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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

AS 5 LINGUAGENS DO AMOR

AS 5 LINGUAGENS DO AMOR

as 5 linguagens do amor, palavras de afirmação, presentes, tempo de qualidade, toque físico, atos de serviço

Este post é um resumo (indicação e estímulo de leitura) do livro, “As Cinco Linguagens do Amor – como expressar um compromisso de amor a seu cônjuge” do autor Gary Chapman, que li recentemente e achei de grande importância para os casais que desejam melhorar a comunicação do amor no relacionamento.

O autor defende que se soubermos a linguagem de amor dos nossos parceiros e escolhermos demonstrá-la constantemente, o relacionamento se transformará em qualidade e retorno, pois ao sentir-se amado, o parceiro se sente mais motivado a corresponder e atender os desejos do outro.

Um grande problema da comunicação do amor, é que geralmente expressamos amor da forma como gostaríamos de ser amados e nem sempre deciframos a forma com a qual nossos parceiros se sentem amados. É necessário descobrir a linguagem de amor do outro e escolher demonstrá-la, mesmo quando essa linguagem não faz parte do nosso background emocional de origem e nos parece incômoda. É uma escolha adulta pelo bem estar da vida a dois com a garantia de que os retornos são extremamente positivos.

Chapman utiliza da metáfora do “tanque de amor”, argumentando que dentro de toda criança e adulto existe um tanque emocional que precisa ser preenchido de amor o tempo todo, e caso isso não aconteça, o indivíduo passa a se comportar mal, inconscientemente demonstrando sua carência amorosa. Na vida adulta do casal, durante a paixão, os tanques parecem estar transbordando de amor, mas quando a paixão acaba e a realidade da personalidade do parceiro aparece, a necessidade emocional reaparece e os indivíduos passam a clamar fervorosamente por amor, mas infelizmente de forma negativa e infantil, o que gera o afastamento do parceiro e o início de um círculo vicioso.

as 5 linguagens do amor, palavras de afirmação, presentes, tempo de qualidade, toque físico, atos de serviço


É nesse contexto que os indivíduos precisam aprender que “é dando que se recebe” e não economizando e cobrando. Quando doamos amor da forma como nosso parceiro deseja ser amado e se sente mais amado, seu tanque de amor volta a se encher e seu comportamento pode mudar radicalmente melhorando o clima emocional da vida a dois.

Vejamos então um resumo das 5 linguagens:

1ª) Palavras de afirmação

A pessoa que tem essa linguagem primária do amor gosta de ouvir palavras, frases e conversas de elogios, agradecimentos, encorajamento, reconhecimento e confirmação. Por isso seu tanque de amor diminui muito quando ouve palavras de críticas e cobranças constantes, pois é como sua linguagem de amor, além de não acontecer, é ferida profundamente.

Dessa forma, a maneira de falar é muito importante. Podemos dizer tudo que precisamos, mas tomando o cuidado de expressar de maneira suave e gentil. “O amor faz pedidos, não exigências. Quando exijo coisas de minha esposa, torno-me pai, e ela passa a ser minha filha” (p. 45).

A maneira que o parceiro deve expressar o amor emocional nesta linguagem do amor é através de palavras que edificam.

2ª) Tempo de Qualidade

Nesta linguagem do amor, o parceiro se sente amado quando recebe completa atenção do outro. Gosta de conversar olhando olho no olho, sair pra passear só os dois e passar um tempo juntos com qualidade de presença.

Estar juntos sem essa atenção focada e sem o diálogo, não enche o tanque de amor da pessoa com esta linguagem primária. É importante tirar um tempo para ter conversas de qualidade onde os parceiros trocam experiências, pensamentos, sentimentos e desejos. É importante também que o parceiro seja um bom ouvinte e mostre desejo sincero de compreender seu amado.

Resumindo, faça contato visual, não faça outras coisas enquanto ouve seu parceiro com total atenção, preste atenção aos sentimentos, observe a linguagem corporal, não interrompa sua fala e aprenda a ouvir e revelar seus sentimentos.

3ª) Presentes

A pessoa que possui esta linguagem primária do amor gosta muito de receber desde pequenos a grandes presentes. O presente é como se fosse a materialização do amor, e é também um símbolo de que o outro estava pensando no seu amado.

Muitos parceiros têm dificuldade de presentear, mas podem pedir ajuda de parentes e amigos para a escolha dos presentes. Outros têm uma relação complicada com dinheiro e precisam mudar sua atitude e crença desse gasto como sendo um investimento no parceiro e na relação.

No geral, não importa o valor do presente, mas sim a intenção. A não ser que a pessoa tenha muito dinheiro e sempre dê presentes baratos, pois assim o parceiro questionará seu valor. O parceiro irá considerar desde uma flor roubada no jardim do vizinho até o presente da presença.

4ª) Atos de Serviço

Nesta linguagem do amor, o parceiro se sente amado quando o outro faz atos de serviço, ou seja, faz coisas que sabe que o outro gostaria. É expressar o amor fazendo coisas.

Geralmente se refere a algum tipo de ajuda, que muitas vezes pode não estar incluída no papel de gênero, como por exemplo, o marido ajudar a arrumar a casa e cuidar das crianças, ou a esposa lavar o carro e buscá-lo de carro no trabalho. Portanto é preciso reexaminar os estereótipos de papéis de marido e mulher que aprendemos nas famílias de origem e escolher fazer os atos de serviço do nosso parceiro em busca do bem estar maior da relação.

5ª) Toque Físico

Por último temos a linguagem amorosa através do toque físico. Para os indivíduos que têm essa linguagem primária de amor, andar de mãos dadas, beijar, abraçar e ter relações sexuais são formas de comunicar amor emocional ao parceiro.

Como o tato é um dos sentidos mais amplos em nosso corpo, podemos explorar quais as formas onde este parceiro se sente mais estimulado e aprecia ser acariciado.

Para este parceiro a pior punição pode ser a violência ou a indiferença com afastamento físico. Um parceiro distante não preenche seu tanque de amor e a violência pode ferir profundamente sua linguagem de amor.

Chapman enfatiza que demonstrar o amor é uma escolha de doação. Excluímos a possibilidade do amor quando tratamos nosso cônjuge como objeto, manipulamos através da culpa e coagimos por medo, assim como a crítica é uma forma ineficaz de implorar amor. Permitir ser usado ou manipulado por outra pessoa não é um ato de amor e sim uma traição consigo mesmo.

Escolher falar a linguagem de amor do parceiro passa muitas vezes pelo enfrentamento das próprias dificuldades de expressar o amor da forma como o outro se sente amado. Cabe a cada um fazer ou não esta escolha e arcar com as positivas ou negativas consequências.

Você conseguiu identificar sua linguagem de amor? Compartilhe conosco suas percepções e dúvidas no espaço para comentários abaixo!


Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica
em Belo Horizonte

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Referência das Figuras
 todas as imagens foram retiradas do google imagens.
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domingo, 23 de fevereiro de 2014

A PAIXÃO - FANTASIA x REALIDADE

A PAIXÃO

FANTASIA x REALIDADE

Relacionamentos, paixão, fantasia, realidade, ilusão, inconsciente, fantasmas, intuição

“Tenho para mim que durante as primeiras fases, a relação seria, de fato, entre quatro pessoas:  duas, as reais, permanecem escondidas. As outras duas, ou talvez  outras quatro, são produto da  fantasia: o rapaz, que ele gostaria de ser, o ideal de si mesmo, está em relação com a moça que ele idealiza, com seu ideal de mulher. A moça, também põe em relação sua própria idealização de si mesma com seu ideal de homem. Vês, seriam  seis pessoas. A paixão é um incêndio, uma sublime loucura que pouco tem a ver com a realidade”.
Carlos Arturo Molina-Loza
Esta frase é de um autor que gosto, terapeuta sistêmico também, o Molina, quando escreveu sobre a paixão em um de seus livros*. Ele mostra como uma relação nos períodos iniciais está  completamente perpassada por  ideais fantasiosos de si e do outro, ocultando partes importantes dos indivíduos. Escondemos a pessoa real que somos e não vemos o outro real. Relacionamos mais com o nosso desejo do que com a realidade.

Todo início de qualquer relação, na sedução, acontece que ficamos encantados com nossa própria fantasia a respeito do outro, com nossa própria idealização. Mostramos somente nossas melhores partes internas fazendo um esforço inconsciente para exaltá-las. Escondemos nossas piores partes não por maldade ou má intenção, mas porque durante o encantamento nos esquecemos delas, pois vemos nossa perfeição estampada no espelho que é o olhar do outro.
A paixão é uma atração com bases inconscientes, onde subliminarmente nos identificamos com o outro a  partir de padrões semelhantes e (des)conhecidos de nossas origens, nossa doença que casa com a doença do outro, ou nossa carência que casa com a carência do outro.
Um filme que mostra essa identificação, essa atração com base na semelhança mais profunda é o "Românticos Anônimos", um filme dirigido por Jean-Pierre Améris. Os dois personagens que formarão o casal são Jean-René que é o dono de uma pequena fábrica de chocolate e Angélique, uma confeiteira fantástica que começa a trabalhar para ele. Ambos têm uma timidez patológica e quando se encontram, se identificam, se apaixonam e precisam enfrentar certos limites próprios para ficarem juntos.
Segundo Matarazzo*, como nosso mundo externo é cheio de falhas, ele não consegue suprir nosso mundo interno que acaba ficando também cheio de vazios não preenchidos. Deparar com esses vazios nos faz querer preenchê-los e nesse contexto surge uma necessidade ávida por amor, a qual desesperadamente, buscaremos suprir numa relação.
Relacionamentos, paixão, fantasia, realidade, ilusão, inconsciente, fantasmas, intuiçãoEntão, quando acontece um encontro entre dois seres nessa mesma busca desesperada, cada parceiro apaixonado tem uma ânsia por se completar, e por isso absorve, engole, se deixa absorver e engolir pelo outro. O sentimento cresce podendo se transformar numa “monomania” (ideia fixa em um objeto específico), na coisa mais importante da vida, na razão de ser da própria existência, onde os indivíduos acabam se afastando de suas outras relações, o que aumenta mais ainda a expectativa sobre o outro, uma vez que ele se torna a única fonte de gratificação, apoio e amor. Embutida nessa entrega total, existe seu oposto, uma grande exigência de complementação total. Os parceiros estão capturados num jogo sem fim, uma prisão paradisíaca, e enquanto conseguem manter essa dinâmica, o fogo da paixão estará aceso. Até que alguém quebre o pacto inconsciente de entrega total.
A quebra do pacto pode não ser um grande evento, as vezes é uma pequena escolha do dia a dia, de fazer algo para si mesmo, sem incluir o outro. Um forte sentimento de traição acometerá um dos parceiros gerando cobranças destrutivas. O príncipe e a princesa se tornam sapo e sapa imediatamente. E uma vez quebrado o pacto, a paixão inicia uma descida rápida e íngreme de deterioração, podendo chegar a uma separação, também dolorosamente avassaladora dos indivíduos.
Por outro lado, a decepção que vem em seguida da paixão é a grande chance da relação evoluir com realidade. Somente quando ambos passam a enxergar o outro real, com suas qualidades e defeitos,  na medida que se ultrapassam as fantasias e expectativas narcísicas, é que existe a chance de se tornar casal. E do sentimento da paixão evoluir para o amor.
Refletindo sobre o encantamento da paixão e por que é tão difícil uma relação se sustentar após sua passagem, me questiono sobre as qualidades apresentadas pelos indivíduos nessa fase da relação. Por que  no início das relações, naquele momento apaixonado,  damos o melhor de nós mesmos, mas depois ficamos  "preguiçosos" e damos  apenas nosso pior? Se durante a paixão, internamente tínhamos certos recursos para usar na sedução, esses recursos de  fato existem dentro de nós, e podemos acessá-los novamente quando decidirmos fazer essa escolha. 

Considerando que a relação continue após a paixão, o problema é: por que não estou dando o melhor de mim? Seria uma punição porque o outro não está me dando o que eu espero, quero e preciso? Seria uma economia relacional por não acreditar nas próprias fontes internas? Seria um reflexo do que eu senti recebendo ou deixando de receber das minhas relações de origem?
Deixar de doar pode ser, em primeiro lugar, um deixar de doar para si mesmo. Se estou esperando receber do outro, acabo por não atender minhas próprias necessidades. Assim fico na falta e a expectativa sobre o outro aumenta ainda mais. Claro que existem relações muito pouco nutridoras,  nas quais há um sério comprometimento  afetivo. Mas se "é dando que se recebe", não dando não haverá retorno ou ficarei numa posição de filho, esperando receber incondicionalmente do parceiro.
Faça uma lista das suas qualidades e dos seus defeitos, tentando ser o mais honesto possível. Avalie de acordo com suas qualidades, o que você tem, pode e gosta de oferecer numa relação. Primeiro seja coerente com você mesmo. Se numa relação você começa a fazer jogo emocional, age de forma incoerente com seus valores, e começa a ser quem você não costuma ser, um sinal de alerta se liga, como uma sirene de ambulância, mostrando que algo de muito errado está acontecendo.
Duas perspectivas são possíveis.  Na primeira você pode estar se deparando com seus piores fantasmas. Viver uma relação é um grande desafio na medida que nossas piores doenças podem aparecer: inseguranças, fantasias de abandono, medo do sofrimento, etc.,  inclusive quando se está com um bom parceiro. Numa segunda perspectiva, você está lidando com uma relação sem qualidade, com um  parceiro ruim, que não tem para te oferecer o que você busca e deseja. E nada do que você faça poderá mudar o outro e transformá-lo na pessoa que você deseja. Se você continuar tentando, vai ficar cada vez mais frustrado.
Na primeira, você precisa se tratar para não se boicotar de viver uma relação positiva e uma experiência de crescimento. Na segunda você precisa deixar a relação, como uma forma de defesa ou escolha a partir de uma autoestima fortalecida ou em processo de se fortalecer, acreditando que poderá encontrar relações melhores.
Por que ficamos em relações ruins? Porque aprendemos várias mensagens inadequadas com nossas famílias, a respeito do nosso valor e a respeito de modelos relacionais. Ficamos carentes e nem sempre aprendemos a cuidar de nossas carências, tornando-nos frágeis expectadores de amor. Nessa condição, e considerando que no momento da conquista só o lado bom aparece, tornamo-nos presas fáceis de uma ilusão paradisíaca, que pode se tornar uma armadilha, da qual a saída possível é a melhoria da autoestima.
Não é possível construir uma relação sem passar pelas ilusões dos períodos iniciais. Mas é possível tentar colocar mais razão nas suas escolhas. Se o sinal de alerta piscar insistentemente, considere. Sua intuição é sua amiga, mas seu ego é um pirralho pentelho, um lado bastante infantil que pode tanto te prejudicar como servir de guia na sua descoberta de suas dificuldades emocionais a serem trabalhadas para estar num relacionamento de forma saudável.
Apesar de todas considerações a respeito da fugacidade, intensidade, durabilidade e devastação causadas pela paixão, ainda concordo com uma fala final da personagem Rose, numa das cenas do filme “O espelho tem duas faces”, dirigido e atuado por Barbra Streisand, quando ela dá uma aula a respeito do amor romântico. Veja o vídeo abaixo, com a cena do filme, e tire suas próprias conclusões:


Adriana Freitas
Psicoterapeuta Sistêmica em BH
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*Conferir referência completa do livro na página de Indicação de Livros do blog.
Referências das imagens:
Figura 1: http://artodyssey1.blogspot.pt/2014/02/david-renshaw.html
Figura 2: http://www.flaviorossi.com.br/?gallery=originais-a-venda

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