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segunda-feira, 8 de junho de 2015

POR QUE NÃO CONSIGO UM RELACIONAMENTO?

POR QUE NÃO CONSIGO UM RELACIONAMENTO?


Muitas pessoas hoje se queixam de que não há homens e mulheres disponíveis ou que desejam um relacionamento sério, que as pessoas perderam os valores e não são confiáveis para um compromisso, e que só querem sexo e curtição.
Essa é uma estratégia de culpabilização do outro como sendo o problema para não se conseguir namorar. Apesar de encontrarmos um padrão de funcionamento social onde o sexo ficou mais fácil após a revolução sexual, além de mudanças e confusões nos papéis femininos e masculinos que consequentemente geraram um desencontro amoroso, culpar o outro por nossa dificuldade de encontrar um parceiro é a resposta mais fácil, a qual podemos nos apegar com facilidade.
Mas estou escrevendo este post para falar da resposta mais difícil, que é fazer uma avaliação do seu interior, buscando compreender os fatores internos que dificultam o encontro amoroso. Destaco duas importantes questões, a seguir.
CRENÇAS
As crenças* são aqueles conceitos que aprendemos desde pequenos sobre o que é o amor e o encontro amoroso. Você pode ser consciente ou inconsciente de suas crenças, pois elas são aprendidas na vivência do dia a dia com nossas famílias de origem, e são tidas como normais nesse contexto. Nem sempre temos uma crítica sobre essas crenças e simplesmente as vivemos como verdades absolutas.
As crenças amorosas podem ser boas ou ruins, dependendo de como o amor foi e é vivido na sua família. Aqui não quero fazer um juízo de valor, mas apenas separar as crenças ruins como sendo aquelas relacionadas a todos os tipos abuso e violência, ou simplesmente aquelas que a própria pessoa avalia como ruim.
Se o amor era associado a violência, você terá uma crença de que para ser amado precisará ser agredido de alguma forma, seja ela verbal ou física e tolerará esse tipo de comportamento em suas relações. Ou você também pode evitar entrar em relacionamentos pelo medo de ser agredido novamente, pois além de entender que amor inclui violência, você não acredita que possam existir outras formas de amar.
Quando as famílias vivenciam o amor relacionado ao distanciamento, a frieza, e a falta de afeto, você acabará atraindo e aceitando esse tipo de relacionamentos em sua vida, mesmo que seu desejo seja o oposto. Poderá atrair também pessoas indisponíveis para um relacionamento ou aquelas que apenas se envolvam superficialmente.
Se a crença amorosa estiver ligada a dependência, você tenderá a se envolver com pessoas que possuem algum tipo de vício, sejam eles, o da codependência (cuidar dos outros), das drogas lícitas e ilícitas, do trabalho, da comida, etc. Nesse caso, as pessoas costumam estar em relacionamentos o que não significa que sejam satisfatórios, pois preferem estar com alguém a estar sozinhas, já que a crença é na dependência do outro para sobreviver.
Outras crenças comuns são: “homens não prestam”, “mulheres que gostam de sexo são putas e não confiáveis”, “eu tenho que cuidar/proteger meus pais”, “não posso ser desleal nem abandonar a minha família”, etc.. Sejam explícitas ou sutis, todas estas ideias estão profundamente arraigadas no nosso inconsciente, e podem nos impedir de encontrar um relacionamento.
Então, diante de algumas dessas crenças e padrões citados (que não são os únicos), você precisa procurar identificar como o amor era e é vivido em sua família e qual conceito de amor você aprendeu lá na sua origem, e avaliar se ele por si só, já seria um problema para o encontro amoroso. Se você possui crenças negativas, provavelmente você impedirá, inconscientemente, o amor de acontecer em sua vida.
O MEDO DE SER AMADO
Partindo das crenças e do conceito de amor, chegaremos ao medo mais básico do ser humano, o medo de ser amado. Parece loucura, mas é uma das grandes contradições humanas: o forte desejo de ser amado versus o igualmente forte medo de ser amado.
Lendo o livro do Flávio Gikovate, “Uma nova visão do amor” compreendi um pouco desta questão, quando ele aborda a busca do amor e os fatores antiamor. O livro é bastante complexo e são vários os fatores, mas gostaria de destacar dois pontos em especial:
Por um lado, o impulso amoroso está ligado o desejo de voltar a encontrar a perfeita fusão existente dentro do útero materno ou do aconchego materno após o nascimento. Por outro lado, em contraposição, há o impulso pela separação e pela individuação que a criança começa a fazer quando descobre e desenvolve suas capacidades corporais, e na adolescência quando começa a se afirmar como diferente dos pais, e a se identificar com os grupos sociais.
Na nossa cultura brasileira, a separação nem sempre é vivida de forma natural, mas sim de forma ansiosa, podendo ser completamente desmotivada e até rejeitada de forma agressiva e desqualificadora. Quando a família reage a separação negativamente, o indivíduo pode se sentir ameaçado de perder o amor familiar, interrompendo seu processo normal de separação, e criando os conceitos de separação e de vínculo muito inadequados.
Assim, apesar de desejar encontrar aquele aconchego do amor materno, há o medo de ser engolido por esse amor e nunca mais poder voltar a sua individualidade. Há também uma tendência de se amedrontar diante de sentimentos intensos pelo outro e a fugir deles.
E supondo que o indivíduo não tenha fugido e tenha encontrado o tão sonhado aconchego, também haverá o medo de ser abandonado e de perder a fusão reencontrada. Esse medo é característico de famílias onde os pais ameaçavam consciente ou inconscientemente de abandonar os filhos, caso eles não fizessem o que os adultos desejavam, não lhes dando segurança do amor.
Diante de toda essa contradição, tendemos a buscar relacionamentos onde o fator amoroso e o fator antiamor se equilibrem, ou seja, buscamos parceiros que tenham certas afinidades mas que também tenham certas características impedidoras do amor realmente acontecer.
É importante que avaliemos como nosso medo de ser amados nos faz boicotar nossa busca amorosa, e tentar entender como fazemos isso na prática, nos interessando e nos envolvendo com pessoas que reproduzem nossos velhos conceitos amorosos e que não podem nos oferecer o amor que realmente desejamos e merecemos.
Em outras palavras, precisamos mudar nossas crenças básicas sobre o amor, deixando as crenças familiares para trás, enfrentando nossos medos e buscando aprender a nos permitir ser amados.
Estimado leitor, deixe seu comentário abaixo sobre suas impressões deste texto!

* O vídeo da Gisela Vallin (confira no site) foi inspirador para esse tópico.

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte

Referência da Figura
1 –imagem retirada do google imagens

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

2015 – O RESGATE ANUAL DA RESPONSABILIDADE

2015

O RESGATE DA RESPONSABILIDADE

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Por que nossa sociedade se organizou de forma a ter uma mudança ritualística de um ano para o outro?
Exatamente porque somos seres indisciplinados, irresponsáveis e incoerentes com nossas vidas e relações.
Prometemos sempre uma lista de coisas para o ano inteiro e cumprimos apenas alguns itens, isso quando cumprimos. Ou criamos metas inalcançáveis a médio e curto prazo e acabamos por desistir no meio do caminho.
A mudança ritualística de fim de ano nos faz relembrar nossos desejos e objetivos de vida e isso é muito importante. Apesar da mudança ser uma ilusão, quando levamos a sério a redefinição de objetivos e fazemos votos de renovação conosco mesmos, uma pequena chama de responsabilidade se acende dentro de nós. Mas esse fogo pode ser mantido aceso ou pode ser apagado, dependendo se assumimos essa responsabilidade ou não.
A maioria de nós aprendeu a esperar que o outro fosse o responsável pela nossa felicidade. Ficamos crianças esperando ser cuidados até hoje. Esse é um dos motivos pelo qual não assumimos a total responsabilidade por nossas vidas.

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Assumir a total responsabilidade é fundamental para que nossas metas estabelecidas sejam construídas durante o ano.
Mesmo quando estamos nessa busca, uma dificuldade que encontramos é nossa ansiedade e imediatismo. Queremos realizar nossos desejos, mas novamente como crianças, queremos que tudo se realize magicamente. Não sabemos esperar e tampouco curtir o processo de construção que envolve a busca de concretização das nossas metas.
Acredite! A ansiedade não vai acelerar o processo, só faz a gente sofrer enquanto não alcançamos o resultado. Portanto, se você é uma dessas pessoas, busque uma ajuda terapêutica. Psicoterapia, Homeopatia e Acupuntura e práticas alternativas como a espiritualidade, meditação e yoga ajudam muito em casos onde a ansiedade não é patológica demais. Se for este o caso, é necessária a ajuda de um Psiquiatra.
Além de aprender a lidar com nossa ansiedade, precisamos também construir uma organização disciplinada para nossas rotinas. Uso aqui o conceito de disciplina das artes marciais* que engloba quatro importantes palavras: respeito, compromisso, abdicação e esforço.
É muito importante ter Respeito as regras estabelecidas na organização estipulada. Já ter Compromisso consigo próprio implica cumprir adequadamente as etapas necessárias para um bom funcionamento da rotina. Abdicação significa abrir mão, perder algo em troca de um ganho maior. Também é necessário muito Esforço, fazer força para que o objetivo dê certo, enfrentar os imprevistos e sentimentos negativos como a preguiça, contrapondo-os em prol do bem maior. Os quatro itens são interligados e interdependentes.
Não acredito que essa organização tenha que ser rígida, mas ela precisa ser firme e flexível ao mesmo tempo. Precisamos cumprir nossa rotina a maior parte do tempo, para que possamos conseguir realizar todas nossas responsabilidades e consequentemente atender nossas necessidades materiais, emocionais, intelectuais e relacionais.
Outro aspecto importante para que cheguemos a ser responsáveis conosco mesmos é o cuidar das nossas carências. Na maioria das vezes não somos disciplinados porque estamos buscando tamponar nossas carências, utilizando de atividades compulsivas ou dependentes do outro. Mas o que não enxergamos é que essa busca alimenta o ciclo vicioso dos nossos buracos emocionais, uma vez que não é buscar o cuidado no outro que vai nos alimentar e sim buscar aprender cuidar de nós mesmos.

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Assim, meu desejo é que em 2015, possamos aprender cada vez mais, a ser responsáveis com a nossa existência!
* Conferir texto sobre o assunto no site.
Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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Referência das Figuras
1 – todas as imagens foram retiradas do google imagens.
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sábado, 20 de setembro de 2014

POR QUE FICAMOS EM RELACIONAMENTOS FALIDOS?

POR QUE FICAMOS EM RELACIONAMENTOS FALIDOS?

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A capacidade do ser humano de adaptação a qualquer condição de vida é incrível. Mesmo quando o contexto que se vive é ruim ou até mesmo destruidor, podemos viver estáveis na doença, sem mover uma única “palha” para sair do lugar, ou criando falsas estratégias de resolução.
Por que isso acontece? Porque cada indivíduo tem uma história que justifica cada tipo de adaptação. A partir dessa história vamos construindo nossos valores, nossos conceitos de amor, de certo e errado, o que é permitido e proibido.
Peguemos o exemplo da violência doméstica. Parece surreal, mas ainda hoje milhares de mulheres sofrem violência de seus parceiros. Algumas denunciam o ato violento nas delegacias de mulheres e outras simplesmente se silenciam. Outras, mesmo após denunciarem e afastarem os parceiros, depois os requisitam de volta. O que acontece é que na história de vida desses homens e mulheres, a violência é um padrão relacional aceito consciente ou inconscientemente, sendo o conceito de amor confundido com a violência.
Isso serve para qualquer outro padrão aprendido. Os padrões afetivos podem ser positivos e negativos e temos uma forte tendência de repeti-los nos relacionamentos amorosos. Além da violência, encontramos outros padrões negativos comuns como o distanciamento, a hostilidade, as brigas, as desqualificações, a dependência, a disputa de poder, a negação da realidade, as mentiras, as traições, a vitimização, a infantilidade, etc., que contribuem para a falência dos relacionamentos.
O autor sistêmico Mony Elkaim – a sistêmica é a visão teórico prática a qual trabalho - fala que sempre vivemos duplo-vínculos em nossas vidas e relacionamentos. Duplo-vínculo consiste numa contradição entre nosso Programa Oficial, que é nosso desejo consciente, e o nosso Mapa de Mundo, que são os aprendizados que tivemos na família de origem, todo nosso background, que geralmente é inconsciente.
Assim, quando nosso aprendizado não condiz com o nosso desejo, faremos um boicote inconsciente do desejo, pois não temos permissão histórica para vivê-lo. Essa contradição e esse boicote se transformam num duplo-vínculo porque o que aprisiona será a não permissão para questionar os conceitos construídos na família de origem, já que culturalmente a família é considerada sagrada ou, por outro lado, ainda buscamos amor na família, e portanto, não podemos criticá-la, ou porque não temos consciência da repetição e dessas forças familiares.
Em outras palavras, vivemos e ficamos em relacionamentos ruins porque aprendemos padrões amorosos negativos, e os repetimos por sermos leais as nossas famílias de origem. Inconscientemente não queremos ser desleais ao que nossos pais nos ensinaram sobre o certo e errado no amor.
Por outro lado, outras questões que aprisionam os casais em relacionamentos falidos são os valores pelos quais iniciaram ou mantiveram a vida a dois, como religião, status, dinheiro, bens construídos, filhos, medo da solidão, dependência, dentre outros.

Quando se trata de um casamento, mesmo falido, sair é muito difícil pois existe todo o peso de uma história construída. Mas antes de constatar a falência, já se passaram várias etapas no processo do relacionamento: negação da realidade do problema, brigas para mudar o outro, tentativas de resolução das complexas questões. O que quero enfatizar como um aprisionamento dos indivíduos numa relação falida é quando todas as tentativas de resolução já se findaram, e os indivíduos, exaustos, simplesmente ficam, falidos e tão mortos quanto o relacionamento.
Ao escrever este texto, lembrei-me com saudades do Rubem Alves e de seu livro “O Passarinho Engaiolado”, vejam o vídeo abaixo, com a apresentação do livro em slides.

Permanecer em relacionamentos falidos é como viver numa gaiola aberta...
E você leitor? Está “voluntariamente preso” num relacionamento falido? Deixe sua opinião no espaço para comentários abaixo!

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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Referências das Figuras
1 – Imagem retirada do google imagens

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