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terça-feira, 24 de novembro de 2015

MORAR SOZINHA(O)



MORAR SOZINHA(O)

Lar doce lar, morar sozinho, lista de casamento, competencia, segurança, responsabilidade

Infelizmente nossa cultura ainda é bastante protetora, se é que podemos chamar isso de proteção, atrasando muito a saída dos filhos de casa, com uma maior permissão de saída apenas para estudar ou para casar. Podemos pensar em quantas famílias incentivam seus filhos a saírem para morar sozinhos, e não encontraremos um único exemplo, no melhor das hipóteses alguns poucos.

Quando eu consegui concluir meu planejamento para sair da casa da minha mãe para morar sozinha, escutei frases assim: “você não está dando certo mais com sua mãe?” e “como tem a coragem de abandonar sua mãe?”. Ou seja, a saída de casa de um filho adulto para viver só, tem conotações negativas infundadas, reforçadas pelas famílias e pela sociedade.

Felizmente eu sempre tive um espírito buscador da independência, e desde bem cedo eu queria ter o meu cantinho. Somente há pouco mais de cinco anos, quando eu estava por volta dos 30 anos, foi que tive condições de fazer o meu sonho se tornar realidade, após alguns anos de preparação.

Sim, é necessário se preparar. A não ser que você seja rico ou receba super bem pelo seu trabalho, juntar dinheiro para ter seu espaço demora um bom tempo. São muitos detalhes de cama, mesa, banho, móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, além do aluguel ou financiamento.

Diferentemente do casamento, a sociedade não ajuda muito quem vai morar sozinho. Ganhei um fogão da minha tia e minha mãe me emprestou uma mesa e me deu um conjunto de panos de prato, um forro de mesa e alguns cobertores. O restante ficou por minha conta e até hoje ainda preciso fazer melhorias no meu espaço. 

Não ter muita ajuda, por outro lado, foi também uma escolha, pois eu queria comprar as coisas do meu jeito, com a qualidade que eu desejava. Eu queria escolher como minha casa seria. E hoje, por mais incompleta que esteja, minha “casinha” é aconchegante e a minha cara.

Após minha mudança, como eu não saí para estudar e, portanto não fui sustentada pela minha família, o primeiro sentimento que tive, ao constatar que eu estava conseguindo ter a minha vida completamente por minha conta, foi uma grande competência para gerir a própria vida. É imensamente prazeroso ter a certeza de que você consegue cuidar e administrar sua vida completamente. 

Quando as pessoas saem para casar, talvez elas sintam um pouco disso, mas não devem sentir plenamente, pois dividem as contas da casa, desde que seja um casal minimamente saudável. Então, morar sozinha(o) pode ser um importante passo para o crescimento do indivíduo e para sua autoestima.

Ao ver que eu estava conseguindo gerir minha vida de forma independente, meu sentimento de confiança em mim mesma aumentou e consequentemente o sentimento de segurança. Isso refletiu no meu trabalho, que foi também ficando mais seguro e consistente. Assim, também tive um crescimento profissional e financeiro.

Por outro lado, é também muito bom ter seu espaço do seu jeito. Na casa da minha mãe, a casa é do jeito dela e tem a energia dela, e mal mal eu comandava meu próprio quarto. Minha forma de ser é diferente da minha família, então minha “casinha” passou a ter a minha energia a medida que sou eu que a organizo e cuido.

E também, como na minha casa mando eu, entra e sai quem eu quero e desejo, e eu entro e saio no meu tempo, de acordo com minhas necessidades e vontades, sem ter que pedir ou dar satisfações. Sendo assim, tenho mais controle e liberdade. As regras são minhas e eu posso mudá-las sempre que precisar, diferentemente da casa da família de origem, onde as regras são dos donos, e os filhos têm que respeitar, no máximo negociar.

Mas nem tudo são flores. As responsabilidades são muito grandes: contratos, aluguel, financiamento, condomínio, contas diversas, manutenção da casa, datas de vencimento, aborrecimentos de coisas imprevisíveis pra resolver. Tudo nas suas mãos. Se você esquece uma conta, pois as vezes a memória falha, vai pagar juros e multa, não adianta choro nem reclamações.

Mas por que ainda vale a pena? Porque na minha opinião, os ganhos são maiores que as perdas. Responsabilidades fazem parte da vida adulta e precisaremos arcar com elas seja morando só, num casamento ou junto da família. A não ser que você queria ficar criança ou adolescente – síndrome de Peter Pan - para o resto da vida.

O aprendizado também é tão grande quanto as responsabilidades. Este ano, como contei no meu post de aniversário, passei por uma crise financeira muito difícil, mas a partir dela pude aprender a exercitar a paz em momentos de crise. Tive que resolvê-la, encontrando uma saída – empréstimo de dinheiro com minha família – e depois buscar soluções criativas – realização do Workshop da Criança Interna Ferida – para levantar o dinheiro para pagar as dívidas. E tudo isso aumentou minha fé em mim mesma, fé na vida e no mistério divino.

Morar sozinha(o) não tem que ser nem é a única forma de crescimento na vida, mas deveria ser uma possibilidade mais cogitada e incentivada pelas famílias. De toda forma, essa escolha precisa perder suas conotações negativas de abandono familiar e parca solução para relações que não dão certo. É uma forma muito digna de viver que facilita muito o aprendizado e o crescimento pessoal.


Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte
Instagran: @solteirosecasais

Referência da Figura
1 - retirada do google imagens

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segunda-feira, 30 de março de 2015

MUDANÇA DE ESTILO DE VIDA - SOBRE ALIMENTAÇÃO E EXERCÍCIOS FÍSICOS

MUDANÇA DE ESTILO DE VIDA

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Foto retirada durante o meu descanso após a caminhada na praça

SOBRE ALIMENTAÇÃO E EXERCÍCIOS FÍSICOS 

No post de hoje vou falar sobre a mudança de estilo que vida que venho realizando desde dezembro do ano passado (2014), e como essa mudança tem afetado positivamente minha vida.
Duas foram as mudanças mais significativas: alimentação e exercício físico.
Eu já fazia Pilates há quase dois anos, praticando duas vezes por semana e nos finais de semana caminhava e alongava na praça perto da minha casa em BH. Sempre gostei muito do Pilates e melhorei demais minha flexibilidade, postura, definição corporal, resistência, etc. Cessaram as dores lombares que eu sentia em decorrência de trabalhar (e viver) a maior parte do tempo sentada.
Eis que no segundo semestre de 2014, meu terapeuta me indicou um livro que se chama “O Mito da Fragilidade”, da Colette Dowling, onde a autora descreve exaustivamente como nós mulheres fomos culturalmente “educadas” para acreditar na nossa fragilidade, especialmente na fragilidade física. E isto nos faz ainda hoje reproduzir a desigualdade nas relações de gênero, perpetuando tanto a necessidade de afirmação da masculinidade fragilizada dos homens através de sua força física, quanto a ilusão de fragilidade das mulheres e sua dependência da figura masculina.
Depois que li este livro, comecei a observar como praticamente todas as mulheres da minha família eram e ainda são sedentárias, e também de como fui educada para nunca me importar com esportes, cuidado com o corpo, condicionamento corporal, etc. Muito pelo contrário, minha própria mãe e madrasta me ajudaram a forjar um atestado falso de trabalho para que eu não precisasse fazer educação física no colégio, com a desculpa que eu passei mal de bronquite por causa dessa aula. Somente depois de adulta que eu compreendi a importância de investir numa prática física e passei a realizar o Pilates de forma disciplinada, ou seja, dois anos atrás.
Além das reflexões após a leitura do livro, também começou a surgir dentro de mim um anseio de querer mais do meu corpo. Mais condicionamento, mais força, mais definição, e de conseguir fazer atividades que eu não conseguia ainda. Comecei a seguir no Instagran, pessoas que trabalham ou praticam exercícios calistênicos (que usam o peso do próprio corpo) e outras atividades e fui me motivando cada vez mais, até que decidi trocar de exercício físico para aumentar meus desafios.
Hoje estou numa academia e pratico Spinning, Corrida em esteira, Kettlebel e Musculação. Em casa, pratico sozinha alguns exercícios calistênicos, inclusive do Pilates. Faço exercícios alternados quase todos os dias.  Encaro minhas atividades como um meio para alcançar alguns objetivos a médio e longo prazo.
Mas o melhor de tudo é o prazer e a disposição que praticar esporte tem me dado. Agora que estou fazendo exercícios aeróbicos de alta intensidade, percebi o quanto eles melhoram nossa disposição, diminuindo o cansaço e a preguiça. Tenho dormido um pouco menos e acordado com uma ótima disposição, mesmo quando estou com dores corporais da musculação e do kettlebell.
Além disso, esteticamente o meu corpo tem melhorado e ficado mais definido, com ganho de massa magra e perda de peso e gordura. E ao ver essas melhorias e resultados, eu fico muito feliz e minha autoestima tem aumentado cada dia mais.
Já a perda de peso aconteceu por causa da nova dieta. Entre dezembro e janeiro eu perdi cinco quilos, após ter mudado minha alimentação e antes de começar na academia. Ou seja, a perda de peso está ligada principalmente a alimentação.
Eu peguei uma dieta antiga que fiz com uma nutricionista há cinco anos atrás, também pesquisei sobre alimentação para treinos esportivos e montei minha nova alimentação incluindo muitos vegetais (frutas e verduras) praticamente em todas as refeições, aumentei as proteínas, diminuí os carboidratos ruins e incluí carboidratos melhores (vegetais e grãos), e acrescentei castanhas (gordura boa). Depois, até procurei uma nutricionista pra verificar se a dieta estava adequada, mas não gostei dela e devo procurar brevemente um nutricionista esportivo.

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Preparação Caseira da minha alimentação

Por que muitas pessoas desistem de realizar mudanças alimentares?
Primeiro porque existe uma cultura de dieta baseada na escassez, na fome e na restrição dos “alimentos gostosos”. Aviso que essas dietas são inadequadas. Uma boa dieta inclui um pouco de tudo, mas propõe o aumento dos bons alimentos e a diminuição dos “ruins”, mas não sua total exclusão. Eu nunca passei fome e tenho sentido muita saciedade com a nova alimentação.
Por outro lado, dá trabalho se alimentar bem. A gente precisa planejar a alimentação, as compras, as idas em feiras e supermercados, constantemente. É muito mais fácil passar na padaria e comprar guloseimas de alta caloria. Eu fazia isso.
Também é difícil porque nem sempre as pessoas gostam de cozinhar ou se sentem dispostas a chegar em casa e preparar suas refeições. Eu tenho a sorte de gostar de cozinhar, mas procuro facilitar ao máximo a organização dos alimentos para que eles estejam fáceis de cozinhar pra não demorar o preparo.
Deixo as verduras preferidas lavadas e as vezes legumes descascados na geladeira. Cozinho frango e carne moída e coloco em potinhos com porções para congelar. Também congelo frutas (que utilizo para vitaminas) como manga, morango e abacaxi, e verduras (que utilizo para vitaminas e sopas) como cará, moranga, etc. Cozinho arroz integral que dê para alguns dias e congelo potinhos de feijão. Separo filés de peixe e frango e porções de carne moída, ou bifes de hambúrguer que faço para congelar, etc. Com esse esquema facilitador, meu almoço e jantar saem em 15-30minutos no máximo.
Outro problema para se alimentar bem é perder o gosto pela alimentação, quando a dieta proposta além de restringir quantidade, restringe os tipos de alimento. Eu também não perdi o gosto pela comida, muito pelo contrário, eu tenho gostado e ficado bem nutrida. Só aprendi a diversificar a alimentação onde além de incluir mais vegetais, aprendi fazer novos pratos substituindo alimentos de alta caloria pelos de baixa caloria. As vezes, mais nos finais de semana, eu como doces e massas de alta caloria, mas como no horário certo da refeição, e em seguida volto a fazer a alimentação saudável.
Então, você pode perceber que o emagrecimento foi apenas uma consequência da mudança de estilo de vida. Eu não tinha o objetivo de emagrecer, mas tenho o objetivo de perder medida e isso irá acontecer com o casamento disciplinado entre a alimentação e o esporte.
Se você tem compulsão por comer ou por fazer exercício, seu problema é emocional e precisa de psicoterapia e talvez também de tratamento psiquiátrico para ansiedade.
Eu acho que só consegui mudar meu estilo de vida aos 35 anos, porque venho fazendo terapia há 9 anos e trabalhando firmemente na busca de melhoria emocional e crescimento pessoal.
Estando ou não em um relacionamento, você só estará bem com você mesmo na medida em que desistir das expectativas infantis de ser cuidado pela família de origem e parceiros amorosos e aprender a cuidar de si mesmo. Cuidar da alimentação e do corpo e ver os resultados alcançados, têm me ajudado a gostar de mim cada vez mais.


 Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte

Referência da Figura
1 – Fotos retiradas e editadas por mim

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

PERDA DO CONTROLE versus O CONTROLE DA VIDA

PERDA DO CONTROLE versus

 O CONTROLE DA VIDA

perda, controle, vida, barco, rio, barquinho da vida, contra corrente

Sempre fui uma pessoa com tendência a rigidez. Minhas defesas me acompanharam em minha jornada, mesmo não se encaixando direito no meu corpo crescido, na minha mente e na minha alma. Elas são minhas velhas amigas-inimigas que me dão a falsa ilusão de segurança na vida e me fizeram acreditar que se eu fizesse todas as coisas certas, no final, tudo sairia bem.

Mas nem tudo saiu conforme eu planejei, aliás, muitas coisas não saíram. Meu sonho dourado de adolescente era casar e ter filhos e até hoje isso não aconteceu. Teve um momento próximo dos meus 31 anos (idade quando as mulheres começam a desesperar por causa da reta final do período fértil) após uma paixão não correspondida, que eu tive uma crise existencial: e se eu nunca casasse e tivesse filhos? Como viver sabendo que meu principal sentido de existir podia não acontecer?

Dor, luto e redefinição de sentido de vida foram as misérias e delícias desse período. O novo sentido de vida passou a ser interno e não mais externo. Saí fortalecida, novo foco, novos investimentos. O sonho dourado continuou me visitando com frequência, ora revoltado querendo ocupar todo o espaço da minha casa, ora aceitando o quartinho dos fundos como sua moradia por direito restrito.

O fato foi que essa perda de controle quebrou uma boa parte da rigidez e da fantasia de ter algum poder sobre a vida. Fantasia esta que ainda vive rondando a minha mente, como um animal selvagem a espreita de sua presa. Se eu não fico “de olho” nela, sou abocanhada, morta e engolida, animal frágil, abaixo da cadeia alimentar que sou.

A ideia do controle, não me lembro bem onde devo ter lido isso, pode ser ilustrada pela metáfora do indivíduo dentro de um barquinho, com apenas um remo, em um rio caudaloso. Aquele que tenta ter o controle pode passar a vida inteira nadando contra a corrente com seu humilde remo, se desgastar, fazer força o tempo todo e não conseguir ir muito longe. Há também aquele que simplesmente guarda o remo dentro do barco e deixa o rio levar o barquinho aonde ele queira. E numa terceira atitude, há aquele que aproveita o fluxo rio, utilizando do remo para transitar de uma margem a outra e parar nelas caso queira experimentar seus frutos.

Eu era daqueles que nadava contra corrente. Ainda tenho o péssimo hábito de fazer isso de vez em quando. Estou tentando encontrar um equilíbrio entre o soltar-me na correnteza e o visitar as margens que desejar.

A grande ironia de tudo isso é que, a despeito das minhas tentativas de controle, a vida foi muito mais generosa comigo do que eu poderia imaginar. Na verdade eu não planejei estar onde estou hoje, da forma como estou, fazendo o que faço. Eu não tive o que quis mas tive oportunidades fantásticas no caminho que a vida escolheu pra mim! Tenho uma vida digna, honesta, em evolução e fico imaginando em quais outros fabulosos destinos o barquinho e o rio da vida podem me levar se eu me entregar de coração.

A minha “entrega” ainda é racional, entrou pelo topo da cabeça e fez ali morada. Preciso descobrir como desobstruir sua decida até o coração pois é lá onde seu amado se encontra e está de braços abertos para recebê-la.

Quando se juntarem, os amantes  encontrarão a paz e a alegria, e finalmente regozijarão no barquinho e no rio da vida.

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte

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Referência da Figura
 a imagem foi retirada do google imagens.
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

2015 – O RESGATE ANUAL DA RESPONSABILIDADE

2015

O RESGATE DA RESPONSABILIDADE

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Por que nossa sociedade se organizou de forma a ter uma mudança ritualística de um ano para o outro?
Exatamente porque somos seres indisciplinados, irresponsáveis e incoerentes com nossas vidas e relações.
Prometemos sempre uma lista de coisas para o ano inteiro e cumprimos apenas alguns itens, isso quando cumprimos. Ou criamos metas inalcançáveis a médio e curto prazo e acabamos por desistir no meio do caminho.
A mudança ritualística de fim de ano nos faz relembrar nossos desejos e objetivos de vida e isso é muito importante. Apesar da mudança ser uma ilusão, quando levamos a sério a redefinição de objetivos e fazemos votos de renovação conosco mesmos, uma pequena chama de responsabilidade se acende dentro de nós. Mas esse fogo pode ser mantido aceso ou pode ser apagado, dependendo se assumimos essa responsabilidade ou não.
A maioria de nós aprendeu a esperar que o outro fosse o responsável pela nossa felicidade. Ficamos crianças esperando ser cuidados até hoje. Esse é um dos motivos pelo qual não assumimos a total responsabilidade por nossas vidas.

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Assumir a total responsabilidade é fundamental para que nossas metas estabelecidas sejam construídas durante o ano.
Mesmo quando estamos nessa busca, uma dificuldade que encontramos é nossa ansiedade e imediatismo. Queremos realizar nossos desejos, mas novamente como crianças, queremos que tudo se realize magicamente. Não sabemos esperar e tampouco curtir o processo de construção que envolve a busca de concretização das nossas metas.
Acredite! A ansiedade não vai acelerar o processo, só faz a gente sofrer enquanto não alcançamos o resultado. Portanto, se você é uma dessas pessoas, busque uma ajuda terapêutica. Psicoterapia, Homeopatia e Acupuntura e práticas alternativas como a espiritualidade, meditação e yoga ajudam muito em casos onde a ansiedade não é patológica demais. Se for este o caso, é necessária a ajuda de um Psiquiatra.
Além de aprender a lidar com nossa ansiedade, precisamos também construir uma organização disciplinada para nossas rotinas. Uso aqui o conceito de disciplina das artes marciais* que engloba quatro importantes palavras: respeito, compromisso, abdicação e esforço.
É muito importante ter Respeito as regras estabelecidas na organização estipulada. Já ter Compromisso consigo próprio implica cumprir adequadamente as etapas necessárias para um bom funcionamento da rotina. Abdicação significa abrir mão, perder algo em troca de um ganho maior. Também é necessário muito Esforço, fazer força para que o objetivo dê certo, enfrentar os imprevistos e sentimentos negativos como a preguiça, contrapondo-os em prol do bem maior. Os quatro itens são interligados e interdependentes.
Não acredito que essa organização tenha que ser rígida, mas ela precisa ser firme e flexível ao mesmo tempo. Precisamos cumprir nossa rotina a maior parte do tempo, para que possamos conseguir realizar todas nossas responsabilidades e consequentemente atender nossas necessidades materiais, emocionais, intelectuais e relacionais.
Outro aspecto importante para que cheguemos a ser responsáveis conosco mesmos é o cuidar das nossas carências. Na maioria das vezes não somos disciplinados porque estamos buscando tamponar nossas carências, utilizando de atividades compulsivas ou dependentes do outro. Mas o que não enxergamos é que essa busca alimenta o ciclo vicioso dos nossos buracos emocionais, uma vez que não é buscar o cuidado no outro que vai nos alimentar e sim buscar aprender cuidar de nós mesmos.

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Assim, meu desejo é que em 2015, possamos aprender cada vez mais, a ser responsáveis com a nossa existência!
* Conferir texto sobre o assunto no site.
Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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Referência das Figuras
 todas as imagens foram retiradas do google imagens.
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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

COMER, REZAR, AMAR – ENCONTRANDO A SI MESMO PARA ENCONTRAR O AMOR

COMER, REZAR, AMAR

ENCONTRANDO A SI MESMO PARA ENCONTRAR O AMOR

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No final do ano passado li o livro “Comer, rezar, amar” da Elizabeth Gilbert e me identifiquei muito com a busca pessoal da autora. Já havia assistido ao filme, mas como sempre o livro tem uma riqueza de detalhes muito maior.
A leitura do livro influenciou muito na minha decisão de investir no blog e também no meu desejo sincero de praticar meditação, o que hoje faço com consciência e dedicação.
A autora relata uma parte de sua história em busca de encontrar, resgatar ou descobrir seu verdadeiro Eu. Após o fim do seu casamento e de um divórcio extremamente desgastante e destruidor, seguida por sua paixão pelo ator David, que rapidamente cai em decadência, ela percebe que precisa de uma grande transformação na sua vida, decide se dar um ano sabático e fazer uma viagem por três países, Itália, Índia e Indonésia. Em cada país ela enfocou uma busca específica: na Itália o prazer, na Índia a devoção e na Indonésia o equilíbrio. Cada país é uma parte do livro e todas três possuem histórias emocionantes e de profundo crescimento pessoal.
Gostaria de destacar o quanto as duas primeiras relações citadas no livro, com o marido e com David, foram de muita dependência, onde Liz (apelido de Elizabeth) acabava se amalgamando no projeto do parceiro, de forma a não se posicionar quanto aos seus desejos e vontades além de assumir os do outro. Como ela não conseguiu viver o luto do divórcio sozinha e caiu logo em seguida no relacionamento com David, repetiu os mesmos padrões de anulação de si mesma. Dessa maneira, a conclusão foi uma crise pessoal ainda mais intensa, onde, ou a autora fazia alguma coisa por si mesma ou ficaria mais doente, presa na depressão e morta internamente.

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Essa dinâmica de relações dependentes é muito comum nos casais na vida cotidiana e se levada ao extremo, pode gerar a morte emocional de um parceiro em decorrência da necessidade de “vida” do outro. Isso acontece quando só a vontade de um prevalece e o outro sempre abre mão do seu desejo para preservar a relação, havendo um prejuízo para a personalidade. O exigente na verdade é inseguro e para tampar seus sentimentos projeta no outro seu controle e manipulação, os quais o parceiro cede por causa do seu medo de ser abandonado. Ambos os lados são doentes.
Os fatores que influenciam para a construção de relações dependentes são a cultura da sociedade, das religiões e da família, que através de suas definições sobre as relações de gênero, estipulam os papéis adequados e inadequados para homens e mulheres, limitando assim as vivências dos casais.
Se o indivíduo tem uma carência de origem familiar, onde não recebeu o afeto que precisava e merecia ou desejava, poderá projetar toda sua demanda na relação amorosa, ficando assim dependente do afeto do outro e submetendo-se em função do medo da perda. Essa dinâmica ao longo da vida pode ser extremamente adoecedora e se gerar uma crise, como aconteceu com Liz, será uma grande chance de transformação na vida.
As crises, por mais dolorosas que sejam, são momentos muito especiais em nossas vidas que nos trazem um aprendizado importante. Servem para descongelar e destruir núcleos ou partes de nossas vidas que estão profundamente enrijecidos e resistentes possibilitando mudanças estruturais. Muitas pessoas aproveitam as crises, fazem uma revisão de suas histórias, traçam novas propostas de mudança e crescem a partir disso. Outras pessoas simplesmente ficam inconscientes, continuam adoecendo ou adiando novas crises, sem realizar nenhuma transformação importante. Cabe a cada indivíduo decidir o que deseja fazer.
Elizabeth Gilbert transformou sua crise numa busca pessoal, emocional e espiritual que operou mudanças profundas em sua vida. Em sua jornada lidou com suas piores partes e descobriu as melhores partes de si mesma.
Resumidamente e muito superficialmente, na Itália aprendeu a viver o prazer da gastronomia, da amizade e do estar sozinha. Na Índia aprendeu a enfrentar seus demônios internos que apareceram nas práticas meditativas até encontrar o perdão e a paz dentro de si. Na Indonésia sua busca por equilíbrio envolvia a meditação, o servir ao outro, as amizades e as viagens. Foi ao final dessa jornada que ela encontrou o amor.
Vejam bem, grande parte da jornada do encontro consigo mesma, Liz  Gilbert precisou fazer sozinha: livrar-se da sua dependência das relações amorosas, descobrir o prazer de viver, perdoar-se e estar em paz com suas escolhas. Se não passarmos por essa jornada primeiro, certamente entraremos nas relações buscando nossa metade da laranja e jamais a encontraremos pois essa metade vazia em nós só pode ser preenchida com nosso crescimento pessoal.

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Buscar nossa metade no outro é um dos grandes problemas das relações amorosas. Para Liz, encontrar a si mesma fez toda a diferença para que estivesse madura para encontrar o amor. Enquanto o amor não vem, vale a pena investir em si mesmo. E se o amor já chegou, também é possível reservar e preservar aquele cantinho no mundo interno para continuar com suas buscas pessoais.

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Elizabeth Gilbert e José Lauro Nunes (Felipe)

E você? Tem investido nessa busca de encontrar a si mesmo? Compartilhe os conosco seus pensamentos, opiniões e questões sobre este post e sobre o tema no espaço para comentários abaixo!

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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Referências das Figuras
1 e 4  http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI175701-17642,00-ELIZABETH+GILBERT+AUTORA+DE+COMER+REZAR+AMAR+FALA+SOBRE+AMOR+E+CASAMENTO+EM.html
2 - Imagens retiradas do google imagens
3 -  http://www.viagenscinematograficas.com.br/2014/01/viagem-inspirada-no-filme-comer-rezar-amar.html

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