delas sejam impossíveis, contraditórias e loucas, desde que você seja para mim algumas das coisas impossíveis, contraditórias e loucas que eu quero que você seja. Não precisamos contar um ao outro o que essas coisas são, mas ficaremos zangados, aborrecidos ou deprimidos se não formos fiéis a isso” Pincus e Dare (conferir referência completa).
Ou seja, o contrato inconsciente reforça uma dificuldade comunicacional dos relacionamentos pois o outro tem que adivinhar o que eu desejo e preciso e se não o fizer isso será considerado desamor. Uma comunicação ruim aumenta significativamente a raiva e a hostilidade conjugal. As brigas ficam destrutivas e não chegam a lugar nenhum.
Os casais precisam aprender a utilizar sua energia agressiva para resolverem as suas frustrações relacionais e não para destruir o outro. E também para melhorarem sua comunicação e sua autoestima.
Numa comunicação construtiva há uma expressão clara de um problema particular, cada oponente escuta atentamente o outro, estabelece seu próprio posicionamento nitidamente, descobre o posicionamento do outro e desenvolve trocas de negociação. Há um movimento real em direção da resolução da dificuldade, o entendimento acentuado do outro e um compromisso negociado mutuamente.
No filme “Separados pelo Casamento” o casal entra numa comunicação completamente inadequada, num jogo sem fim, até que chegam a um “cessar fogo”, onde comunicam o que realmente precisava ser comunicado, mas infelizmente tarde demais, num momento em que a relação já havia sido destruída. Vejam a cena:



Além de buscarem a melhoria da comunicação, os parceiros também precisam aprender a cuidar de suas próprias carências e necessidades para não ficar esperando que o parceiro o faça. A responsabilização de cada indivíduo consigo mesmo é fundamental para a saúde das relações. Reconhecer e confirmar a si mesmos assim como buscar realizar seus desejos e projetos individuais, são questões importantes que favorecem a diminuição de expectativas nas relações conjugais e por consequência diminuem também a hostilidade conjugal.

Compartilhe os conosco seus pensamentos, opiniões e questões sobre este post e sobre o tema no espaço para comentários abaixo!
Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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Referências das Figuras
 http://minhavidaperfeita.com.br/terapia-de-casal-voce-tem-palavra/

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sexta-feira, 16 de maio de 2014

TRAIÇÃO (parte 1) - TIPOS DE INFIDELIDADE

TRAIÇÃO

TIPOS DE INFIDELIDADE

relacionamentos, traição, infidelidade, paixão, infiel, sedução, ilusão, objetivos em comum

A traição é um tema que possui múltiplas facetas, abordarei neste primeiro post apenas os três principais tipos de traição: acidental, romântica e crônica.
Inicialmente, é importante que saibamos por que as pessoas se relacionam, se casam e mantêm suas relações ao longo do tempo. Os motivos sempre são diversos, mas dizem de objetivos e crenças mais profundos que cada indivíduo possui, e eles podem ser conscientes ou inconscientes, construídos nas suas histórias de origem.
Em toda relação, os parceiros têm objetivos em comum que os mantém juntos, os quais podem ser: valores, afeto, poder, trabalho, intelectual, religião, status, dinheiro, segredos, doença, patrimônio, filhos, medo, segurança, sobrevivência, dependência, raiva, vingança, beleza, negação da realidade, mentiras, sentimento de rejeição, etc.
Então, mesmo que o relacionamento já não seja satisfatório em diversos aspectos, mas atenda aos objetivos em comum que o indivíduo preza conscientemente ou necessita num nível de sobrevivência inconsciente, o ser humano é capaz de permanecer numa parceria ruim, ad infinitum. No entanto, acabará criando estratégias de fuga provisória, de suporte, de alívio, e a infidelidade é uma dessas estratégias.
Culturalmente e historicamente a traição masculina acontece muito mais que a feminina, apesar de na contemporaneidade esse quadro já não ser tão desigual quanto no passado. Mulheres têm traído e com lógicas iguais as masculinas. Assim, falarei dos tipos de infidelidade de forma generalizada. Para tal utilizarei os conceitos do livro “Encontros, Desencontros e Reencontros”, de Maria Helena Matarazzo*.
Infidelidade Acidental
relacionamentos, traição, infidelidade, paixão, infiel, sedução, ilusão, objetivos em comum
A maioria das primeiras traições acontece sem premeditação. Uma situação, um contexto, uma vulnerabilidade podem dar uma abertura para um momento propício.
Podem acontecer com homens e mulheres, mas os mais propensos são os que bebem, os que viajam, os que não estão bem casados e os que têm muitos amigos que saem para lugares “de risco”.
Os principais motivadores podem ser curiosidade, carência afetiva, jogo de sedução, onde os indivíduos se deixam levar pelo momento. Também nesse tipo de infidelidade, as pessoas encontram experiências que não têm no relacionamento principal, e acabam seduzidas pela nova vivência prazerosa.
Após a traição pode haver o arrependimento e a culpa ou o contrário, um gosto pela nova emoção. E são esses sentimentos que farão com que haja ou não continuidade na traição. Os culpados perceberão a traição como uma situação de alto risco, um perigo e não como amor, e tentarão conter seus próximos impulsos. Os que gostaram, se deixarão levar mais vezes pelo momento, se colocando mais vulneráveis.
Há ainda os que descobriram que podem viver melhores emoções com outras pessoas, que seus relacionamentos são ruins e decidem separar e encarar as novas oportunidades. Para esses indivíduos a infidelidade serviu como uma possibilidade de crescimento e mudança na medida em que conseguiram revisar e reavaliar suas vidas e redefinir seus objetivos e desejos vitais e realinhar suas ações com mais coerência.

Infidelidade Romântica
relacionamentos, traição, infidelidade, paixão, infiel, sedução, ilusão, objetivos em comumNesse tipo de infidelidade, o infiel acaba se apaixonando pelo novo parceiro, mas o pano de fundo emocional é uma crise pessoal do indivíduo, do relacionamento ou da família. Nesse estado vulnerável, também não está pronto para se separar do primeiro relacionamento. Na traição, não significa que o novo parceiro seja uma pessoa maravilhosa para se relacionar, o grande amor da vida, mas ele entra ou com uma emoção balsâmica ou estimulante gerando sensações como o efeito de drogas, ajudando o indivíduo traidor a se distrair de sua crise.
O amante romântico não ama o parceiro, ele ama o amor, ou seja, ele é viciado na emoção da paixão, e acaba não vinculando, nem com o parceiro “principal” nem com o da infidelidade. Fica na relação principal pelos objetivos em comum e fica na relação extra apenas enquanto a chama da paixão estiver acesa.
Dentro do perfil romântico existem dois grupos: os suaves ou parciais e os intensos. Os primeiros estão em relacionamentos, têm a vaga sensação de que algo está faltando e usam dos casos românticos como remédio caseiro contra depressão. Os do segundo grupo mergulham de cabeça com toda intensidade em seus casos de amor transformando o casamento em uma prisão da qual querem escapar a qualquer custo.
Parceiros de infidelidade romântica são infantilizados, uma vez que fogem de seus sentimentos, não se preocupam em compreendê-los, reavaliar sua vida, relacionamentos e mudar. Procuram na infidelidade uma função salvadora e com a mesma intensidade que o romance começou também acaba, instantaneamente.
As mulheres são muito comuns nesse grupo, uma vez que são seduzidas pela ilusão romântica da paixão, especialmente quando se encontram em relacionamentos onde não há um mínimo de intimidade, sexo, prazer e companheirismo, mas ainda estão presas em algum dos objetivos em comum.
Infidelidade Crônica
relacionamentos, traição, infidelidade, paixão, infiel, sedução, ilusão, objetivos em comum
Este tipo de infidelidade é aquele que acontece constantemente, onde os indivíduos pulam de um caso para o outro em curto período de tempo. Geralmente os homens são mais comuns nesse grupo, apesar do crescimento no número de mulheres, e se tornam cronicamente e compulsivamente infiéis mais numa necessidade de confirmação da própria masculinidade, canalizada na atividade sexual. São muitas vezes escravos da cultura machista, na sociedade e na família. A obsessão pelo sexo se torna a razão de viver, e não há limites para o que fazem em busca desse prazer.
No geral não há sentimento de culpa até mesmo porque o foco está voltado para a compulsão, e toda compulsão esconde uma enorme carência afetiva, que nenhum relacionamento é capaz de aplacar. Por isso a necessidade de diversos parceiros sexuais.
O aumento de mulheres nesse grupo reflete a inversão de papéis na sociedade contemporânea, com mulheres cada vez mais racionais e de lógica masculina. Mas existe um perfil de mulheres que se iludem nessa vivência sexual, mas quando se apaixonam, descobrem oculta sua busca de amor através do sexo.
Este tipo de infidelidade é característico de homens muito sedutores, conquistadores, envolventes e encantadores, que aproveitam qualquer chance de caça. O outro "parceiro" é usado apenas como objeto, pois a necessidade sexual constante impede o compromisso e a intimidade. Finge que busca uma mulher melhor mas no fundo nunca irá divorciar porque tem um conceito tradicional de família - mulher mãe e amélia em casa e puta fora de casa - onde dissocia a mulher em santa versus puta. Tampouco quer ter que encarar todas as dificuldades do processo de separação. Considera-se homem de sorte, pois teve todas as mulheres que quis, nunca se envolveu com nenhuma, nunca precisou revê-las e é admirado por todos os homens. E só há um erro imperdoável, um pecado mortal; ser apanhado em flagrante.
Homens e mulheres caçadores estão em busca de reconhecimento. É comum terem um pai com mesmo perfil, idealizado, serem identificados com ele e repetirem seus padrões nessa busca de serem vistos.
Qual seu tipo de perfil traidor? E o tipo de perfil das traições que já sofreu?

De fato, a infidelidade de qualquer tipo pode ser altamente destruidora como também pode servir como possibilidade de mudança e crescimento, dos indivíduos e/ou das relações. Vai depender de como o indivíduo encara a infidelidade: se com vitimização ou se com responsabilização. Apenas na segunda postura há uma reavaliação de si mesmo na relação e na vida, onde o indivíduo assume os seus 50% de contribuição para a relação e toma atitudes ou de sair da relação ruim ou de ajudar a melhorá-la.

Veja a parte 2 do tema Traição!

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Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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Figuras
1 – http://artodyssey1.blogspot.pt/2013/06/octavio-sousa-e-silva.html
2, 3 e 4 - retiradas do google
5 – http://artodyssey1.blogspot.pt/2014/02/rigo-peralta.html


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