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terça-feira, 9 de agosto de 2016

E VOCÊ SE FOI

E VOCÊ SE FOI


poesia, amor que se foi, amor romântico, amor perdido, foras e tocos


E você se foi
Tão pouco ficou
Não entendo bem o motivo da partida
Fiquei no vácuo do não compreendido

Será que o entendimento
Melhoraria o sentimento de rejeição?
Tenho minhas dúvidas
Explicações nem sempre consolam

Dentro de mim o desejo ainda arde
Certas chamas demoram a tornarem-se brasas
Certas brasas demoram a tornarem-se pó
Essa é minha inquietação

Tento apagar a brasa com a razão
Enquanto o corpo tem seu próprio tempo
Não se abaixa ao comando da cabeça
Seu senhor é o coração

Oh coração tolo
Foi acreditar numa ilusão
Melhor viver de tolices
Que nunca ferir-se em emoção

Um dia essa brasa se apaga
Esqueço toda tristeza
E volto a caminhar no jardim do imprevisível
Inocência renovada, coração aberto de novo

Como é pueril esse desejo de amar
Tem o afeto incondicional de criança pequena
E memória fraca de velhinho caduco
Logo logo esquece a brasa e começa tudo de novo


Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte
Instagran: @solteirosecasais


Referência da Figura:
1. foto extraída do site: http://morguefile.com/search/morguefile/3/bye/pop


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quinta-feira, 14 de julho de 2016

O PAPEL DA MENTIRA NOS RELACIONAMENTOS

O PAPEL DA MENTIRA NOS RELACIONAMENTOS

mentira, Ivan Martins, dissimulação, foras e tocos, medo da perda, feminismo, segredos, máscara


Recentemente li o livro “O Jogo da Dissimulação” de Harriet Goldhor Lerner, onde a autora faz uma leitura sobre o fingimento, a falsidade e o engano no universo feminino. Também li um texto “Sincericídio”, no livro “Um Amor Depois do Outro”, no qual o autor Ivan Martins escreve sobre o quanto uma verdade, pensamento ou fantasia falada de forma inadequada, podem ser massacrantes para uma relação.

Ambos, livro e texto, me ajudaram a pensar este post. Não tenho a pretensão de fazer um estudo aprofundado, como Lerner fez, e assim indico o livro para os interessados. Mas gostaria, principalmente, de apresentar algumas reflexões sobre experiências da minha própria realidade e da realidade de clientes e amigos em geral.

Uma das experiências mais desconcertantes e sempre sujeitas a mentiras, é quando “damos o fora” em alguém que não gostamos. Falar a pura verdade pode ser extremamente ofensivo, como por exemplo: você tem mau hálito, ou você é um chato de galocha, ou eu não gostei do seu beijo e sexo, ou você é muito imaturo pra mim. Não gostar de uma pessoa por qualquer motivo é um direito de todos nós, mas daí expor seus pensamentos para o outro de forma impulsiva pode se tornar falta de educação ou bom senso.

Assim, sempre “inventamos alguma mentira”, ou “falamos a verdade” de uma forma mais sutil, passando o recado sobre a nossa falta de interesse pelo outro: eu não me identifiquei com você, ou eu percebi que meu sentimento por você é apenas amizade, ou eu não estou pronta para um relacionamento neste momento, etc. Algumas pessoas simplesmente somem, não aparecem nunca mais, e assim dizem de seu não interesse, sem verbalizar, evitando o difícil enfrentamento.

Quando encontramos uma pessoa que vale a pena relacionar, é preciso fazer um esforço para falar abertamente dos nossos desejos e interesses. Nós humanos, especialmente mulheres, fomos educadas pela família e pela cultura para dissimular, fingir uma coisa pela outra, para fazer jogos emocionais com os homens, a fim de conquistá-los ou prendê-los.

Um jogo em desuso, mas muito comum na cultura Patriarcal, com uma força ainda poderosa no imaginário geral, é o jogo do homem que quer sexo e da mulher que segura sua vontade, fala que não quer porque é moça decente que não transa fácil assim. Este jogo envolve papéis culturais para o homem e para a mulher. O homem tem que querer fazer sexo com qualquer mulher senão sua masculinidade será questionada. A mulher, para não ser puta e ser considerada para um relacionamento, tem que segurar seu desejo.

Como a mulher vem conquistando vários espaços no trabalho, nas relações e na sexualidade, a partir das lutas feministas contemporâneas datadas a partir de meados da década de 1960, especialmente o comportamento sexual se modifica em direção a uma maior liberdade de vivência. Percebo que essa mudança favorece a escolha afetiva uma vez que uma maior experimentação fornece mais dados para se escolher um parceiro compatível. Por outro lado, uma maior liberdade sexual traz também uma tendência a superficialização das relações, especialmente porque dentro de uma estrutura de pensamento social ainda patriarcal e machista, essa liberdade pode ser associada a não possibilidade de confiança e consequentemente a insegurança e o comprometimento nas construções de vínculo.

Pensando nisso, homens e mulheres devem dissimular seus verdadeiros interesses. E para as pessoas no geral, conversar abertamente sobre o desejo sexual ou sobre o interesse em intimidade relacional, é uma construção que está em aberto, mas caminha de forma bem lenta.

Este ano, eu esqueci completamente a data de aniversário do meu pai. No dia seguinte minha mãe de criação (irmã do meu pai) me perguntou de eu tinha dado os parabéns pra ele e eu contei que tinha esquecido e que ligaria pedindo desculpas e falando do esquecimento. Ela claramente me sugeriu uma fala que ocultaria a verdade, para amenizar a situação. Quando eu percebi o jogo de dissimulação, eu escolhi contar a verdade, buscando exercitar essa coerência.

Esse meu exemplo familiar, mesmo sabendo que as intenções de minha mãe eram boas, mostra muito claramente como a dissimulação vai sendo construída na vida das mulheres de forma muito arraigada, como se fosse natural. Nossas avós, mães, tias, irmãs e amigas vão passando essa postura que é reforçada e retroalimentada de geração a geração.

Sendo assim, a mentira, segundo Lerner, não deve ser vista apenas como um traço de personalidade, mas deve ser pensada em contexto, uma vez que ela é como uma dança relacional que acontece entre nós e em nosso meio.

Pensando nessa ideia de contextualizar, é muito interessante avaliarmos como e quando escolhemos mentir ou contar a verdade.

Muitas vezes a mentira é uma tentativa fantasiosa de proteção do outro, que visto como frágil, não é capaz de ouvir o que tenho a dizer ou suportar a dor que eu posso lhe causar. Nestes casos projetamos no outro a nossa própria fragilidade e nossa própria dificuldade de encarar e enfrentar o parceiro.

O medo de perder é um dos sentimentos que nos faz mais mentir nos relacionamentos. É também baseado em fantasias de como o outro pensa e gostaria que fôssemos e agíssemos. Está muito fundamentado na ideia de que “eu não sou bom o suficiente”, e que se não atendê-lo em todas suas necessidades, correrei o risco de perdê-lo.

Se nossa autoestima não é saudável e não acreditamos em nós mesmos, nem no nosso valor, tendemos a criar uma máscara, que de acordo com nossa fantasia somada as expectativas externas, seja mais aceitável socialmente. Enganamos a nós e ao outro.

De fato é difícil definir quando falar ou não falar a verdade. Mas o problema nem sempre é falar, mas sim o como se fala.

Denunciar a verdade mais íntima do outro, num momento de briga ou discussão, de uma forma agressiva e ofensiva é umas das piores formas de falar a verdade. É o que o Ivan Martins chama de Sincericídio, uma sinceridade que assassina o outro, pois usa do conhecimento da sua intimidade como uma arma de guerra.

Por outro lado, manter segredo, especialmente quando a informação escondida é emocionalmente vital para os relacionamentos, é profundamente tóxico e pode ter consequências dramáticas para seus membros, como por exemplo os segredos de traição.


Vemos-nos assim, constantemente, diante do desafio entre ocultar, mentir e falar a verdade. A escolha sobre o que fazer deve nos levar a uma reflexão sobre o que é mais coerente, honesto e adequado para nós mesmos e para nossas relações. Sem fórmulas prontas.

Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte
Instagran: @solteirosecasais


Referência da Figura:
1. foto extraída do site: http://morguefile.com/search/morguefile/7/masks/pop


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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

ACEITANDO OS MISTÉRIOS DA VIDA



ACEITANDO OS MISTÉRIOS DA VIDA

foras e tocos, mistérios da vida, relacionamentos, lei da atração


Minhas amigas e eu somos mestras em ficar confabulando sobre o porquê daquele pretendente não ter se interessado por nós depois do primeiro encontro. Criamos mil e uma ideias mirabolantes sobre os motivos porque ficamos numa busca insaciável por compreensão.

Outro dia, um de meus amigos homens falou que, quando um homem se interessa e quer algo mais com determinada pessoa, ele vai atrás com certeza. Se ele não foi atrás é porque ele não quis. Simples assim.

Fiquei pensando que se aceitássemos essa simples resposta, “ele simplesmente não quis", seríamos mais leves e aceitaríamos a rejeição do outro com mais naturalidade.

Nós mulheres tendemos a nos culpar pela rejeição alheia. Parece que temos um débito cultural para com os homens e se não o conquistamos foi por pura incompetência nossa. 

Outra questão para a qual sempre buscamos uma resposta é: porque estamos sozinhas? Novamente a tendência de nos culparmos aparece. Perguntamo-nos se somos boas o suficiente, se somos atraentes, inteligentes, interessantes, divertidas, amorosas o suficiente, e a resposta é sempre que somos falhas. Não somos perfeitas e por isso fomos rejeitadas. Daí redobramos as auto exigências, buscando esteticamente corrigir um problema de autoestima interno.

Eu não sei se os homens, de maneira geral, aceitam melhor ou pior a rejeição do que nós mulheres, ou se eles apenas aprenderam a lidar de forma diferente com a situação. De toda forma, eles não têm permissão cultural de falarem de sentimentos. O fato é que, mesmo se perguntássemos ao outro por que ele nos rejeitou, ou se nos perguntassem a mesma coisa, a resposta nem sempre será honesta. Eu por exemplo já fui questionada e algumas vezes dei uma desculpa que achei que fosse menos agressiva. Pensava que se fosse falar a verdade, acabaria magoando ou ofendendo o outro.

O que precisamos aceitar é que o outro simplesmente não quis e isso deve bastar. 

A atração é uma sinergia de forças inconscientes e ocultas, as quais nem sempre temos acesso ou consciência. E vice-versa para a pessoa que está do outro lado. Muitas vezes para uma pessoa houve a sinergia, mas para a outra não. Os motivos podem ser muito diversos: padrões familiares diferentes, grau de maturidade distinto, padrões valorativos incompatíveis, etc., que antes mesmos de identificarmos conscientemente, nosso inconsciente já reconheceu e já rejeitou.

Quanto mais formos conscientes desses padrões, mais conseguiremos fazer uma escolha amorosa baseada no nosso desejo. Caso contrário, repetiremos inconscientemente nossas histórias de origem.

Também precisamos aceitar, nossa impotência diante do outro, a falta de respostas que nos acalentem, e o mistério da vida. Algumas respostas nunca nos serão reveladas, pelo menos nesta vida.

Estar cara a cara com o mistério significa que chegamos num limite da possibilidade da compreensão humana para certas coisas da vida. Não gostamos da ideia de aceitar essa impotência, porém não há o que fazer. Quando não a aceitamos, passamos uma vida inquieta e sem paz de espírito, achando sempre que o problema está em nós e criando mil estratégias que mais prejudicam do que alimentam nosso amor próprio.

Aceitar o mistério significa que nos resignamos das nossas limitações humanas, ficamos humildes, abandonando nossas rebeldias adolescentes frente a vida, e aprendendo a lidar com nossa falta de controle.

Eu estou tentando trilhar esse caminho, querido leitor. Ainda não avancei muito nessa aceitação. E você? Deixe seu comentário no espaço abaixo!


Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte
Instagran: @solteirosecasais

Referência da Figura
1 - http://www.redbubble.com/people/theartoflove/works/5256543-ill-be-there-for-you?c=27861-art-from-the-heart
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domingo, 22 de fevereiro de 2015

ROMANTISMO CAFONA

ROMANTISMO CAFONA

Assistam o vídeo primeiro.


Quem nunca teve um lado romântico cafona?

Ontem estava ouvindo a música do vídeo acima, “All for love”, composta por Bryan Adams, Michael Kamen e Robert John Lange, e interpretada por Bryan Adams, Rod Stewart e Sting (três lindas vozes muito peculiares) para o filme “Os três mosqueteiros” em 1993.

Naquele exato momento fui acometida pelo meu lado cafona romântico, que adora músicas românticas antigas, que falam de um amor muito idealizado e quase perfeito. Vocês podem notar essa ideia na letra da música, em alguns versos: “eu serei a rocha em que você possa construir” ou “eu serei o muro que te protege do vento e da chuva, do machucado e da dor”, só pra citar alguns trechos.

Meu lado cafona não para por aí! Eu gostava ocasionalmente de ouvir o  programa “Good Times”, famoso e antigo – mais de 30 anos - na rádio BH-FM, que tocava esses mesmos tipos de música. Parece que o programa saiu do ar em 2013.

Acredito que a cafonice romântica só foi mudando de estilo, sendo difícil listar alguns, uma vez que todo mundo tem vergonha da sua própria, e somente deixa o parceiro saber entre quatro paredes, e olhe lá! Eu mesma escondo a minha e só a estou revelando aqui agora em nome do espírito blogueiro (rs).

Talvez o estilo cafona de hoje vá desde o sertanejo romântico, que fala desse mesmo amor idealizado e perdido com tamanha dor, passando pelas casas de baile que ainda tocam músicas de salão como boleros e outras músicas românticas, indo até aquelas declarações públicas de amor extremamente exageradas, as quais vemos em diversos vídeos no youtube. 

Mas a cafonice romântica tem entrado em desuso, especialmente na era tecnológica onde os meios de comunicação têm ficado cada vez mais digitalizados e a vida cada vez mais prática. O máximo de romantismo a que chegamos hoje é receber uma florzinha ou coraçãozinho por watsapp ou facebook, quiçá uma declaração de amor da mesma forma.

O que eu gosto e admiro nesse romantismo cafona é a capacidade de expressar o amor em forma de melodia, poesia e dança. O romântico cafona não tem problemas em declarar seu amor abertamente, mesmo quando corre o risco de ser rejeitado ou já o foi. Ele não se importa de parecer – ou ser – brega, piegas, retrô ou ridículo, seu foco é único e direcionado para o amado, os outros não são importantes.

Na verdade, expressar sentimentos é uma das coisas mais difíceis de se fazer pois não fomos educados para isso. E expressar o amor pelo outro nos deixa vulneráveis: será que o outro vai corresponder? Será que eu vou levar um fora?

Cafona ou não, o romantismo é sempre bem vindo num relacionamento, quando envolve ações prazerosas para ambos parceiros. Um jantar a luz de velas, ouvir músicas românticas que ambos gostam, dançá-las abraçados com ou sem roupa, declarações de amor ao pé do ouvido, pequenos presentes no dia a dia, enfim, todas as atitudes que sejam expressões de amor e carinho. 

Eu gostaria muito de conhecer o seu romantismo cafona! Revele e compartilhe aqui no blog suas cafonices no espaço para comentários abaixo!




Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte

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sexta-feira, 18 de julho de 2014

ELE NÃO ESTÁ TÃO AFIM DE VOCÊ – SOBRE SABER RETIRAR-SE

ELE NÃO ESTÁ TÃO AFIM DE VOCÊ

SOBRE SABER RETIRAR-SE


Ele não está tão afim de você” é o nome de uma comédia romântica dirigida por Ken Kwapis, e estrelada por Ben Affleck, Jennifer Aniston, Drew Barrymore, Scarlett Johansson, Ginnifer Goodwin, Justin Long, dentre outros.  No vídeo abaixo vocês verão os comentários de Isabela Boscov sobre o filme, falando pelo Veja Cinema:



Concordo com Isabela, quando comenta que o filme teve um resultado simpático. Acho que isso acontece porque despretensiosamente, o filme fala sobre encontros e desencontros dos relacionamentos, e sobre como homens e mulheres “enlouquecem” tentando compreender as mensagens, diretas ou contraditórias de seus pretendentes, sendo as mulheres as que mais buscam justificativas para as ausências masculinas.

Em seu delicioso livro "Mulheres - por que será que elas...?*", Leila Ferreira tem um capítulo inteiro falando das desculpas que as mulheres inventam para as atitudes dos homens. "O amor não correspondido, ou a paixão não correspondida, ou simplesmente a atração não correspondida costumam provocar um embotamento dos sentidos que impede a mulher não só de ver, mas de ouvir, sentir, registrar o gosto ou o cheio de qualquer sinal que denuncia a não correspondência do sentimento" (cap. 18, pág. 191).
Apesar de serem as mulheres as que mais tem "problema de visão" nos relacionamentos, quantas vezes já levamos e já damos um fora? Tem momentos em que a coisa simplesmente não se encaixa, seja por falta de química física, sexual, intelectual, afetiva, de objetivos de vida, ou de questões inconscientes que nem sabemos nomear. Mas sempre ficamos muito sentidos por levar um fora, e muito desconcertados para dar um fora.
Dando um fora
Dar um fora é tão desconcertante quanto levar um fora. O outro aparece te solicitando ou inconvenientemente insistindo e você não tem a menor vontade de ficar com ele. Geralmente utilizamos as piores estratégias: desaparecimento, desculpas esfarrapadas e deixar de molho. Temos uma enorme dificuldade de dizer a verdade, ou porque não queremos magoar o outro, ou queremos ter um estepe sobressalente para uma rapidinha de vez em quando ou porque gostamos de ter alguém interessado em nós.
Tem situações em que realmente é muito difícil falar a verdade. Já ouvi na clínica e entre amigas diversos relatos: o rapaz tinha um mau-hálito terrível que não dava pra ficar nem conversando com ele. Outras vezes a pretendente era tão carente (vide a personagem Gigi do filme acima indicado) que colava na parceiro, oferecendo muitas coisas inadequadas para o momento do início de uma relação e sufocando-o. Ou a insegurança do homem com o próprio corpo (com seu pequeno membro) impedia que a coisa fluísse na cama. Como falar dessas coisas pra o outro? Impossível. Daí inventamos desculpas amenas.
Levando um fora
Levar um fora é muito ruim, mas levar um fora depois de uma noite que pareceu maravilhosa é pior. O indivíduo fica sem compreender o que de fato aconteceu. Ou o outro foi falso ao extremo quando demonstrou sentir um grande prazer na sua companhia ou só queria viver o momento, ou não está buscando um relacionamento. Desculpas e mais desculpas.
Por que tentamos sempre compreender os motivos de o pretendente não ligar no outro dia ou na semana seguinte? Porque não conseguimos seguir em frente sem ter um sentido para o fora que levamos, que sirva para amenizar um sentimento de culpa, explícito ou oculto, quando nos colocamos toda responsabilidade pelo outro não gostar da gente. Talvez sabendo o motivo, possamos consertar o que há de errado com a gente, para poder acertar da próxima vez. Falta de autoestima!
Saber Retirar-se
A maior liberdade possível para o ser humano é quando ele consegue se dar o direito de ser ou não ser amado. O outro pode gostar ou não gostar de mim, ou posso gostar do outro e ele ir embora em busca de suas próprias escolhas.
Se sentimos algo de valor pelo pretendente, vale a pena fazer uma iniciativa. Entrar em contato e ver a possibilidade de um novo encontro acontecer. Mas se o outro não corresponde suas mensagens, não esboça nenhuma iniciativa de volta, ou não topa realizar um encontro, este é o momento de bater em retirada. Quando não saímos nesse momento, já entramos num lugar de carregar uma relação nas costas, e podemos nos ferir mais adiante, com expectativas não correspondidas. Quando há interesse mútuo, a troca, o contato, as mensagens, os encontros fluem com facilidade, sem ter que fazer esforços sobre-humanos.
Precisamos aceitar que seja por que motivo for, o outro tem o direito de não gostar da gente e vice-versa. Compreendendo que não houve uma conexão mais profunda, em níveis conscientes e inconscientes, fica mais fácil levarmos um fora, batermos em retirada sem deixar que nossa autoestima fique comprometida.


Compartilhe os conosco seus pensamentos, opiniões e questões sobre este post e sobre o tema no espaço para comentários abaixo!


Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH

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*Confira aquireferência completa do livro.
Referências das Figuras

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