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segunda-feira, 24 de julho de 2017

DIVERTIMENTO X PRAZER

DIVERTIMENTO X PRAZER



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Hoje gostaria de compartilhar algumas reflexões sobre o livro “Prazer – uma abordagem criativa da vida” de Alexander Lowen, as quais tocaram fundo no meu ser, na medida em que deixam evidente o quanto somos manipulados pelo sistema capitalista para sermos infelizes e consequentemente consumirmos para sanar nossa infelicidade. Porém, essa felicidade prometida é fugaz e voltamos rapidamente para a tristeza e dor, criando novas necessidades de consumo.
Uma das profundas ilusões criada pelo capitalismo para sustentar o consumismo é a ideia de que o divertimento é igual ao prazer. “Compre divertimento e terá prazer garantido”! Infelizmente isso não está diretamente relacionado em todos os momentos. Podemos nos sentir profundamente vazios no meio de uma multidão de divertimento.
Lowen aponta que há uma “ética do divertimento”, que busca implantar a ideia que o importante hoje é se divertir ou parecer que está se divertindo ou fazer com que o outro acredite que você está divertindo. Um exemplo fácil de reconhecermos isso é verificar como as postagens no Facebook são quase sempre das pessoas se divertindo em viagens, em restaurantes, em festas, etc.
O problema dessa perspectiva é que nem sempre o divertimento garante o prazer. A ética do divertimento, segundo Lowen, parece existir para evitar compromissos, sendo apenas um passatempo que não exige maiores envolvimentos.
E uma das premissas fundamentais para que o prazer aconteça verdadeiramente, é que haja um comprometimento total, uma entrega ao que está se fazendo. O corpo e a mente precisam estar integrados ao momento presente.
Como vivemos em estado de ansiedade constante, tal entrega está muito prejudicada. Somos levados a trabalhar muito pra consumir mais pra alcançar o prazer, no entanto ficamos constantemente preocupados e ansiosos, não prestamos atenção no momento presente e acabamos não sentindo o prazer, o que gera mais ansiedade e depressão, mais demanda de consumo e o ciclo vicioso se estabelece de uma maneira muito negativa.
É muito triste constatar que o sistema capitalista não tem interesse nenhum em promover o prazer, muito pelo contrário, sua intenção é promover a infelicidade, a dor e a doença constantes, pois pessoas insatisfeitas e infelizes são mais fáceis de serem manipuladas e ludibriadas com promessas ilusórias de divertimento.
O mais importante para o capitalismo é o poder. De acordo com Lowen, na “cultura moderna, (que) é mais dirigida pelo ego do que pelo corpo, o poder se transformou no principal valor, reduzindo o prazer a uma situação secundária” (p.10). E quando passamos a vida lutando pelo poder, sacrificamos o corpo e o prazer, na tentativa de alcançar o falso prazer prometido pelo consumismo. Quanta ilusão!
É muito triste também constatarmos que nossa educação, tanto a familiar quanto a formal, nos educa contra o prazer, de forma que ele passe a gerar sentimentos conflitantes. Especialmente se o prazer estiver relacionado a sexualidade, a repressão se torna ainda maior. A seriedade, o trabalho pesado, o dinheiro e o status, são muito valorizados na nossa cultura, o que acaba impedindo a leveza do prazer.
Diante dessa realidade, nossos corpos de tornam tensos, duros, rígidos, doentes, vazios, gerando em nós um desejo de fuga da realidade, que pode ser via compulsões (álcool, drogas, comida e outras anestesias) ou via alienação do corpo ou desconexão, o que impede de vez o verdadeiro prazer.
Como então alcançar o prazer?
Reconectar-se com o corpo e com a realidade do momento presente é um caminho que pode ser trilhado nessa busca. Lowen diz que o prazer nos une aos nossos corpos, à realidade, aos amigos e ao trabalho.
“... não é necessário estar se divertindo ou feliz para sentir prazer. Pode-se ter prazer nas circunstâncias comuns da vida, pois o prazer é um modo de ser. A pessoa está num estado de prazer quando os movimentos do seu corpo fluem livre, ritmicamente e em harmonia com seu ambiente” (p.21-22).
Essa ideia é muito libertadora! Não precisamos consumir para ter prazer! Ele é de graça e pode ser encontrado em qualquer atividade do seu dia a dia, onde seu corpo esteja realmente presente na atividade vivida.
O trabalho da bioenergética desenvolvido por Lowen busca acessar e liberar os bloqueios corporais que os indivíduos foram construindo ao longo da vida. Um desses trabalhos é com a respiração. A ansiedade prejudica muito nossa respiração e a oxigenação do corpo como um todo, facilitando o endurecimento corporal. Trazer o foco para a sua respiração, prestar atenção nela, compreendê-la e ampliá-la pode trazer benefícios e mudanças importantes.
O trabalho do Mindfulness (traduzido como atenção plena, consciência plena) também têm ajudado as pessoas a desenvolverem práticas e novos hábitos de atenção ao momento presente.
Na minha experiência pessoal, cultivo a gratidão por cada coisa, atitude, gesto, bênção, desafio, ou situação que a vida me proporciona a cada dia, a cada instante. Estar num espírito de gratidão constante me ajudou muito a mudar para uma vibração mais elevada e um estado de humor mais positivo e prazeroso.
Também procuro ter bom humor sempre, mas especialmente nos momentos que percebo que estou séria, procuro fazer uma brincadeira comigo mesma, danço uma música, faço um elogio, ou uma frase motivacional que inspire e transforme meu humor em alegria. Assim vou sentindo meu corpo com prazer.
Estimado leitor, não existe uma receita pronta e igual pra todas as pessoas resgatarem seu prazer. Você terá que encontrar o seu caminho. Talvez as ideias deste post te ajudem a fazer seus próprios questionamentos, reflexões e busca de transformação. Compartilhe conosco seus sentimentos no espaço para comentários abaixo!

 Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte
Instagram: @solteirosecasais


Referência Bibliográfica:
LOWEN, Alexander. Prazer - uma abordagem criativa da vida. São Paulo: Summus, 1984.

Referência da Figura:
1. Retirada do Google imagens


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domingo, 23 de abril de 2017

SOBRE VIAGENS A SÓS E PEQUENOS PRAZERES DA VIDA



SOBRE VIAGENS A SÓS E PEQUENOS PRAZERES DA VIDA

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Recentemente, final de março início de abril de 2017, fiz uma viagem de férias a Pernambuco, com hospedagem de dois dias em Porto de Galinhas e o restante em Recife. Fazia um bom tempo que não viajava pra praia. Eu adoro um banho de mar, trocar e renovar as energias nas águas salgadas!

Não foi a primeira vez que viajei sozinha (nesse caso fiquei apenas os dois primeiros dias só). Eu gosto muito de estar na minha companhia. Em 2013 eu viajei para Arraial D’Ajuda na Bahia e também foi uma experiência muito rica, apesar de ter pegado um período bem chuvoso. 

 A viagem a Arraial foi sem muito planejamento, pois minha intenção (e falta de experiência) era curtir somente a praia e o mar. Com a chuva eu tive que procurar outras coisas pra fazer em Porto Seguro, imprevisto que acabou sendo bastante prazeroso também com o conhecimento de uma parte cultural da cidade, ligada ao descobrimento do Brasil. Fui sem expectativa de conhecer ninguém e acabei conhecendo pessoas de uma forma muito natural e espontânea. 

Muitas pessoas têm medo de viajar só, criam mil e duas fantasias negativas e acabam se impedindo de viver experiências surpreendentes que nos tiram da zona de conforto na qual fomos criados e acostumados a viver. Posso garantir que tudo que saiu do controle na minha viagem, foi maravilhosamente enriquecedor.

Já a viagem a Pernambuco foi muito planejada com antecedência. Eu queria descansar nos primeiros dias, e nos dias seguintes conhecer diversos espaços culturais de Recife, incluindo Olinda. E mesmo com planejamento, muitos imprevistos aconteceram (incluindo dias de chuva rs), necessitando de reordenamentos na agenda.

Nos dias que fiquei em Porto de Galinhas, eu fiz caminhadas longas na praia, bem cedo pra pegar um sol mais ameno, e o que gostaria de compartilhar neste post, é o quanto eu senti prazer de caminhar pisando na água do mar! Falando assim parece uma besteira, mas o prazer foi tão grande que nem consigo descrever.

Enquanto vivia essa gostosa sensação, fiquei refletindo sobre o quanto as pequenas atividades da vida cotidiana, especialmente as mais simples, podem ser uma rica fonte de prazer para alimentar nossos dias.

Talvez o que eu estava vivenciando naquele momento fosse uma profunda conexão da minha mente com meu corpo, e entre o meu corpo e o ambiente. 

Vivemos atualmente tão conectados com o mundo virtual, com as tarefas diárias, obrigações de trabalho e casa, que perdemos a conexão com nosso corpo. A ansiedade é uma doença muito forte da nossa era e combina muito com essa desconexão cabeça-corpo, já que tem por característica o viver no futuro, através da projeção e imaginação, atividades exclusivamente mentais. Dessa maneira, não sentimos nosso corpo por causa da dificuldade de estarmos localizados no momento presente. Como a ansiedade caminha junto com as preocupações, vamos acumulando registros de tensão e desprazer no corpo.

Precisamos tomar cuidado com o uso que fazemos das tecnologias. Elas são novas formas de vícios que nos escravizam e impedem de viver plenamente no momento presente. Apesar de serem ferramentas muito úteis para nós, também o são para a lógica capitalista de insatisfação que gera consumo num jogo sem fim.

A escravização indireta do nosso corpo é uma forma muito sofisticada e sutil de controle sobre as nossas vidas. A falta de prazer gera mais demanda de consumo, inclusive de drogas para anestesiar o sofrimento causado pela desconexão.

O momento da minha caminhada na praia proporcionou o resgate dessa conexão mente, corpo e ambiente, me enchendo plenamente de prazer. Sentir assim, me fez estar completamente integrada no momento presente e me sentir plena.

Essa sensação de plenitude deixa nossas almas alimentadas e a ansiedade diminui, as demandas desnecessárias diminuem, as anestesias tornam-se obsoletas.

O desafio é construir essa inteireza no nosso dia a dia. Descobrir as pequenas coisas que nos dão prazer, aprender a fazer com entrega as demandas diárias, e eliminar o que nos gera doença e sofrimento. No meu caso, acredito que essa entrega no momento da caminhada na praia foi o resultado de uma grande construção que venho fazendo ao longo do meu processo de busca de autoconhecimento e crescimento pessoal. A cada dia eu descubro, redefino e redescubro novos prazeres. 

Cada pessoa é diferente e precisa experimentar para descobrir por si mesma o que lhe gera prazer. Não há uma receita pronta e generalizada para todos.

Estimado leitor, você já descobriu as pequenas coisas da vida que lhe dão prazer? Compartilhe conosco sua experiência no espaço para comentários abaixo!



Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte
Instagram: @solteirosecasais


Referência da Figura:
1. foto que tirei da minha caminhada na praia


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