Mostrando postagens com marcador Comunicação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comunicação. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

SOMOS INDEPENDENTES?


SOMOS INDEPENDENTES?


7 de setembro, 2018, independencia do brasil, pensar fora da caixa, comunicação, bandeira do brasil



Aproveitando a data comemorativa de 7 de setembro, gostaria de trazer uma reflexão sobre a independência nas nossas vidas.

Infelizmente não temos muita noção do quanto somos manipulados e conduzidos pelos sistemas de poder ao nosso redor. Recebemos mensagens diretas e indiretas, desde a política mundial até os sistemas familiares mais próximos, sobre o que é certo ou errado, o que devemos ou não devemos fazer.
É uma ilusão acharmos que somos independentes.

Não fomos educados para pensar. Não há interesse em que a população tenha autonomia e comece a questionar as definições arranjadas pelos sistemas de poder, que só a uma minoria beneficia.

Portanto, fica muito claro o real motivo da falta de investimento na Educação. Quanto mais sucateado for o aprendizado, menos as crianças aprendem a pensar com análise crítica e autonomia, tornando-se adultos facilmente domináveis.

Num âmbito mais familiar, também não somos educados para expressar nossas emoções, sentimentos e demandas com clareza. Nem sempre somos ouvidos.
A divergência de pensamentos e posicionamentos geralmente produz conflitos e confusões nas relações mais íntimas. Aprendemos que a diferença resulta em rejeição, crítica e punição, e o melhor mesmo é nos calar e não expressar nossas angústias, dores e contraposições, para não correr o risco de perder o amor dos nossos entes queridos.

A comunicação é um problema recorrente nas relações familiares, de casal, empresariais e entre amigos.

Também não somos independentes para sentir e falar.

Inseridos nesses sistemas, construir uma independência e autonomia se torna um grande desafio:

* precisamos aprender a ser questionadores – não aceitar as falsas verdades impostas pelos sistemas de poder mais amplos, sem fazer uma análise crítica e reflexiva.

*precisamos aprender a buscar conhecimentos com firme decisão – ter uma postura de pesquisadores, de investigadores.

* precisamos parar de nos anestesiar com álcool, drogas e demais compulsões para aliviar nossas angústias existenciais, nos esforçando para ter uma postura ativa na busca de uma vida mais digna para nós.

*precisamos eliminar a “preguiça” existencial que nos deixa paralisados numa vida ruim, de forma passiva e vitimizada que coloca a culpa nos outros e nesses sistemas corruptos mais amplos.

Essa construção é muito trabalhosa e requer muito esforço da nossa parte. Não é para os preguiçosos e acomodados e sim para os corajosos e determinados.
Em qual categoria você se encaixa?


 Adriana Freitas

Psicoterapeuta Sistêmica
e Terapeuta de Casais
em Belo Horizonte
fb.me/adrianafreitas.blog.youtube 
Instagram: @adrianafreitas.blog.youtube




Referência da Figura
1. Imagem retirada do google imagens


#adrianafreitas #adrianafreitaspsicoterapeuta #solteirosecasais #amor #afetividade #carinho #relacionamentos #relação #comportamento #terapiadecasal #sexualidade #casal #casamento #solteiros #saúde #comunicação #paixão #carência #parceiro #cuidar #saudades #psicologia #psicóloga #terapiafamiliar #sistêmica #visãosistêmica #terapia #belohorizonte #psicologabh  #poesia #versinhos #psicologia #terapiasistemica #terapiadecasal #terapiadoprazer #terapiafamiliar #blog #pegaefaz #busquemconhecimento #saude #qualidadedevida #belohorizonte






segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

AS 5 LINGUAGENS DO AMOR

AS 5 LINGUAGENS DO AMOR

as 5 linguagens do amor, palavras de afirmação, presentes, tempo de qualidade, toque físico, atos de serviço

Este post é um resumo (indicação e estímulo de leitura) do livro, “As Cinco Linguagens do Amor – como expressar um compromisso de amor a seu cônjuge” do autor Gary Chapman, que li recentemente e achei de grande importância para os casais que desejam melhorar a comunicação do amor no relacionamento.

O autor defende que se soubermos a linguagem de amor dos nossos parceiros e escolhermos demonstrá-la constantemente, o relacionamento se transformará em qualidade e retorno, pois ao sentir-se amado, o parceiro se sente mais motivado a corresponder e atender os desejos do outro.

Um grande problema da comunicação do amor, é que geralmente expressamos amor da forma como gostaríamos de ser amados e nem sempre deciframos a forma com a qual nossos parceiros se sentem amados. É necessário descobrir a linguagem de amor do outro e escolher demonstrá-la, mesmo quando essa linguagem não faz parte do nosso background emocional de origem e nos parece incômoda. É uma escolha adulta pelo bem estar da vida a dois com a garantia de que os retornos são extremamente positivos.

Chapman utiliza da metáfora do “tanque de amor”, argumentando que dentro de toda criança e adulto existe um tanque emocional que precisa ser preenchido de amor o tempo todo, e caso isso não aconteça, o indivíduo passa a se comportar mal, inconscientemente demonstrando sua carência amorosa. Na vida adulta do casal, durante a paixão, os tanques parecem estar transbordando de amor, mas quando a paixão acaba e a realidade da personalidade do parceiro aparece, a necessidade emocional reaparece e os indivíduos passam a clamar fervorosamente por amor, mas infelizmente de forma negativa e infantil, o que gera o afastamento do parceiro e o início de um círculo vicioso.

as 5 linguagens do amor, palavras de afirmação, presentes, tempo de qualidade, toque físico, atos de serviço


É nesse contexto que os indivíduos precisam aprender que “é dando que se recebe” e não economizando e cobrando. Quando doamos amor da forma como nosso parceiro deseja ser amado e se sente mais amado, seu tanque de amor volta a se encher e seu comportamento pode mudar radicalmente melhorando o clima emocional da vida a dois.

Vejamos então um resumo das 5 linguagens:

1ª) Palavras de afirmação

A pessoa que tem essa linguagem primária do amor gosta de ouvir palavras, frases e conversas de elogios, agradecimentos, encorajamento, reconhecimento e confirmação. Por isso seu tanque de amor diminui muito quando ouve palavras de críticas e cobranças constantes, pois é como sua linguagem de amor, além de não acontecer, é ferida profundamente.

Dessa forma, a maneira de falar é muito importante. Podemos dizer tudo que precisamos, mas tomando o cuidado de expressar de maneira suave e gentil. “O amor faz pedidos, não exigências. Quando exijo coisas de minha esposa, torno-me pai, e ela passa a ser minha filha” (p. 45).

A maneira que o parceiro deve expressar o amor emocional nesta linguagem do amor é através de palavras que edificam.

2ª) Tempo de Qualidade

Nesta linguagem do amor, o parceiro se sente amado quando recebe completa atenção do outro. Gosta de conversar olhando olho no olho, sair pra passear só os dois e passar um tempo juntos com qualidade de presença.

Estar juntos sem essa atenção focada e sem o diálogo, não enche o tanque de amor da pessoa com esta linguagem primária. É importante tirar um tempo para ter conversas de qualidade onde os parceiros trocam experiências, pensamentos, sentimentos e desejos. É importante também que o parceiro seja um bom ouvinte e mostre desejo sincero de compreender seu amado.

Resumindo, faça contato visual, não faça outras coisas enquanto ouve seu parceiro com total atenção, preste atenção aos sentimentos, observe a linguagem corporal, não interrompa sua fala e aprenda a ouvir e revelar seus sentimentos.

3ª) Presentes

A pessoa que possui esta linguagem primária do amor gosta muito de receber desde pequenos a grandes presentes. O presente é como se fosse a materialização do amor, e é também um símbolo de que o outro estava pensando no seu amado.

Muitos parceiros têm dificuldade de presentear, mas podem pedir ajuda de parentes e amigos para a escolha dos presentes. Outros têm uma relação complicada com dinheiro e precisam mudar sua atitude e crença desse gasto como sendo um investimento no parceiro e na relação.

No geral, não importa o valor do presente, mas sim a intenção. A não ser que a pessoa tenha muito dinheiro e sempre dê presentes baratos, pois assim o parceiro questionará seu valor. O parceiro irá considerar desde uma flor roubada no jardim do vizinho até o presente da presença.

4ª) Atos de Serviço

Nesta linguagem do amor, o parceiro se sente amado quando o outro faz atos de serviço, ou seja, faz coisas que sabe que o outro gostaria. É expressar o amor fazendo coisas.

Geralmente se refere a algum tipo de ajuda, que muitas vezes pode não estar incluída no papel de gênero, como por exemplo, o marido ajudar a arrumar a casa e cuidar das crianças, ou a esposa lavar o carro e buscá-lo de carro no trabalho. Portanto é preciso reexaminar os estereótipos de papéis de marido e mulher que aprendemos nas famílias de origem e escolher fazer os atos de serviço do nosso parceiro em busca do bem estar maior da relação.

5ª) Toque Físico

Por último temos a linguagem amorosa através do toque físico. Para os indivíduos que têm essa linguagem primária de amor, andar de mãos dadas, beijar, abraçar e ter relações sexuais são formas de comunicar amor emocional ao parceiro.

Como o tato é um dos sentidos mais amplos em nosso corpo, podemos explorar quais as formas onde este parceiro se sente mais estimulado e aprecia ser acariciado.

Para este parceiro a pior punição pode ser a violência ou a indiferença com afastamento físico. Um parceiro distante não preenche seu tanque de amor e a violência pode ferir profundamente sua linguagem de amor.

Chapman enfatiza que demonstrar o amor é uma escolha de doação. Excluímos a possibilidade do amor quando tratamos nosso cônjuge como objeto, manipulamos através da culpa e coagimos por medo, assim como a crítica é uma forma ineficaz de implorar amor. Permitir ser usado ou manipulado por outra pessoa não é um ato de amor e sim uma traição consigo mesmo.

Escolher falar a linguagem de amor do parceiro passa muitas vezes pelo enfrentamento das próprias dificuldades de expressar o amor da forma como o outro se sente amado. Cabe a cada um fazer ou não esta escolha e arcar com as positivas ou negativas consequências.

Você conseguiu identificar sua linguagem de amor? Compartilhe conosco suas percepções e dúvidas no espaço para comentários abaixo!


Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte

Siga o blog clicando em "Seja um seguidor" na lateral direita
Referência das Figuras
1 – todas as imagens foram retiradas do google imagens.
#adrianafreitas #solteirosecasais #amor #afetividade #carinho #relacionamentos #relação #comportamento #terapiadecasal #sexualidade #casal #casamento #solteiros #saúde #comunicação #paixão #carência #parceiro #cuidar #saudades #psicologia #psicóloga #terapiafamiliar #sistêmica #visãosistêmica #terapia #belohorizonte #as5linguagensdoamor #5linguagens #linguagensamor

sábado, 2 de agosto de 2014

A RAIVA NOS RELACIONAMENTOS - HOSTILIDADE CONJUGAL

A RAIVA NOS RELACIONAMENTOS

HOSTILIDADE CONJUGAL

raiva, relacionamentos, hostilidade conjugal, comunicação relacionamentos, frustração, narcicismo, inconsciente, agressividade

Ontem dei uma aula sobre Hostilidade Conjugal, para um grupo de colegas onde faço supervisão. O texto deste post é um resumo dessa aula.
Nossos relacionamentos nos despertam múltiplos sentimentos e emoções, bons e ruins, saudáveis e doentios. Por isso, uma diversidade de conflitos surgirá ao longo das relações, podendo gerar crescimentos, negociações ou destruições da autoestima dos indivíduos e de seus vínculos.
A dificuldade de lidar com os sentimentos no geral e mais especificamente com os sentimentos hostis faz com que levantemos a muralha de nossas defesas e bloqueemos os canais de comunicação. No entanto, os pensamentos e sentimentos encontrarão outras formas de expressão, que podem ser muito disfuncionais e até destrutivas para os indivíduos e as relações.
Não fomos ensinados a comunicar nossos sentimentos de forma assertiva. Como a raiva é conotada negativamente em nossa cultura e em nossas famílias, fica mais comprometida a sua expressão consciente. Dessa forma, processos de negação poderão muitas vezes camuflá-la atrás de outros sentimentos ou transformá-la em outros comportamentos.
A raiva encontrará outras formas de expressão implícitas e indiretas como o distanciamento, a indiferença, o boicote aos interesses individuais, a vitimização, até mesmo a autopunição e autodestruição.
O casamento se torna insatisfatório e hostil porque é baseado em projeções. Projetamos nos parceiros os desejos insatisfeitos das nossas primeiras relações de amor, ou seja, esperamos que as relações de casal venham suprir nossas carências mais básicas, aquele amor completo que nossos pais não puderam nos oferecer por causa de suas limitações humanas.
E assim, quando o casamento adquire uma função de salva-dor, já está fadado ao fracasso, pois está obrigado a resolver as carências, faltas e vazios infantis. Como nenhum parceiro consegue o tempo todo salvar a dor do outro, o casamento fica frustrante pois deixou de cumprir sua obrigação, e essa frustração é o propulsor da raiva.
Somos narcisistas. Só enxergamos a nós mesmos na relação. Não entramos nas relações pelo outro, mas sim pelo que o outro pode nos oferecer. O narcisismo designa o estado em que a libido é dirigida ao próprio ego, um amor excessivo a si mesmo. Em consequência disso, os três desejos secretos do amor têm a ver com: 1) a busca de fusão com o parceiro por causa do medo da solidão; 2) o desejo de aprovação do outro e de sua confirmação constante; 3) o desejo de estímulo que irá preencher o vazio das primeiras relações.

raiva, relacionamentos, hostilidade conjugal, comunicação relacionamentos, frustração, narcicismo, inconsciente, agressividade

Então, esses desejos envolvem uma preocupação básica consigo mesmo e com as próprias satisfações, sendo nutridos pela necessidade de receber em vez de dar amor. Nenhum tem alguma coisa a ver com dar amor para a outra pessoa. Só damos com a intenção de receber.
É triste nos deparar com nosso próprio egoísmo.
A vulnerabilidade narcisística está na essência de todos ou da maioria dos conflitos conjugais e o grau de vulnerabilidade de cada parceiro é muito semelhante, ainda que as manifestações superficiais possam ser incrivelmente diferentes.
E o problema se agrava pois além de esperar que o outro supra nossas necessidades e carências infantis, temos uma regra infeliz no contrato inconsciente do casamento que fala o seguinte:
“Eu tentarei ser algumas das coisas mais importantes que você quer de mim, ainda que algumas delas sejam impossíveis, contraditórias e loucas, desde que você seja para mim algumas das coisas impossíveis, contraditórias e loucas que eu quero que você seja. Não precisamos contar um ao outro o que essas coisas são, mas ficaremos zangados, aborrecidos ou deprimidos se não formos fiéis a isso” Pincus e Dare (conferir referência completa).
Ou seja, o contrato inconsciente reforça uma dificuldade comunicacional dos relacionamentos pois o outro tem que adivinhar o que eu desejo e preciso e se não o fizer isso será considerado desamor. Uma comunicação ruim aumenta significativamente a raiva e a hostilidade conjugal. As brigas ficam destrutivas e não chegam a lugar nenhum.
Os casais precisam aprender a utilizar sua energia agressiva para resolverem as suas frustrações relacionais e não para destruir o outro. E também para melhorarem sua comunicação e sua autoestima.
Numa comunicação construtiva há uma expressão clara de um problema particular, cada oponente escuta atentamente o outro, estabelece seu próprio posicionamento nitidamente, descobre o posicionamento do outro e desenvolve trocas de negociação. Há um movimento real em direção da resolução da dificuldade, o entendimento acentuado do outro e um compromisso negociado mutuamente.
No filme “Separados pelo Casamento” o casal entra numa comunicação completamente inadequada, num jogo sem fim, até que chegam a um “cessar fogo”, onde comunicam o que realmente precisava ser comunicado, mas infelizmente tarde demais, num momento em que a relação já havia sido destruída. Vejam a cena:



Além de buscarem a melhoria da comunicação, os parceiros também precisam aprender a cuidar de suas próprias carências e necessidades para não ficar esperando que o parceiro o faça. A responsabilização de cada indivíduo consigo mesmo é fundamental para a saúde das relações. Reconhecer e confirmar a si mesmos assim como buscar realizar seus desejos e projetos individuais, são questões importantes que favorecem a diminuição de expectativas nas relações conjugais e por consequência diminuem também a hostilidade conjugal.

Compartilhe os conosco seus pensamentos, opiniões e questões sobre este post e sobre o tema no espaço para comentários abaixo!
Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

Siga o blog clicando em "Seja um seguidor" na lateral direita

Referências das Figuras
1 – http://minhavidaperfeita.com.br/terapia-de-casal-voce-tem-palavra/

#adrianafreitas #solteirosecasais #amor #afetividade #carinho #relacionamentos #relação #comportamento #terapiadecasal #sexualidade #casal #casamento #solteiros #saúde #comunicação #paixão #carência #parceiro #cuidar #saudades #psicologia #psicóloga #terapiafamiliar #sistêmica #visãosistêmica #terapia #raivarelacionamentos #hostilidadeconjugal

domingo, 11 de maio de 2014

A FALSA HARMONIA DOS CASAIS COMPLEMENTARES - DOIS LADOS DA MESMA MOEDA

A FALSA HARMONIA DOS CASAIS COMPLEMENTARES

DOIS LADOS DA MESMA MOEDA

relacionamentos, falsa harmonia, casais complementares, complementaridade rígida, morte simbólica

A complementaridade, assim como a simetria - abordada no post anterior - é outro padrão comunicacional, onde a diferença é a característica principal das relações estabelecidas. Diferença esta que é marcada por polaridades, cada parceiro  assumindo um pólo na relação. Possui dinâmicas como: dominador-dominado; opressor-oprimido; autoritário-submisso, pai-filha; mãe-filho; responsável-irresponsável;  dependente-codependente, etc.
A doença desse padrão de comunicação é a complementaridade rígida, que é determinada pela vivência de papéis relacionais cristalizados no seu pólo de referência principal. Relembrando, a saúde comunicacional seria quando o casal transita em ambos padrões, complementares e simétricos, dinamicamente, de acordo com a necessidade do contexto.
Geralmente o padrão complementar é corroborado pela cultura de gênero, religiosa e familiar, na medida em que estas estabelecem papéis rígidos e bem delimitados para homens e mulheres. E assim podemos nos identificar e nos manter leais a este tipo de funcionamento consciente e inconscientemente.
Nas relações complementares cada parceiro assume seu papel porque sua própria crença, construída em sua história de origem, lhe permite. Digo isto porque muitas vezes parecerá que o oprimido, o dominado, o codependente são vítimas, mas eles são corresponsáveis por ficarem nessa posição na relação. Podem possuir um comprometimento na autoestima, não acreditarem em si mesmos, ou serem leais aos papéis transmitidos pela família, religião e cultura, mas "ninguém entra num papel por acaso".
Como essas pessoas entram nessas relações a partir de suas próprias crenças, elas geralmente são cordatas com seus papéis, gerando uma harmonia no casal. No entanto estou considerando esse equilíbrio como falso porque  existe sempre sacrifícios de uma ou ambas as partes, rigidez e falta de flexibilidade no funcionamento do casal e da família, o que dificulta uma vivência mais espontânea e livre nos relacionamentos.
relacionamentos, falsa harmonia, casais complementares, complementaridade rígida, morte simbólicaPode acontecer de uma dessas pessoas morrer na relação para a outra viver. Morrer uma  morte simbólica significa se anular, não ter sua opinião ou posicionamento como válidos, não ser ouvido tampouco considerado, e muitas vezes massacrado como nos casos de violência de gênero. Ou seja, nas relações complementares rígidas, a falsa harmonia só acontece porque alguém desiste de viver, aceitando esse lugar  do morto.
Isso não significa que não exista peso para o que ficou "vivo". Ser o algoz, o autoritário da relação é uma forma de mascarar a própria insegurança ou medo, e uma  necessidade de autoafirmação visando tamponar o sentimento que está por detrás.  Se ele precisa de alguém fraco para se mostrar forte, é porque não sente internamente seguro e confiante em si mesmo. Se relacionasse com alguém de fato forte, seria denunciado e sua máscara cairia instantaneamente. Por isso precisa e depende desse outro parceiro fragilizado no outro lado da moeda.
Dessa forma essa relação polarizada é extremamente dependente  apesar de um dos lados parecer tão independente. Ainda  que os posicionamentos de cada indivíduo sejam polarizados o eixo estrutural dos parceiros é de fato semelhante: insegurança, medo, baixa autoestima. Dois lados de uma mesma moeda.
Nesse padrão de comunicação, muito há que ser trabalhado em função do autovalor de cada indivíduo. As vezes acontece do parceiro morto acordar,  ou ressuscitar e entrar em disputa de poder com o outro, como  no filme "Guerra dos Roses", também referendado no post anterior, o que não resolve a doença dependente do casal, só mudando a  lógica comunicacional de complementar para simétrica.
Para que haja possibilidade de mudança na complementaridade rígida, o morto precisa querer viver e o dominador precisa estar cansado do seu falso poder. O morto precisa estar disposto a fazer os enfrentamentos dos seus medos e abrir mão da falsa segurança que o dominador lhe dá. O dominador precisa entrar em contato com sua própria fragilidade, a qual tenta esconder a qualquer custo e correr o risco de retirar suas próprias máscaras defensivas agressivas. Ambos parceiros precisam enfrentar suas defesas infantis e aprender a lidar de outra forma com suas carências originais. Começa com uma escolha individual.
Construir um padrão saudável de comunicação dá muito trabalho. Nada acontecerá magicamente, apesar de fantasias infantis dos parceiros. Você está disposto a fazer este investimento?

relacionamentos, falsa harmonia, casais complementares, complementaridade rígida, morte simbólica

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

Figuras


#adrianafreitas #solteirosecasais #amor #afetividade #carinho #relacionamentos #relação #comportamento #terapiadecasal #sexualidade #casal #casamento #solteiros #saúde #comunicação #paixão #carência #parceiro #cuidar #saudades #psicologia #psicóloga #terapiafamiliar #sistêmica #visãosistêmica #terapia #falsaharmonia #casaiscomplementares

segunda-feira, 17 de março de 2014

COMUNICAÇÃO NOS RELACIONAMENTOS

COMUNICAÇÃO NOS RELACIONAMENTOS

 CURSO ORATÓRIA E ESCUTATÓRIA PARA CASAIS OU ARTE DE FALAR E ARTE DE OUVIR


relacionamentos, comunicação, oratória, escutatória, arte de falar, arte de ouvir.

A palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a ouve.

A comunicação é um dos problemas mais básicos e comuns de todas as relações.
Sempre entramos nas relações esperando que o outro nos faça feliz, mas não informamos quais nossos parâmetros de felicidade.
O contrato inconsciente dos casais reza que cada parceiro será responsável por realizar as  fantasias mais loucas um do outro, mas esse outro tem que adivinhar, e caso não adivinhe, isso será considerado desamor. Pincus e Dare descrevem o contrato inconsciente da seguinte maneira:
“Eu tentarei ser algumas das coisas mais importantes que você quer de mim, ainda que algumas delas sejam impossíveis, contraditórias e loucas, desde que você seja para mim algumas das coisas impossíveis, contraditórias e loucas que eu quero que você seja. Não precisamos contar um ao outro o que essas coisas são, mas ficaremos zangados, aborrecidos ou deprimidos se não formos fiéis a isso”.
Qual a possibilidade desse contrato dar certo? Talvez somente durante a paixão, mas de forma fantasiosa e não realista, pois durante essa fase, o encantamento deixa os amantes muito servidores e cegos. Com o tempo, a falência desse contrato vem a tona de forma avassaladora, demandando que o casal rompa o relacionamento ou faça outro contrato com bases mais conscientes, consistentes e realistas.
Não saber falar e não saber ouvir são problemas frequentes do antigo contrato inconsciente do casal. Na construção do novo contrato, os parceiros precisarão investir no processo de comunicação de suas necessidades, entre outras tarefas que não irei abordar neste post.
Na crônica “Escutatória” de Rubem Alves, ele diz: “Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular”. Inspirada pelo querido autor, e acreditando que os cursos de oratória oferecidos são insatisfatórios no quesito relacionamentos, decidi escrever três princípios básicos sobre ambos cursos, mesmo que ninguém queira se “matricular”.

Curso de Oratória para Casais
relacionamentos, comunicação, oratória, escutatória, arte de falar, arte de ouvir.

1. Aprender a falar numa posição do eu
Cada parceiro do casal costuma falar acusando o outro do que ele fez ou deixou de fazer. A acusação ou culpabilização do outro incita imediatamente o levantamento da muralha da defesa, dificultando ou impedindo que a boa comunicação aconteça. 
Para falar de uma posição do eu, cada indivíduo precisa, antes de tudo, aprender a identificar seus sentimentos, o que é uma tarefa bem difícil, pois não fomos educados para tal. Muito pelo  contrário, fomos ensinados a engolir e esconder nossos sentimentos, principalmente os considerados feios. O problema é que quando os sentimentos chegam no auge da repressão, eles encontram formas inadequadas de expressão, ferindo o próprio indivíduo e o outro. 
Assim, para ajudar a identificar seus sentimentos, segue uma lista deles: 
Com raiva, triste, sozinho, com saudade, com medo, alegre, magoado, rancoroso, ressentido, amargurado, inseguro, com ódio, cansado, abandonado, rejeitado, apavorado, corajoso, confuso, orgulhoso, amado ou não amado, enganado, miserável, furioso, nervoso, ignorado, excitado, aborrecido, especial, feliz, importante, vazio, enojado, enciumado, envergonhado, embaraçado, frustrado, vingativo, desapontado, culpado, preocupado, etc.
Identificado seu sentimento, você tem mais condição de falar para o outro sobre ele, mas assumindo-o como seu, a partir do que o outro fez. Deve-se ter cuidado em como se fala para não culpar o outro pelo seu sentimento, pois assim ele continuará com sua defesa.

relacionamentos, comunicação, oratória, escutatória, arte de falar, arte de ouvir.2. Aprender a falar com amor
Não é possível falar com amor quando se está com raiva. Se for necessário, aguarde a raiva passar para ter uma conversa com seu parceiro. A raiva pode ser um bom motor para que o indivíduo se movimente e não fique paralisado em situações abusivas, mas pode incitar cobranças e vinganças inadequadas em determinados momentos.
Falar com amor significa ter uma intenção de ser compreendido pelo parceiro para que ambos cresçam com a conversa e não uma intenção de vingança, punição e destruição do outro.
Portanto é necessário ter um cuidado com as palavras, com a emoção dessa conversa e com a escolha do momento adequado para que o diálogo aconteça. Escolher conversar num momento inoportuno para o outro – ex.: horário do futebol ou novela – pode representar um prévio boicote a conversação.

3. Expressar suas necessidades e desejos com clareza
Como somos impregnados pelo contrato inconsciente do relacionamento, criamos a expectativa de que o parceiro adivinhe nossos desejos de antemão, e por isso não nos dedicamos a explicar claramente o que queremos.
No geral, as mulheres têm o péssimo hábito de falar de forma indireta, linguagem esta que não é traduzida adequadamente pelo cérebro masculino, que funciona de forma mais linear. O cérebro feminino funciona mais de forma circular e recursiva, dificultando assim a compreensão mútua. Ambos parceiros precisam fazer um esforço cognitivo para transpor estes vícios de linguagem.
O que piora a situação é que muitas vezes o próprio indivíduo não sabe claramente o que deseja, e fica esperando que o outro cuide dele, inclusive adivinhando suas necessidades. Essa expectativa infantil prejudica a comunicação no relacionamento, tirando a responsabilidade de si e projetando-a no parceiro.


Curso de Escutatória  para Casais
relacionamentos, comunicação, oratória, escutatória, arte de falar, arte de ouvir.

1. Ouvindo sem levantar muralhas
A arte da escuta se  torna sempre mais difícil quando o que ouço são reclamações, cobranças e culpabilizações. A tendência defensiva de todo ser humano é criar uma muralha protetora ou armar-se e defender-se atacando. 
Supondo que seu parceiro ainda não tenha passado pelo curso de oratória, e ainda fale com culpabilizações, escutá-lo será um desafio de tradução. Será necessário, primeiramente, não se identificar com a culpa recebida. Quando seu parceiro acusa, na verdade ele esta falando das necessidades não atendidas dele, das carências dele. Enxergar as necessidades do outro, não pegando culpas para si mesmo é a grande chance de não se levantar sua muralha defensiva.
Num relacionamento que busca saúde, você pode tentar ajudar seu parceiro a traduzir suas acusações em necessidades essenciais dele, e aí sim decidir se pode ajudá-lo ou não.
Se você também está conectado com seu crescimento, pode avaliar se o que o parceiro está dizendo a seu respeito é algo que de fato você precisa melhorar e se for, pergunte a si mesmo como pode mudar o que precisa ser transformado.
Um problema de relacionamentos já desgastados é quando a escuta já está impregnada por juízos de valor. Se você já previamente julga seu parceiro, antes mesmo dele lhe comunicar o que deseja, a muralha já foi levantada.
Outra forma de agigantar a muralha é quando existe uma desqualificação prévia da comunicação do parceiro. Isso acontece com ouvintes arrogantes, que se acham melhores que o outro, só enxergam o próprio umbigo e não valorizam nem validam o companheiro. No fundo são pessoas inseguras que se escondem atrás de uma falsa postura de poder, pois precisam diminuir o outro para se sentirem grandes.
Dessa forma, os julgadores e os arrogantes precisam reconhecer suas defesas, enfrentá-las e minimizá-las caso queiram melhorar sua escuta e seus relacionamentos.

2. Aprendendo a traduzir o que se ouve
A arte da escuta implica aprender a ler nas entrelinhas da fala. E ler nas entrelinhas significa também buscar compreender os sentimentos do outro, sendo por isso muito importante saber compreender os próprios sentimentos.
relacionamentos, comunicação, oratória, escutatória, arte de falar, arte de ouvir.Outro aspecto da tradução é observar a linguagem não verbal do falante. O conteúdo da fala pode ser completamente diferente do comportamento e da emoção do falante. Naturalmente isso gera uma confusão no ouvinte, e este deve buscar interagir com o outro visando clarear o que ele realmente quer dizer.
No processo de comunicação, uma boa escuta não significa uma escuta passiva, mas uma escuta interativa, onde o ouvinte está por inteiro naquele contexto conversacional e se mostra interessado não apenas em ouvir, mas em compreender o que o falante quer dizer. Portanto, em alguns momentos precisará ter a humildade de pedir esclarecimentos ou perguntar para o outro se está entendendo adequadamente.

3. Acolher sem querer dar resoluções
Para escutar bem, precisamos acolher o nosso parceiro. E para acolher bem, é necessário inicialmente criar um bom ambiente para a conversa. Um ambiente com muitos estímulos externos gera uma distração na comunicação, que se torna sem qualidade.
Além do ambiente, para estabelecer um diálogo com qualidade de presença, é necessário que haja uma disponibilidade corporal de ambos parceiros, com proximidade corporal, posicionamento frente a frente e contato visual. Se não me engano, foi no livro da Sobonfu Somé, “O espírito da intimidade”, que li que em sua cultura africana, os parceiros conversam as coisas mais difíceis de costas um para o outro e as coisas mais fáceis de frente. De qualquer maneira, o casal precisa encontrar as melhores maneiras de se comunicar de forma respeitosa e amorosa.
E uma característica do aspecto masculino, no homem ou na mulher, é a tentativa de ajudar o outro mostrando o que deve ou não fazer mediante seu problema, ou seja, dar uma solução. No entanto precisamos perguntar para o ouvinte se ele quer apenas ser ouvido ou se ele quer nossa opinião sobre seu assunto, respeitando em seguida, a escolha e desejo do outro.

Bem, acredito que este assunto não se esgota nesses princípios básicos, mas espero que eles possam contribuir para suas reflexões a respeito do falar e do ouvir e possam melhorar sua qualidade comunicacional em seu relacionamento.
relacionamentos, comunicação, oratória, escutatória, arte de falar, arte de ouvir.
"A natureza nos deu uma língua e dois ouvidos, para que ouçamos duas vezes mais do que falamos."
DiogenesLaertius, Historiador grego, 200-250

Adriana Freitas

Psicoterapeuta Sistêmica em BH

Referências das Imagens:
6. http://www.veg11.com.br/site/cuide-do-seu-falar


#adrianafreitas #solteirosecasais #amor #afetividade #carinho #relacionamentos #relação #comportamento #terapiadecasal #sexualidade #casal #casamento #solteiros #saúde #comunicação #paixão #carência #parceiro #cuidar #saudades #psicologia #psicóloga #terapiafamiliar #sistêmica #visãosistêmica #terapia #oratória #escutatória #artedeouvir #falar