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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

HOMEM MACHO versus HOMEM SENSÍVEL - A SEPARAÇÃO DO MASCULINO

HOMEM MACHO versus HOMEM SENSÍVEL

A SEPARAÇÃO DO MASCULINO


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Mês passado escrevi um texto sobre a separação do feminino e neste post gostaria de tratar o mesmo tema da separação, mas com o foco no masculino, o qual se encontra tão cindido no homem quanto o feminino está cindido na mulher.
A história do Movimento Feminista mostra bastante a luta pela construção da igualdade de direitos entre homens e mulheres, ou seja pela equidade de gênero. Dessa forma, o movimento vem favorecendo uma série de conquistas que diminuíram as desigualdades, mas que ainda está longe de superar completamente o Patriarcado enraizado na estrutura da sociedade e internalizado nos indivíduos.
Por outro lado, não são muito populares nem muito conhecidos, os movimentos (conferir sites abaixo*) que atualmente visam repensar as masculinidades, alguns deles dentro do próprio Movimento Feminista, refletindo sobre o papel social do homem, a construção da masculinidade em seus diversos âmbitos inclusive na paternidade, os aprisionamentos culturais dos homens, as políticas de saúde e trabalho em relação aos homens, etc..
Apesar de esses movimentos terem desconstruído bastante a hegemonia do Patriarcalismo, este ainda tem uma força muito grande em nossa sociedade e no imaginário popular coletivo. A partir dele, foi sendo criada uma série de mitos sobre a “verdadeira masculinidade” e sobre como alcançá-la.
Algumas das características valorizadas para uma masculinidade desejável na nossa cultura são: a agressividade, a virilidade, o trabalho/dinheiro/posses, e o poder. Características consideradas femininas como a sensibilidade, o cuidado e o afeto foram – ou deveriam ser - rejeitadas e repudiadas pelos homens, pois se as possuísse, seria menos macho, maricas/bicha, ou mulherzinha.
Nessa construção Patriarcal, o feminino não tem valor, somente o masculino. É muito comum vermos nas mulheres um avanço em termos da busca de igualdade, especialmente no trabalho, mas que também negou o feminino e buscou funcionar de acordo com as características do masculino, uma vez que este sim era valorizado.
A inserção constante nessa crença cultural é suficientemente propícia para a separação do masculino. Pais e mães, consciente ou inconscientemente, desde as brincadeiras mais iniciais da infância, ensinam seus filhos as características desejadas para que o filho menino corresponda as expectativas culturais do macho. Na grande maioria das vezes esses pais impedem seus filhos de brincar com brinquedos ditos femininos e de cuidado. Assim, a cisão do masculino começa muito cedo.
Indo além da infância e do âmbito familiar, a escola, os colegas, a igreja e demais instituições, a partir de suas crenças, discursos e comportamentos profundamente machistas, reforçarão para o homem aquelas características masculinas padronizadas.
O homem, então, é condicionado, reforçado, atacado, controlado por estas forças durante toda sua vida. Na verdade, homens e mulheres “sofrem” essas influências, havendo mulheres tão machistas quanto os homens. Como resistir ao arsenal cultural? Como mudar internamente essas crenças e valorizar mais as construções igualitárias de gênero?
Acredito que um eixo fundamental dessa discussão passará pela autoestima. Um homem que precisa comprovar sua masculinidade, através da agressividade, da sexualidade e do poder, ainda está esperando a aprovação do seu grupo de iguais, de um outro externo julgador ou avaliador que irá aprová-lo ou desaprová-lo enquanto homem. Minimamente, a autoestima deste homem é vulnerável ao reconhecimento – ou não – dos outros. A construção de uma boa autoestima passa pela busca de coerência interna, ou seja, de viver conforme seus próprios valores e não pelos valores alheios. Este homem precisa se separar dessa necessidade de reconhecimento e validação no outro.
A partir de uma autoestima mais fortalecida, um homem que decida construir relações de gênero mais igualitárias, e uma masculinidade fora dos padrões Patriarcais, terá mais condições de colocar limites nas pessoas que tentarem minimizá-lo, criticá-lo ou ironizá-lo pela sua escolha, além de colocar limites em situações e discursos que perpetuem a desigualdade. Ter limites também é uma forma de se proteger contra os ataques machistas de outros homens e mulheres, e esses ataques podem estar dentro de sua família mais próxima. Construir limites claros é fundamental para uma mudança do masculino.
Outro ponto relevante é a compreensão de que as mulheres são verdadeiramente muito prejudicas pela lógica Patriarcal, mas que elas não são as únicas. Os homens são também profundamente comprometidos. Não poder sentir nem demonstrar sentimentos, não poder ser frágil nem mostrar suas fragilidades, ter obrigatoriamente que transar com uma mulher (em referência a heterossexualidade) mesmo que não a deseje, ter que mostrar seu poder mesmo que seja a força, não me parecem grandes vantagens para nenhum homem.
Enquanto o homem não perceber seu próprio prejuízo, dificilmente ele vai querer mudar, pois existem muitas pseudo vantagens em corresponder ao masculino culturalmente valorizado: uma maior liberdade sexual – que não significa uma vivência plena da sexualidade; ser temido e respeitado pelos outros – o que não significa ser amado; ter uma carga de trabalho menor que a da mulher – que hoje trabalha fora e cuida do lar ficando sobrecarregada e menos disponível pra relação assim como esse homem fica alheio às responsabilidades adultas de uma família e fica infantil também; etc..
Para um homem tornar-se integrado, para incorporar seu homem sensível, precisa parar de negar e repudiar, mas sim aceitar seu próprio feminino. A comprovação da masculinidade foi muito fortemente arraigada nessa negação, e é fundamental que essa ferida seja curada.
A negação do feminino está muito ligada também a negação da homossexualidade. Culturalmente foi sendo construída uma crença distorcida de que um homem com características femininas seria aquele com tendências homoeróticas. Esse é um grande fantasma do masculino e a negação do seu feminino vem para tentar evitar tornar-se homossexual, uma vez que a cultura machista é também profundamente homofóbica.
Em contrapartida, os homossexuais que se assumiram e se aceitaram, podem ter uma maior integração do masculino e feminino, pois como já estão fora do padrão Patriarcal de homem, acabam ficando mais livres das estruturas machistas internalizadas, apesar de também sofrerem preconceitos e terem que lutar por respeito a sua diferença.
Feminino e Masculino são dois elementos naturais e importantes para a psique humana, que foram construídos, desconstruídos e distorcidos pela cultura. Um homem que tem medo do seu próprio feminino, que ainda tem necessidade de comprovar sua masculinidade e que tem uma autoestima baixa, infelizmente não conseguirá resolver sua própria cisão.
Estimado leitor (homem), você se enxerga situado nessa separação ou já evoluiu para alguma integração? Onde está sua própria masculinidade? Você ainda sente necessidade de prová-la para o outro? Deixe seu comentário no espaço abaixo!


🙋🏻‍♀️Eu sou Adriana Freitas
Psicóloga e Terapeuta Sistêmica com mais de 20 anos de experiência, e estou à disposição para te ajudar.

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sábado, 18 de julho de 2015

DITADURAS CULTURAIS PARA HOMENS E MULHERES

DITADURAS CULTURAIS PARA HOMENS E MULHERES


Vivemos imersos numa família, que por sua vez está inserida numa sociedade que possui padrões culturais normativos. Tais padrões, ao mesmo tempo em que organizam a vida em conjunto, são profundamente limitadores das experiências humanas. E acontecem de forma subliminar, fazendo com que tenhamos (ou não tenhamos) certas necessidades e comportamentos de maneira inconsciente, ditados pela cultura, sem passar por um filtro de crítica e avaliação da nossa parte.
Ou seja, vamos vivendo as expectativas do contexto onde vivemos e nem sempre paramos para pensar o que realmente faz parte dos nossos desejos e das nossas necessidades mais profundos e verdadeiros.
Na maioria das vezes, seguir inconscientemente os ditames culturais nos faz pessoas infelizes e com um profundo sentimento de vazio existencial. Precisamos aprender a questionar os conceitos que fomos registrando desde a infância e buscar encontrar o que realmente nos alimenta o coração.
A cultura define papéis muito específicos para homens e mulheres. Apesar de estarmos numa era de transição nas relações de gênero, favorecidas pelas lutas feministas e LGBT, muito ainda somos influenciados pelo patriarcado e seus conceitos arbitrários.
A seguir, destaco alguns pontos das ditaduras específicas em cada referencial, masculino e feminino, baseados na minha observação e experiência clínica, sem me propor a esgotar o tema:

Ditadura para os Homens

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A cultura tem sido extremamente severa para os homens no que se refere a afirmação da masculinidade. O homem precisa provar o tempo todo que é homem, e as principais vias de se fazer isso são através do poder (que pode ser estabelecido com o dinheiro, o trabalho e a violência) e do sexo.
O que por um lado confere ao homem uma maior permissividade de viver e uma maior liberdade para experimentar os prazeres, por outro lado se torna uma grande prisão, pois nessa busca de afirmação lhe é negado o direito de sentir e de ser frágil.
No que concerne a sexualidade, o homem precisa transar a qualquer custo, mesmo que não sinta desejo pelo “objeto” (seja homem ou mulher). E caso negue por não haver desejo, sua masculinidade costuma ser questionada. Já ouvi muitas histórias de mulheres que acharam que os homens eram gays por não querer transar com elas, além de histórias onde os próprios amigos questionam e criticam uns aos outros quando isso acontece.
Já em relação ao poder, vemos uma busca compulsiva pelo dinheiro, muitas vezes através do trabalho, fazendo com que os homens fiquem bitolados nesse único contexto de vida. A exigência de ganhar dinheiro faz com que os homens busquem e se estabeleçam em trabalhos que não amam, com a desculpa de serem o melhor do mercado, e pelo contrário, acabam adoecendo.
E quando o poder lhes é questionado ou retirado, a violência pode ser a forma mais significativa de diminuir o outro para se impor como o mais forte. A violência doméstica de homens contra as mulheres é um clássico exemplo dessa imposição, assim como a violência das gangues de rua.
Dessa forma, apesar de conseguir uma precária afirmação da masculinidade por essas vias, a subjetividade do homem segue frágil e despedaçada, pois essa tentativa é superficial e não alimenta nem fortalece internamente o homem de recursos psíquicos e emocionais saudáveis. E assim o seu vazio existencial não diminui.
Ditadura para as Mulheres

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Já as mulheres são prisioneiras da cultura que nos preconiza o papel materno, o casamento e a beleza/eterna juventude.
É muito comum ouvir das mulheres que passaram dos 30 anos, falas de desespero existencial quando não são casadas e nem tem filhos. Desde cedo os valores do casamento e da maternidade são incutidos na cabeça das mulheres desde a perspectiva do patriarcado, como seu papel social por excelência. Não cumprir esse papel é como se fosse um desastre e desqualificasse seu sentido de vida.
Outro aprisionamento se dá pela via da beleza e eterna juventude. Nós mulheres somos o público (alvo) mais voraz dos cirurgiões plásticos. Fazemos cirurgia em tudo enquanto é parte do corpo, buscando nos adequar ao padrão de beleza vigente.
Além disso, somos nós as maiores clientes de dermatologistas (e todas as outras profissões) esteticistas, utilizando de suas mais diversas técnicas para retardar os sinais do envelhecimento, sim, os sinais, porque o envelhecimento acontece todos os dias, queiramos ou não.
Há ainda a ditadura das dietas. Com certeza você já deve ter ouvido falar de alguma dieta maluca e se não a fez, deve ter feito alguma outra. Estas criam uma alimentação inadequada, restrita e com perda do prazer de comer. 
E se a moda é fitness, a mulher se sacrifica em nome de ter um corpo escultural, produzido nas academias e clínicas estéticas de toda sorte.
Os padrões de beleza fazem de nós mulheres escravas bem obedientes e inconscientes. Eu não falo da busca de exercícios e alimentação saudáveis. Eu falo de mulheres que ficam bitoladas na busca de um corpo padronizado, ditado pela sociedade em que vive, acreditando que não será feliz se não conseguir essa façanha.
Tudo isso engana parcamente sua autoestima, pois seu vazio existencial não irá se alimentar apenas dessas estratégias de correção corporal externas.


Refletindo sobre essas ditaduras culturais, podemos perceber que nossas buscas de adequação ao contexto externo não nos traz alegria, bem estar nem tampouco a felicidade prometida. Precisamos ter um filtro mental para avaliar se essas exigências padronizadas se conectam ou não com as necessidades e desejos mais profundos do nosso SER. Se não conectarem, estaremos perdendo nosso tempo e energia investindo em tais padrões e precisamos urgentemente encontrar um novo caminho!

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte

Referência das Figuras
1 e 2 –imagens retiradas do google imagens

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segunda-feira, 6 de abril de 2015

HOMEM, O SEXO FRÁGIL?

HOMEM, 

O SEXO FRÁGIL?



Começo o texto de hoje usando o título de um dos livros do Flávio Gikovate, apesar de não ter intenção de falar do trabalho dele, mas sim de iniciar algumas discussões sobre a fragilidade da masculinidade nos dias de hoje, e sobre correspondentes atitudes dos homens na tentativa de afirmá-la.

A construção da masculinidade assim como da feminilidade é um processo familiar, social e cultural, que se transforma ao longo do tempo. Os papéis de homens e mulheres não são naturais e restritos a determinantes biológicos, mas vão se estabelecendo e se perpetuando de acordo com interesses da sociedade mais ampla.

Dessa forma, a masculinidade e a feminilidade não são as mesmas de um século atrás, nem de cinco ou dez séculos atrás. Hoje olhamos para a Revolução Feminista dos anos 1960-70 e percebemos que muitos dos direitos pleiteados pelo movimento já se estabeleceram e vêm se fortalecendo nas relações de gênero e nos papéis sociais que exercemos.

Segundo estudos do autor João Silvério Tevisan, em seu livro “Seis balas num buraco só– a crise do masculino”, o patriarcado que reafirmava as diferenças de gênero, enfatizando o poder masculino e a fragilidade do feminino, o fazia já numa perspectiva de um masculino fragilizado, em comparação constante com o feminino, e que precisou construir inúmeras estratégias de subjugação, que foram socialmente sendo legitimadas, para alcançar uma pseudo-segurança e para esconder o fantasma de uma inferioridade latente, sem falar do fantasma da homossexualidade.

Se nos tempos que o patriarcado era o padrão vigente e dominante das relações – apesar de hoje ainda ser muito forte – já havia raízes de uma fragilidade, imaginem como está esse masculino hoje após tantas conquistas e avanços das mulheres, dos homossexuais, seus papéis sociais e direitos humanos?

Juntamente com esses avanços, o poder feminino intra-familiar – espaço já destinado a mulher – que já era grande aumentou ainda mais, especialmente com a valorização dos casamentos por amor e a facilitação do divórcio. Muitas famílias acabaram se transformando em monoparentais (um pai/mãe apenas), sendo a mulher quem mais fica com os filhos após as separações. Nesses contextos, houve também um aumento significativo na ausência desses pais e uma perda significativa de suas funções na vida dos filhos.

Isto em termos de masculinidade representa uma certa tragédia, na medida em que os meninos são cada vez mais educados por mulheres (mães e professoras) e têm pouco, insuficiente ou insignificante contato educacional com homens, fazendo que a construção da masculinidade via modelo identificatório fique comprometida.

Na ausência de um modelo personalizado e consistente mais próximo, e até mesmo pela busca de modelos externos na adolescência, os meninos passam a se identificar com os estereótipos masculinos mais reconhecidos socialmente.

Trevisan enfatiza algumas das principais formas de afirmação da masculinidade, as quais ele chama de “inflação fálica”: as competições sem limites, o machismo, a violência desenfreada, o culto explícito a musculatura avantajada ou body building e a sedução Don Juanesca.

O problema é que esses modelos de masculinidade são superficiais e não têm consistência para oferecer algo realmente relevante para o fortalecimento dos homens. Eles se transformam apenas em tapa buracos emocionais e soluções transitórias que no íntimo não resolvem seus sentimentos de inferioridade, aparentando apenas uma força que não é real. Quem precisa se afirmar demais é no fundo um grande inseguro.

Por outro lado, como a ferida emocional é grande demais, e os homens não foram educados para lidar com seus sentimentos, e pelo contrário dentro dessa perspectiva machista e distorcida de afirmação de masculinidade os homens não têm permissão para sentir, eles acabam criando diversas estratégias de fugas para não entrar sequer em contato com sua dor. As compulsões por álcool, drogas, sexo e trabalho são apenas algumas destas estratégias.

É bastante desconcertante pensar que nós mulheres e principalmente as mães, contribuímos para reforçar o machismo e a fragilidade dos homens, quando educamos nossos filhos homens ainda contaminadas pela raiva que temos dos homens de nossas vidas, ou quando também pela raiva perpetuamos discursos machistas generalizando os preconceitos contra os homens, ou quando desacreditamos da possibilidade e encontrarmos parceiros verdadeiramente bons e com um masculino saudável, aceitando e cuidando de homens frágeis, tornando-os nossos filhos.

A crise do masculino está instalada. Crise é sinônimo transição e de possibilidade de mudança. Soluções fáceis não existem. Será necessário uma verdadeira Revolução Masculinista? Digo verdadeira porque já li uma crítica, escrita por Lola Aronovich em seu blog “Escreva Lola Escreva”, sobre um movimento chamado Masculinismo que na verdade não pleiteia nenhum crescimento na condição dos homens e seus direitos, mas apenas se ressente e se coloca na posição de vítima do Movimento Feminista, reforçando assim valores machistas e retrógrados.

Precisamos começar essa revolução transformando primeiramente e internamente nossos preconceitos contra os homens. Os homens precisam rever sua função paterna, redefini-la e reconstruí-la, tornando-se modelos saudáveis para seus filhos. Os homens precisam parar de se anestesiar e encarar face a face seus demônios. Eles precisam fazer amizades íntimas com outros homens, desenvolvendo relações de confiança e afeto em grupos masculinos. É necessário crescer, deixando de ser um menino infantilizado e amedrontado.

🙋🏻‍♀️Eu sou Adriana Freitas
Psicóloga e Terapeuta Sistêmica com mais de 20 anos de experiência, e estou à disposição para te ajudar.
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sexta-feira, 11 de abril de 2014

SEXUALIDADE MASCULINA - INTERDIÇÕES DA CULTURA

SEXUALIDADE MASCULINA

INTERDIÇÕES DA CULTURA 

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Quando falamos de movimento feminista, destacamos as mudanças alcançadas pela busca  das  mulheres  em relação ao papel cultural feminino, mas muitas vezes faremos uma leitura reduzida se não avaliarmos também a força cultural sobre os homens e suas definições de papéis.
A cultura e tão determinante para os homens quanto o é para as mulheres. Se hoje temos um masculino da forma como se apresenta, com certeza a força cultural, juntamente com a familiar reiterando a primeira, têm grande parcela no reforçamento dos papéis e comportamentos ditos masculinos. Podemos dizer que nós, mulheres e homens, repetimos inconscientemente os ditames culturais, até que tenhamos consciência crítica sobre os mesmos.
Segundo João  Silvério Trevisan em seu livro "Seis balas num buraco só - a crise do masculino", a masculinidade está em crise, uma vez que os aspectos que a garantiam no passado estão falidos ou em processo de falência. As transformações históricas que inviabilizaram a manutenção do mito masculino incluem as conquistas do movimento feminista com a consequente decadência do patriarcado.
Sem conhecer ainda um modelo adequado, muitos homens recorrem a violência social e intrafamiliar, numa tentativa de autoafirmação contra sua insegurança de base. Por outro lado, podem tentar encontrar formas de  compensação para suas frágeis  estruturas internas numa  busca estruturação a partir de elementos exteriores. Nesse contexto, três saídas divergentes se destacam: o  trabalho obsessivo - workaholic - para ter reconhecimento externo através do trabalho e do dinheiro; as academias de ginástica,  com foco na construção corporal externa - body building - para compensar uma falha interna; e a sedução don-juanesca, com uma fixação na sexualidade sem admitir compromissos afetivos.

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Culturalmente, a feminilidade acontece naturalmente, apenas com o amadurecimento corporal para a procriação. Já a masculinidade será construída num espaço social e político, onde é demandado ao homem que prove sua masculinidade.
Dessa forma, um dos aspectos mais cobrados ao homem heterossexual para comprovar sua masculinidade tem a ver com sua sexualidade. Ele tem que ser o "pegador" e o "comedor". É cobrado dele que deseje qualquer mulher que se lhe ofereça. E quando ele não quer, ou  tem que fazer de conta ou sua masculinidade será colocada em questão. Tal pensamento machista advém tanto dos homens quanto das mulheres. Já vi mulheres chamarem homens de gays quando são rejeitadas.
Trevisan também fala de uma construção da masculinidade em oposição ao feminino e consequentemente um medo da homossexualidade, sendo necessário ter pensamentos, sentimentos e comportamentos diferentes das mulheres para provar que é macho. Dessa forma, ser homem é restringir-se, conter e cortar seus "impulsos" femininos, o que limita profundamente as vivências afetivas e o sentir do homem.
Para o homem homossexual assumido que já se aceitou internamente, como já passaram por esse questionamento da masculinidade e já integraram o aspecto feminino de sua personalidade, muitas vezes não ficam presos a necessidade de provar que são homens. Mas quando ainda não se aceitaram, podem ficar compulsivos sexualmente, compulsivos no trabalho, e colocar uma máscara e uma armadura para se esconderem ainda na tentativa de se afirmarem como homens na perspectiva machista cultural.
Ter que provar sua masculinidade via sexo é um grande aprisionamento para o homem e prejudica sua liberdade de expressão, sua busca de prazer e seus relacionamentos amorosos.
Para este homem aprisionado, o pênis se torna um foco importante, e o seu  tamanho se torna uma problemática considerável. É comum homens com tamanho peniano menos avantajado criarem estratégias compensatórias para sua masculinidade comprometida, utilizando das chamadas extensões fálicas como  por exemplo armas e violência, dinheiro, carros ou  motos - grandes ou caríssimos - e corpos malhadíssimos, esportes radicais, fanatismo por futebol, etc. Extensões estas que não resolvem sua insegurança nem garantem sua masculinidade, servindo apenas de máscaras provisórias e ilusórias.
relacionamentos, sexualidade, masculino, homem, cultura, feminismo, crise masculinoOu seja, nenhuma dessas estratégias soluciona a baixa autoestima desses indivíduos, tampouco lhes proporciona uma sexualidade prazerosa e saudável. Nas relações amorosas, o sexo será vivido de forma compulsiva ou insegura, limitado a genitalidade e apresentando disfunções sexuais, com comprometimento da intimidade, da afetividade e da possibilidade de uma conexão mais profunda com a parceira ou parceiro.
É necessário que o homem abandone a dicotomia aprisionante de ser homem  versus ser mulher, integrando o feminino como parte saudável de si mesmo. Enquanto o homem não se questionar a respeito de seu conceito de ser homem, de sua escravidão cultural, seus modelos masculinos familiares (em outro texto abordarei as questões paternas e maternas na construção da masculinidade), e decidir mudá-los, estará fadado a viver um masculino limitado, aprisionado em frágeis estruturas externas. 
Psicoterapeuta Sistêmica em BH


Imagens:

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