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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

PACIÊNCIA E PERSISTÊNCIA - QUALIDADES ESSENCIAIS NOS RELACIONAMENTOS

PACIÊNCIA E PERSISTÊNCIA

QUALIDADES ESSENCIAIS NOS RELACIONAMENTOS

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Recentemente assisti o filme “De Porta em Porta” dirigido por Steven Schachter, e inspirado na vida de Bill Porter. Uma lição de vida. O personagem Bill Porter, portador de paralisia cerebral e com algumas limitações físicas e de fala, consegue o emprego de vendedor de porta em porta na Watkins Company, a partir do incentivo de sua mãe. O início do seu trabalho não é fácil, mas ele relembra os sábios ensinamentos de sua mãe: paciência e persistência. Ao exercitar essas qualidades ele consegue prosseguir e crescer no trabalho até conseguir um prêmio de melhor vendedor do ano. Emocionante!
Paciência e persistência não são características que se encaixam muito bem numa sociedade ansiosa e imediatista como a nossa. Lutamos demais contra o tempo além de sermos levados pela enxurrada do consumismo capitalista. Sofremos pelo que não temos, mas não sabemos esperar nem planejar, nem economizar, nem persistir de forma consciente; acabamos vivendo essa espera de forma inconsciente, porque a realidade não nos dá outra opção.
Nos relacionamentos, muitas brigas e separações acabam acontecendo sem que essas qualidades sejam exercitadas ou desenvolvidas. Na minha prática clínica é comum os casais quererem mudanças rápidas sem passar pelo processo de mudança pessoal individual. Sempre culpam o parceiro e têm muita dificuldade de identificar seus 50% e se responsabilizar por eles.
Como seria exercitar a paciência na prática  dos relacionamentos? Seria um exercício com várias etapas, não necessariamente em sequência, a saber:
1. Conhecer a si mesmo, seus sentimentos, necessidades e desejos e responsabilizar-se pelos mesmos, aprendendo a cuidar de si;
2. Reconhecer o parceiro como uma pessoa que tem suas próprias necessidades e desejos, e não como uma pessoa que está a nosso serviço;
3.   Não levar toda rejeição ou falas negativas que receber pelo lado pessoal, avaliando racionalmente o que foi dito;
4. Compreender o parceiro como alguém que tem dificuldades pessoais e que também precisa de um tempo para dar conta de realizar as mudanças que se propôs a realizar;
5. Reconhecer que não temos controle nenhum sobre o parceiro e só ele pode mudar a si mesmo, caso queira;
6. Buscar o autocontrole das próprias emoções de frustração e raiva;
7. Não levantar muros de defesas como justificativas, ataques e silêncios e estar aberto para o diálogo e a escuta verdadeiros;
8. Sair da rigidez de querer o poder (ganhar a briga ou ter a razão) a qualquer custo e buscar a flexibilidade;
9.   Estar aberto a negociações.
No filme, o personagem tem que lidar com várias situações frustrantes como porta na cara, pessoas que o ignoram, brigas entre vizinhos, mas ele segue em frente, sem se abater com toda a rejeição. E então é possível identificar sua persistência.
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A persistência requer que cada indivíduo mantenha-se constante no seu objetivo, por muito tempo, por isso tem a ver com perseverança. Por mais difícil que seja alcançar a meta planejada, é a capacidade de insistir no caminho, buscando superar os obstáculos que forem aparecendo, que promoverá mudanças significativas nas relações.
Outra característica comum nos casais da minha prática clínica é a falta persistência. Sentimentos de apatia e preguiça os prejudicam na hora de se manterem firmes nos propósitos de mudança que assumem na terapia. Isso acontece mais quando os parceiros ainda estão no período de culpabilização do outro e, portanto, de falta de responsabilização na sua mudança pessoal, pois se é o parceiro o culpado, pra que fazer algum esforço?
Segue outra lista sobre como persistir nos relacionamentos:
1. Não se deixar abater pelas respostas negativas do parceiro e seguir buscando suas próprias mudanças;
2. Buscar não competir com o parceiro sobre quem está fazendo mais pela relação, nem passar a fazer menos se você achar que está sendo lesado;
3.  Dar sempre o seu melhor, para si mesmo e para o parceiro;
4. Valorizar as pequenas conquistas que forem acontecendo;
5. Não focalizar no resultado final desejado e sim no processo de mudança.
6. Acreditar que primeiramente, você está fazendo esse investimento por você mesmo, por desejar e acreditar na relação. O resultado virá como consequência.
É importante saber a diferença entre persistência e tolice. Insistir em uma relação que não tem perspectiva de mudança é uma tolice embasada numa perspectiva de dependência mais do que de amor. Depois de um tempo buscando mudanças, se a relação não melhorar nem crescer, pode ser necessário considerar um rompimento do vínculo. Paciência e persistência não cabem em relações que se tornam abusivas e violentas cronicamente. Como no ditado, “paciência tem limite”, e este limite é a não aceitação desses padrões abusivos que não têm possibilidade de resolução.
Paciência e persistência precisam ter uma base realista, onde podemos observar desejo, investimento e movimentos de mudança de ambas as partes do casal.
Compartilhe conosco, no espaço para comentários abaixo, suas experiências de paciência e persistência!
Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte

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Referência das Figuras
 todas as imagens foram retiradas do google imagens.

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